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O melhor e o pior das partidas da Semana 10 da NFL

Dak Prescott teve uma atuação sensacional contra os Vikings (Tom Pennington/Getty Images)

Por Matt Harmon (@MattHarmon_BYB)

Muita coisa pode acontecer em um único domingo na NFL, e é difícil ficar a par de tudo. Mais do que isso, é complicado definir o que devemos ver como um sinal e o que devemos ignorar. A seguir, vou repassar tudo que aprendemos nesta semana e listar as cinco coisas da Semana 10 com as quais eu me importo, juntamente com cinco coisas diante das quais eu simplesmente não consigo reunir a energia emocional necessária para me importar. Uma boa notícia para você: Iremos fazer esse exercício após todos os domingos da temporada regular.

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5 coisas com as quais eu me importo

Cowboys são derrotados pelas suas próprias decisões

O que foi isso?

Se você não se perguntou isso quando os Cowboys decidiram apostar no jogo terrestre nas segunda e terceira descidas dentro da red zone quando estavam quatro pontos atrás dos Vikings no placar, com menos de dois minutos de jogo, você perdeu a cabeça. Aquela foi, talvez, a demonstração mais absurda da incapacidade de tomar boas decisões de toda a temporada.

Dak Prescott foi inacreditável na noite de domingo. Ele deu passes incríveis, um atrás do outro, para a grande variedade de recebedores. Amari Cooper teve 11 recepções em uma das suas melhores partidas com o uniforme dos Cowboys. Randall Cobb e Michael Gallup fizeram grandes jogadas em papéis complementares. Em uma noite em que Ezekiel Elliott teve, em média, 2,4 jardas por carregada, a verdade aparente por toda a temporada não poderia ter ficado mais clara:  Dak Prescott é o motor do ataque dos Cowboys.

Apesar de tudo isso, o Dallas preferiu correr com a bola duas vezes no que deveria ter sido a campanha vencedora da partida. Além de não trazerem resultados, as jogadas também queimaram o tempo que restava no relógio. O Dallas agiu como se estivesse na liderança no placar. Eles se comportaram como se realmente acreditassem que se Zeke chegasse às 20 carregadas – ou seja qual for a correlação mística da semana – eles ficariam com a vitória. Foi humilhante e imperdoável. Dak Prescott foi brilhante e eles o desperdiçaram.

Um erro tão doloroso e o fracasso em ler bem o momento não são aspectos que mudam muito o mundo do Fantasy Football. Prescott continua a demonstrar sua habilidade de elevar a equipe. Elliott vai se manter como o candidato capaz de liderar o grupo de running backs em toques toda semana.

Assim, o que vimos na Semana 10 vai agir como um lembrete assombroso para aqueles que acreditam que os Cowboys são verdadeiros concorrentes ao Super Bowl. Ficaremos com um pé atrás, incapazes de apostar nesse time da forma como ele está construído atualmente. Depois do que eles fizeram, num momento crucial, com um quarterback jogando muito futebol americano, será impossível não temer o momento seguinte em que as inclinações conservadoras da equipe lhe custarão outra partida.

Derrick Henry como o motor do ataque dos Titans

Os Titans são um time subestimado. Parece que discutem como se eles estivessem sempre entre os piores, mas isso nem sempre condiz com a realidade. Eles foram uma equipe tão entediante por boa parte do período de Marcus Mariota que ficou fácil esquecê-los. Isso começou a mudar nas últimas semanas, conforme a brisa fresca trazida por Ryan Tannehill agiu para nos lembrar de que há uma certa atratividade neste elenco.

Um dos pontos de construção de Tennessee é Derrick Henry. Quando a defesa e especialmente o pass rush podem se dedicar a caçar um oponente, o jogo assume o roteiro ideal para que os Titans apostem em Henry. Ele é o tipo de running back que fica cada vez melhor quanto mais sua equipe depende dele.

Ele ofereceu evidências desse fato com uma corrida de 68 jardas para um touchdown na segunda metade do jogo. Foi uma das duas viagens à end zone que ele fez no domingo. A defesa dos Chiefs é um problema, e Henry a explorou com autoridade.

