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O quanto o Brasil está seguro diante do novo Coronavírus?

Funcionário desinfeta o vagão de trem como precaução ao novo Coronavírus na estação Suseo, em Seul, na Coreia do Sul. (Foto: AP Photo/Ahn Young-joon)

Com mais de 50 mortes confirmadas somente na China, a preocupação e o medo diante de um surto do novo Coronavírus é cada vez maior. No Brasil, cinco casos notificados como suspeitos já foram descartados pelo governo federal, que garante que estamos seguros. Mas realmente estamos?

O Yahoo Notícias entrevistou duas professoras do laboratório de Virologia da USP (Universidade de São Paulo) para saber se as medidas tomadas até agora pelo Ministério da Saúde são suficientemente eficazes para barrar a entrada desse novo vírus no país.

Em coletiva de imprensa realizada na última quinta-feira (23), o governo de Jair Bolsonaro reafirmou que o Brasil não possui casos confirmados ou sequer suspeitos do novo Coronavírus, e anunciou medidas de proteção recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

20 perguntas para entender o novo Coronavírus

Entre as ações, está notificação da área de portos, aeroportos e fronteiras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a notificação da área de Vigilância Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Também foi anunciado um Centro de Operações de Emergência, que tem como objetivo preparar a rede pública de saúde para o atendimento de possíveis casos no Brasil. 

Na avaliação da Profª. Dra. Clarisse Martins Machado, é difícil determinar se tais medidas serão suficientes para impedir a entrada do vírus no país. “É muito difícil controlar a transmissão das viroses respiratórias. Se fosse fácil, influenza não seria o problema mundial de saúde pública que é há centenas de anos”, assegura a professora.

Doutora pela USP em Doenças Infecciosas e Parasitárias, ela avalia que o rápido aumento do número de casos na China sugere que o novo Coronavírus esteja se espalhando em indivíduos que apresentam poucos ou nenhum sintoma, conhecidos como oligossintomáticos e assintomáticos, respectivamente.

“Se a transmissão do WN-CoV - como essa variação do vírus está sendo chamada - for eficiente mesmo em assintomáticos, o controle da transmissão (feito até agora pelo governo federal) baseado em alertas em fronteiras e busca de sintomas não será suficiente”.

A preocupação com a pouca ou nenhuma manifestação dos sintomas fica mais clara quando se estabelece a facilidade com que esse novo Coronavírus pode se espalhar entre os seres humanos a partir de um indivíduo infectado.

“Os vírus que se transmitem por contato se disseminam muito rapidamente. Uma pessoa infectada pode contaminar todas as superfícies ao seu redor através das mãos, tocando objetos tais como tablet, celular, teclado, controle remoto, telefone, maçanetas, canetas, etc”, explica Clarisse Martins Machado.

Na tentativa de descobrir mais sobre o WN-CoV, a USP deverá receber nos próximos dias amostras desse novo vírus. As amostras são de casos suspeitos que foram atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, uma vez que o Laboratório de Virologia é considerado de referência para diagnóstico de infecções virais.

“Os procedimentos laboratoriais incluem o processamento adequado das amostras para investigação diagnóstica, através de metodologia que envolve biologia molecular. No entanto, ainda não recebemos as amostras”, detalhou a Profª. Dra. Maria Cássia Jacintho Mendes Corrêa, do Departamento Moléstias Infecciosas e Parasitárias, e responsável pelo Laboratório de Investigação Médica em Virologia do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo.