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O papel das empresas na perpetuação das desigualdades climáticas

·7 minuto de leitura

Recentemente, a administração Biden divulgou detalhes da iniciativa Justice40, que direciona 40% dos investimentos no clima e energia limpa para comunidades necessitadas. Enquanto isso, o Conselho de Justiça Ambiental da Casa Branca está desenvolvendo uma ferramenta de triagem para identificar estas comunidades, levando um passo adiante na construção de um ambiente mais justo para aqueles que sofrem as consequências mais graves da mudança climática.

Justiça climática e ambiental possuem histórias e definições acadêmicas distintas e complexas, mas elas podem se sobrepor: alguns grupos vulneráveis sofrem impactos desproporcionais por conta de eventos climáticos como ondas de calor e enchentes e tendem a morar e trabalhar próximos a locais com água e ar poluídos. Nos EUA, há um grande legado de uma política de habitação racista e falta de planejamento que resulta em uma exposição desproporcional tanto a fontes de poluição como a eventos climáticos extremos exacerbados pela mudança climática. Com a temperatura crescendo, as justiças climática e ambiental continuarão a expor as desigualdades existentes, que eventualmente terão que ser tratadas em conjunto.

O programa Justice40 de Biden compreende esta ligação em algum nível e está efetivamente dirigindo seus esforços climáticos para os mais vulneráveis. Mas as empresas e os investidores também possuem um papel na perpetuação das desigualdades climáticas e ambientais. Então, qual deveria ser a tratativa deles com relação a esse assunto?

As empresas respondem a seus acionistas e investidores com relação a seus retornos, o que pode complicar seus esforços para tomar ações climáticas que sejam justas e igualitárias. É necessário levar em conta que a comunidade empresarial e de investidores pode ver as comunidades vulneráveis ao clima – as mesmas que serão beneficiadas pelo programa Justice40 – como uma fonte de risco que deve ser evitada. Em quase uma década fornecendo dados físicos sobre risco climático para investidores, vi muitos deles fugirem rapidamente de ativos, empresas e regiões que serão impactadas por mudanças climáticas.

É assim que os investidores tradicionalmente se protegem do risco: movendo o dinheiro para lugares mais seguros, pelo menos temporariamente. Na prática, isso deixa as comunidades mais expostas e os setores mais vulneráveis mal equipados para prepararem-se para os impactos cada vez maiores do aquecimento global. Mesmo não havendo leis que impeçam empresas e investidores de retirarem seus investimentos de pontos focais de mudança climática, há consequências sociais e econômicas reais quando uma empresa ou um investidor sai de uma comunidade.

Em 2020, a BlackRock, o maior gerenciador de fundos de investimentos do mundo, corajosamente comprometeu-se a retirar os investimentos do carvão para se preparar para a transição para uma energia mais limpa. Agora, imagine se um investidor do tamanho da BlackRock decidir que empresas envolvidas na agricultura no cada vez mais seco Vale Central da Califórnia não são mais viáveis, ou se um órgão do tamanho do Freddie Mac se recusar a avalizar as 23.5 milhões de propriedades sob risco de alagamento nos próximos trinta anos.

Algumas comunidades expostas às interpéries já encontram um dilema de financiamento com o declínio de valor das propriedades devido à subida do nível do mar, o que pode levar à queda na receita de impostos prediais, tornando difícil manter os níveis de crédito e atrair investimentos em títulos, necessários para investimentos em educação, saúde e transporte. Tudo isso pode levar a um ciclo de dívidas.

Em um artigo de 2019, a ecologista política Kimberley Thomas e o professor de geografia e estudos ambientais Benjamin Warner caracterizaram este efeito perverso como “armamentização da vulnerabilidade” à mudança climática, casos nos quais as vulnerabilidades das pessoas são usadas contra elas, exacerbando sua precariedade ao excluí-las da assistência que elas tanto necessitam enquanto estes recursos são dirigidos ao bem estar daqueles que já estão bem posicionados para responder à mudança climática.

