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‘O populista extremista se vale das redes para atacar instituições e preparar caminho para autoritarismo’, diz Barroso

·3 minuto de leitura

RIO — O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que a campanha de ódio e mentira nas redes sociais são os grandes inimigos da democracia atual. Em um discurso nesta quinta-feira em um evento virtual do Tribunal Regional do Rio, o magistrado afirmou que, em vários países, a democracia está sendo ameaçada por três fenômenos: o populismo, o extremismo e o autoritarismo. Em uma fala repleta de indiretas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Barroso também rebateu a proposta pelo voto impresso e criticou os defensores de ditadura.

Barroso, que também é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), entrou na rota direta dos ataques de Bolsonaro nesta semana, após o presidente se tornar alvo de duas ações do TSE por seus constantes ataques às urnas eletrônicas. Bolsonaro afirmou, na quarta-feira, que não aceitará "intimidações" e que sua "briga" é com o presidente do tribunal eleitoral.

No evento de hoje, Barroso não citou o nome de Bolsonaro. No entanto, ao falar do populismo, descreveu como um movimento puxado por líderes carismáticos que se elegem com o discurso contra “tudo isso que está aí”. A fala faz referência a promessa do presidente quando ainda era candidato ao Palácio do Planalto, em que afirmava que governaria de forma diferente de seus antecessores e da chamada “velha política”.

— O extremismo hoje se vale, sobretudo, utilizando as redes sociais para campanhas de ódio, campanhas de desinformação e teorias conspiratórias. E aí nós caímos no autoritarismo, que é essa tentação permanente e em diferentes partes do mundo de concentração do poder, de supressão das instituições representativas. E, hoje em dia, o populista extremista autoritário se vale das redes sociais para atacar as instituições para tentar enfraquecê-las e preparar o caminho para o autoritarismo. Assim tem sido a experiência mundial — disse Barroso.

Urna eletrônica

Defensor do voto impresso, Bolsonaro tem feito, sem provas, acusações em discursos a seus apoiadores e nas redes sociais de que a urna eletrônica é passível de fraude e de que o sistema eleitoral brasileiro é falho. Há na Câmara uma Proposta de Emeda à Constituição (PEC), feita pela deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), de que seja impresso um comprovante de voto na hora de eleição.

Nesta quinta, o presidente do TSE criticou a proposta afirmando que, além do aumento do gasto público, a impressão do comprovante coloca em risco o sigilo do voto e traz problemas de logística ao pleito, já que “ao menos 150 milhões de votos precisarão ser transportados, armazenados e contatos a mão”. Barroso afirmou ainda que a contagem manual dos votos também não traz mais transparência ao processo eleitoral e, pelo contrário, abre brecha para possíveis fraudes como já vistas antes da implementação da urna eletrônica.

— [Quem defende isso] é que não tem a menor ideia de como o sistema funciona.

Defesa da democracia

Barroso participou da palestra magna da abertura do webinário "Reforma Política e Eleitoral - Temas Relevantes para as Eleições 2022", organizada pela Escola Judiciária Eleitoral do TRE-RJ. Em sua fala, defendeu a democracia, mas afirmou que ela passa por um processo de erosão motivado por " por agentes políticos eleitos pelo voto popular como presidentes e primeiros-ministros".

— [Eles] Depois de eleitos, no entanto, tijolo por tijolo, desconstroem alguns dos pilares da democracia num passo a passo em que cada ato individual não parece grave ou dramático, mas o conjunto é o esvaziamento da democracia — declarou Barroso, que também afirmou: — Nós vivemos um momento no mundo em que as instituições que protegem a democracia são mais demandadas do que nunca.

Barroso também criticou aqueles que defendem a volta das ditaduras e disse que é necessário a defesa da democracia das, em suas palavras, “tentações golpistas”.

— Só defende a Ditadura aqueles que perderam a fé no futuro e têm saudades de um passado que não houve, não aconteceu. Esse sucesso que alguns procuraram alardear — disse o ministro, que completou: — Portanto, nós precisamos defender a democracia no plano das ideias, conquistando corações e mentes, e no plano das ações, tomando atitudes necessárias para impedir o avanço do autoritarismo e coibir as tentações golpistas em todo o mundo.

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