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O poder das redes: a importância do efeito de rede

O “digital” cada vez mais permeia o cotidiano das pessoas. Vivemos numa sociedade em rede, uma forma de organização social potenciada das tecnologias de informação. Esse espaço baseia-se em redes operadas por essas tecnologias que geram, processam e distribuem informação a partir de conhecimentos acumulados nos “nós” dessas redes. Uma rede é um conjunto de nós, elementos constantemente interconectados que permitem o fluxo da informação. Celulares e computadores são nós. Em uma rede social, as pessoas são os nós. Os sites são um nó, formado por vários nós e a Internet, portanto, é uma rede de redes.

Uma característica destacada dessa forma de organização é o crescimento exponencial de um conceito bem antigo, mas atual: o efeito de rede, que pode ser definido como o impacto que a quantidade de usuários tem sobre o valor de um bem ou serviço. O telefone é um ótimo exemplo. Quando começou a ser explorado comercialmente, nas primeiras décadas do século passado, o dispositivo conectava um número muito reduzido de pessoas e não solucionava plenamente as necessidades de comunicação da maioria delas. Com o passar dos anos, o número de usuários foi aumentando e o telefone se tornou imprescindível: o seu efeito de rede cresceu exponencialmente. Continuando sobre o exemplo de telefonia, num passado recente, as operadoras de celular no Brasil cobravam preços muito mais altos para ligações feitas a clientes de outras operadoras. O efeito de rede era “sufocado” e só foi destravado quando o modelo de negócios mudou, permitindo muito mais acesso (primeiro por voz, depois por dados).

A disputa entre as redes sociais MySpace e Facebook mostra muito bem a importância do efeito de rede. O case foi estudado por Geoffrey Parker, Marshall W. Van Alstyne e Sangeet Paul Choudary no livro Plataforma: A Revolução da Estratégia (São Paulo: HSM, 2016). O MySpace surgiu em 2004, adotando um modelo fechado, em que a própria empresa desenvolvia suas soluções. Já o Facebook, lançado cerca de dois anos depois, não demorou a escolher a estratégia oposta, um modelo aberto, incentivando desenvolvedores externos “ponto com” a criarem soluções na plataforma, aumentando o alcance e a acessibilidade desta.

Facebook se consolidou por entender o efeito de rede e superou o MySpace como maior rede social do mundo (Imagem: Brett Jordan/Pexels)
Facebook se consolidou por entender o efeito de rede e superou o MySpace como maior rede social do mundo (Imagem: Brett Jordan/Pexels)

Fazia sentido, pois o valor da plataforma para um usuário é dado pela quantidade de usuários do outro lado da rede fornecendo mais oportunidades de interações. Apesar de ter ultrapassado a marca de 300 milhões de usuários em todo o mundo, o MySpace mudou tarde demais para o modelo aberto e não conseguiu aproveitar o efeito de rede, pois os usuários já estavam perdendo o interesse pela plataforma, migrando para o Facebook. Em suma: as pessoas tendem a usar um serviço à medida que outras pessoas já o utilizam.

A estratégia acertada do Facebook criou uma vantagem competitiva que mantém a rede social relevante até hoje. É o chamado winner-takes-most, em que o vencedor varre os concorrentes e se torna dominante no mercado. Quanto mais possibilidades uma rede oferecer aos usuários, mais relevante ela será. Além do Facebook, outras empresas bem relevantes atualmente, como TikTok, Google, Airbnb e Uber, por exemplo, devem muito do seu sucesso ao efeito de rede.

O ecossistema de pagamentos digitais também se beneficia desse efeito. Quanto mais lojas aceitam uma determinada marca, mais praticidade para os consumidores. E quanto mais consumidores tiverem cartões dessa marca, mais clientes em potencial para as lojas. Todos ganham. Presente em mais de 200 países e territórios, com 3,9 bilhões de credenciais de pagamento, a Visa já gera um considerável efeito de rede e isso está sendo expandido.

No próximo capítulo abordarei a nossa evolução como rede de redes, nos interconectando em plataformas multilaterais e descomplicando o dia-a-dia de pessoas, negócios e governos.

Fonte: Canaltech

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