Muito do foco da retirada de investimentos de setores com alto risco climático foi dado nos combustíveis fósseis; mas setores como a agricultura, que depende fortemente de uma força de trabalho sensível a mudanças em recursos sensíveis ao clima, como a água, podem sofrer esta retirada de investimentos de outra forma. Em 2014, a Smith School da Universidade de Oxford estimou um total de investimentos em risco na agricultura devido a mudanças climáticas entre 6,3 e 11,2 trilhões de dólares, em uma gama de cenários diferentes. Sem práticas inteligentes de cultivo e investimentos significativos para tornar o cultivo e produção de alimentos à prova do clima, os maiores produtores de alimentos do mundo terão que produzir mais comida com 20% menos chuvas na temporada seca, Isso somente devido à mudança climática, independentemente da redução nas emissões das próximas décadas. Se os investidores reagirem a estes riscos retirando dinheiro das empresas e comunidades agrícolas, serão necessários investimentos pesados do setor público para sustentar milhões de famílias que dependem da agricultura para emprego e subsistência.

Não é surpreendente que as comunidades que estão desproporcionalmente expostas à poluição ambiental frequentemente estão mais expostas aos impactos da mudança climática. O estado da Califórnia, por exemplo, usa uma ferramenta de identificação de quais comunidades devem ser elegíveis a receber um financiamento especial, baseada principalmente na proximidade de dejetos ou produtos tóxicos . Mesmo que as empresas e investidores não usem estas ferramentas na tomada de decisão do dia-a-dia, definitivamente elas prestam atenção aos riscos geográficos relacionados à mudança climática como forma de identificar lugares a evitar.

Infelizmente, a dicotomia entre como os setores público e privado lidam com a justiça ambiental e climática não é complementar. A retirada de investimentos do setor privado cria um vácuo que não pode ser totalmente preenchido por programas do governo. Quando empresas fecham fábricas ou investidores vendem ativos físicos em uma região vista como um foco climático emergente, a comunidade local fica sem os empregos, o que pode eventualmente levar à degradação econômica. Iniciativas como a Justice40 são muito necessárias, mas não irão frear os efeitos da retirada de investimentos e da fuga de capital.

Então, o que o setor privado pode fazer? Para começar a confrontar e mitigar o papel dos investidores e das empresas na injustiça climática e ambiental, o setor privado precisará adotar algumas estratégias transformativas:

  • Parar de poluir, totalmente. Trabalhe para reduzir a poluição e emissões aos valores mínimos que são tecnologicamente factíveis durante a transição para uma economia de baixo carbono.

  • Parar de mover o capital das áreas de alto risco climático para as de baixo risco. Se a retirada de investimentos é absolutamente necessária, então invista na melhora de propriedades abandonadas e/ou ajude na retirada igualitária para empregados e para a comunidade como um todo.

  • Entender que os efeitos da mudança climática não são sentidos somente nos locais onde as pessoas moram, mas também no ambiente de trabalho e que a mudança climática será um fardo principalmente para as pessoas trabalhando em setores mais sensíveis a mudanças em padrões climáticos extremos.

  • Utilizar ferramentas de triagem de risco, como as que estão sendo desenvolvidas pelo programa Justice40, junto com ferramentas de triagem para identificação onde formar parcerias e investir na cadeia de valor.

  • Investir uma porcentagem das receitas nas comunidades mais vulneráveis que são ligadas direta ou indiretamente à cadeia de valores da empresa.

  • Encontrar um parceiro local para incorporar as comunidades da linha de frente em esforços voltados para a igualdade através de organizações como a Climate Justice Alliance. Aprender como as organizações locais, tais como a Partnership for Southern Equity, trabalham com as empresas com relação a este assunto.

  • Contratar pessoas locais e promover ações para funcionários, juntando-se a milhares de empresas que permitem que os colaboradores tenham ações da empresa através dos Planos de Compra de Ações para Funcionários.

  • Enquanto investidor, participar na Coalização para Investimentos Climáticos Resilientes ou Ação Climática 100+, um grupo de investidores e governos que ajuda a dirigir investimentos resilientes para as áreas mais vulneráveis do mundo.

O mundo ainda está longe de estar preparado para a mudança climática, mas com os maiores impactos relacionados ao clima se aproximando, é hora dos investidores começarem a explorar novas formas de investir nas comunidades das quais dependem hoje, ao invés de simplesmente abandoná-las.

O post O papel das empresas na perpetuação das desigualdades climáticas apareceu primeiro em Fast Company Brasil | O Futuro dos Negócios.

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