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O que é o regolito lunar?

·5 min de leitura

Muito se fala sobre o regolito lunar, mas, afinal, o que seria isso? Bom, após uma série de processos biológicos somados aos mecanismos de erosão, a Terra adquiriu uma camada de terra, solo, areia e outros componentes, como argilas, minerais e moléculas orgânicas. Essa camada é conhecida como "regolito" e, embora seja essencial para a vida e outros processos que ocorrem em nosso planeta, não é exclusividade terrestre — outros mundos também a possuem, como a Lua e o regolito que cobre sua superfície.

Você já deve ter percebido que, quando está caminhando em solo macio, seus pés deixam pegadas. Se pudesse coletar um pouco dessa terra ou areia para analisar com um microscópio, veria poeira, solo, fragmentos de rochas que se quebraram e outros materiais que, juntos, formam o regolito, a camada que cobre rocha sólida em nosso planeta. Esse nome vem dos termos gregos “rhegos” (cobertura) e “lithos” (rocha).

Na Terra, a presença do regolito é um fator importante para a ocorrência da maior parte das formas de vida, já que são poucas as plantas que podem crescer em rochas sólidas. Além disso, o regolito foi fundamental também para nossos antepassados, que usaram esse material para construírem abrigos, estradas e realizarem outros trabalhos civis. Aliás, o mais interessante é que as estruturas simples que formam o regolito também estão presentes em outros mundos, como Marte, a Lua, planetas e até mesmo em asteroides.

O que é o regolito lunar

Quando a NASA começou a planejar as missões do programa Apollo, os cientistas envolvidos na empreitada ficaram preocupados com a possibilidade de o regolito lunar ser leve e fino demais para aguentar o peso de um módulo de pouso. Eles temiam que, ao invés de pousar, o módulo acabasse afundando na poeira lunar como se estivesse na neve. Mas, felizmente, os pousos realizados pelas naves do programa Surveyor mostraram que o solo do nosso satélite natural era firme o suficiente para sustentar uma nave espacial.

Pegada de Neil Armstrong no regolito lunar, fotografada durante uma atividade extraveicular na Lua (Imagem: Reprodução/NASA)
Pegada de Neil Armstrong no regolito lunar, fotografada durante uma atividade extraveicular na Lua (Imagem: Reprodução/NASA)

Depois, os astronautas que exploraram a Lua relataram que sentiram o solo bem firme — tanto que eles precisaram usar martelos para conseguir inserir ferramentas de coleta de amostras. Hoje, já sabemos que a superfície lunar é coberta por uma poeira fina que forma o “regolito lunar”, nascido de bilhões de anos de impactos de meteoritos em nosso satélite natural. Os cientistas acreditam que há regiões na Lua onde o regolito se estende por até 5 metros, enquanto em outras pode chegar a 15 metros de profundidade.

Contudo, o regolito lunar representa também um grande desafio para missões tripuladas: a poeira é bastante abrasiva e pode facilmente desgastar trajes espaciais e componentes eletrônicos. Isso ocorre porque o regolito lunar é formado por partículas afiadas, características de um mundo em que não há processos de erosão. Como a Lua não tem atmosfera ou fluxos de água, o regolito formado por partículas liberadas por impactos não teve nada que o desgastasse, e por isso, continuou afiado.

Enquanto a NASA trabalha para levar novos astronautas à superfície lunar nos próximos anos, os pesquisadores estão em busca de descobrir as melhores formas de lidar com o regolito lunar e minimizar os perigos proporcionados por essa poeira — apenas alguns dos vários desafios para a exploração de longo prazo na Lua e estabelecimento sustentável da presença humana por lá.

O problema da poeira lunar

A mitigação da poeira lunar é um problema para a agência espacial norte-americana desde a era Apollo e rende preocupações que vão além do desgaste em equipamentos e trajes espaciais. Quando os astronautas estavam entrando e saindo do módulo lunar durante as missões, a poeira se espalhou por todas as direções, ficando impregnada em mecanismos, interferindo em instrumentos, causando aquecimento excessivo em radiadores, entre outros efeitos. Além disso, as partículas de poeira afetaram também a saúde deles.

Eugene Cernan, comandante da missão Apollo 17, com o traje espacial coberto de poeira após realizar duas caminhadas na Lua (Imagem: Reprodução/NASA)
Eugene Cernan, comandante da missão Apollo 17, com o traje espacial coberto de poeira após realizar duas caminhadas na Lua (Imagem: Reprodução/NASA)

Os astronautas das missões Apollo relataram sentir dores de garganta e olhos lacrimejantes em função da ação da poeira — Harrison Schmitt, tripulante da Apollo 17, descreveu algo como uma “febre lunar”, que rendeu sintomas em todos os 12 homens que estiveram na Lua. Os sintomas iam de congestão nasal a espirros, e houve alguns casos em foram necessários alguns dias para os sintomas desaparecerem de vez.

Sharon Miller, investigadora principal do programa de material de derramamento de poeira na NASA, explica que os cientistas descobriram que as partículas de poeira lunar podem ter menos de 20 mícrons. “Essa poeira é muito fina, abrasiva e afiada, como pequenos pedaços de vidro, que a tornam mais uma ameaça perigosa do que um simples incômodo”, explicou ela. Além disso, ao contrário do que ocorre na Terra, a poeira lunar não está agrupada, ou seja, praticamente qualquer tipo de atividade em solo lunar pode liberá-la.

Para dificultar ainda mais, a poeira lunar tem diferentes aparências e comportamentos que variam de acordo com a região. Por exemplo, a poeira da área da Lua que está constantemente exposta ao Sol tem cargas positivas, o que faz com que grude em tudo. Há regiões em que as cargas são tão fortes que fazem com que a poeira levite, tornando ainda mais fácil que ela acabe entrando em equipamentos ou nos pulmões dos astronautas.

Atualmente, a NASA busca parceiros na indústria, ambiente acadêmico e outras instituições que possam ajudar a encontrar caminhos para lidar com a poeira lunar. Já há algumas tecnologias de mitigação de poeira em desenvolvimento que podem ser testadas em 2023 e, assim que as melhores soluções forem identificadas, a NASA poderá usá-las para as missões do programa Artemis — e, quem sabe, para futuras missões tripuladas em Marte.

Fonte: Canaltech

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