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Como a impressão 3D se tornou essencial na luta contra o coronavírus

Uma enfermeira segura zaragatoas nasais, também conhecidas como swabs, para realizar testes de coronavírus em Amsterdã, Holanda. Itens têm sido fabricados em impressoras 3D. Foto: Robin Utrecht/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

A pandemia de coronavírus, que já contaminou mais de meio milhão de pessoas e matou pelo menos 25 mil, causou um grande impacto na cadeia de abastecimento global depois da paralisação total na China. Para suprir a falta de equipamentos, laboratórios estão usando impressoras 3D para fabricá-los por conta própria.

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Com mais de 100 mil casos no país, os profissionais da saúde que trabalham na linha de frente enfrentam uma situação extrema, com falta de equipamentos de proteção pessoal (EPP) e equipamentos médicos.

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Por isso, a Northwell Health, maior prestadora de serviços de saúde de Nova York, decidiu tomar a frente e produzir zaragatoas nasais, também conhecidas como swabs, dispositivos necessários para se realizar o teste para COVID-19, em impressoras 3D.

“Primeiro, veio a escassez de kits, depois, os reagentes e, agora, as zaragatoas. Obviamente, não podemos imprimir os kits nem os reagentes em 3D”, explica Todd Goldstein, diretor de design e inovação da Northwell, ao Yahoo Finanças. “É difícil, todo mundo procura os mesmos materiais ao mesmo tempo”.

A Northwell projetou o aparelho e, em poucos dias, começou a usá-lo para testar os pacientes. Para verificar a precisão do material, os médicos usaram uma zaragatoa nasal industrial e uma impressa em 3D em cada paciente e enviaram as amostras ao laboratório para comparar os resultados. Na sexta-feira, os testes ficaram prontos: os dois tipos apresentaram resultados similares.

Com o alto risco de surto na região de Nova York, o instituto de pesquisa do hospital foi fechado, portanto, os testes pré-clínicos precisaram ser feitos pela University of South Florida, em Tampa.

O trabalho foi realizado em teleconferências, videochamadas e capturas de tela, e o swab nasal foi desenvolvido com impressoras da Formlabs.

Agora, segundo Goldstein, a Northwell pode produzir até 1.500 zaragatoas nasais por dia usando oito impressoras, e está oferecendo o código-fonte do produto de graça a qualquer hospital ou laboratório que tenha a mesma impressora.

“Estamos vivendo um momento inédito na história e em um nível de exposição sem precedentes no mundo todo. Somos parte de um sistema hospitalar, sabemos que precisamos nos unir”, afirma Goldstein. “Queremos disponibilizar essa tecnologia para que qualquer pessoa do país possa fazer o teste. O objetivo não é lucrar com o produto”.

Ele também conta que a Formlabs tem uma grande rede de impressoras em Ohio aprovadas pela FDA para imprimir dispositivos médicos que estão prontas para contribuir com a produção.

O Dr. Bon Ku, diretor do Health Design Lab da Thomas Jefferson University, na Filadélfia, se mostrou bastante interessado.

O médico, que trabalha na emergência, disse ao Yahoo Finanças que a comunidade de “inventores” está muito empolgada com todas essas impressoras 3D ociosas, e que o potencial de resolver problemas de escassez com eficiência é muito interessante.

“Vários materiais estão em falta, não só os equipamentos de proteção pessoal, mas também os aparelhos usados para testes. É excelente poder fabricar tudo isso de forma rápida e barata”, explica, observando que essa abordagem também resolveria o problema do alto custo que costuma acompanhar momentos de escassez.

Além disso, a FDA já emitiu orientações sobre os equipamentos médicos produzidos por impressão 3D, abrindo as portas para o aumento da produção.

“As entidades devem usar peças originais ou seguir as especificações de dimensões e desempenho, se houver. É possível usar impressoras 3D para imprimir alguns acessórios, componentes e peças, mas não produtos mais complexos (como bombas de água e eletrônicos). O ideal é usar o projeto das peças originais, sempre que disponíveis, e verificar se os produtos 3D se encaixam e funcionam bem antes de usá-los em hospitais. Recomendamos que as entidades que optem pela impressão 3D trabalhem com os respectivos fabricantes de dispositivos médicos”, diz o site da FDA.

Bon conta que já existe uma solução aprovada pela FDA para a escassez de respiradores: uma peça impressa usada para dividir um respirador, de modo que o aparelho forneça oxigênio para dois pacientes ao mesmo tempo. O médico não para de receber e-mails, ligações e mensagens com ideias e códigos para impressão 3D, que precisam ser analisados com cuidado, pois são todos de código aberto.

“É muito mais barato e, nesta situação, precisamos de tudo para ontem”, explica Bon, falando sobre equipamentos de proteção pessoal e outros itens necessários que podem ser impressos.

Ele também ressalta a importância de todos os laboratórios conversarem com médicos para fazer testes clínicos antes de usar os produtos nos pacientes. No entanto, conforme o vírus se dissemina, lotando os hospitais de todo o país, tempo pode ser um artigo de luxo.

“A situação é tão terrível que, se não houver outra opção, teremos que tomar medidas desesperadas e podemos chegar a utilizar tecnologias sem comprovação”, afirma Bon.

Anjalee Khemlani

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