Os apreciadores do Fantasy continuam a duvidar de Henry, mas essa estratégia não está funcionando. Agora, ele está no caminho para superar as 1.300 jardas e um número de dois dígitos de touchdowns. Ele é um bom jogador e um RB2 de alto nível no Fantasy, na pior das hipóteses. Quando Henry está jogando bem, os Titans podem ser uma equipe vibrante com um componente importante para grandes jogadas. Felizmente, ele tem jogado bem com frequência nesta temporada.

Rashard Higgins garante uma vitória para Cleveland

Rashard Higgins garantiu o touchdown que acabou levando à vitória dos Browns contra os Bills, que antes da partida estavam com 6-2 na temporada. Higgins foi necessário pois o receiver Antonio Callaway, que está em seu segundo ano na liga, estava inativo.

Higgins tem sido um caso curioso ao longo dos últimos meses. Depois de enfrentar uma lesão no começo da temporada, parecia que ele não ia mais conseguir recuperar a sua posição no lugar do ineficiente Callaway, mesmo com a química clara que demonstrou ter com Baker Mayfield no final de 2018. Até o coordenador ofensivo Todd Monken reconheceu isso e sugeriu que ele deveria se mover mais e encontrar seus caminhos pelo campo. Sim, esse é um tema a respeito do qual um coordenador ofensivo tem direito de opinar, mas este conflito merece ser analisado em outro momento.

Durante toda a última temporada, parecia que Mayfield precisava de um pouco de estabilidade. O ataque não tem ritmo, sincronia e química. Estes três aspectos estão presentes no arsenal de Higgins. Conforme os Browns tentam construir algo positivo para 2020, vale a pena entender se Higgins vai se tornar uma peça mais importante do ataque. Considerando que ele teve um papel fundamental nesta vitória muito necessária para os Browns, juntamente com a tendência dos treinadores de tomarem decisões com base em momentos de destaque de suas equipes na mídia, isso pode acontecer.

A atuação de Greg Olsen

Após uma atuação de 75 jardas e dois touchdowns na primeira partida de Kyle Allen como titular em 2019, Greg Olsen desapareceu. Entre as semanas 4 e 9, ele manteve uma média de apenas 22 jardas por jogo, com um índice de recepção de 52%. Ficou claro que Allen e o tight end veterano não estavam na mesma página. A situação era diametralmente oposta à conexão que Olsen compartilha com Cam Newton, que o levou à marca de 110 jardas na última partida em que o quarterback jogou nesta temporada.

Nós vimos uma versão diferente de Olsen em Green Bay. Ele anotou 98 jardas e foi o alvo de 10 jogadas, seu recorde da temporada. Muito do trabalho de Olsen veio nas campanhas finais do Carolina, enquanto a equipe tentava reverter a vantagem de oito pontos dos Packers no placar.

Ficou claro que Olsen ainda sabe jogar. Se analisarmos esse jogo juntamente com o que vimos no começo da temporada com Cam Newton e na primeira partida de Allen, Olsen ainda tem algo a oferecer. No entanto, é difícil ignorar a natureza de ‘trabalho em andamento’ da sua conexão com Allen. Além disso, foi difícil ignorar alguns dos olhares exasperados de Olsen quando os passes de Allen passaram longe da sua direção contra os Packers. Vale a pena questionar se ele deve voltar para a temporada de 2020 caso Cam Newton deixe o Carolina.

Darius Slayton

Chegou a hora de discutir se Darius Slayton é confiável. O receiver calouro teve outra boa performance, com 121 jardas e dois touchdowns em 10 recepções contra os Jets. Seu desempenho foi comparável ao de outros grandes jogos que ele fez contra os Lions e Vikings neste ano.

É fácil descrever o desempenho de Slayton, que foi escolhido na quinta rodada do draft, como obra do acaso que ocorre quando os Giants têm um jogador lesionado. No entanto, ele pode ser mais do que isso.

Slayton e o também calouro Daniel Jones claramente têm uma boa química. A sincronia de algumas das jogadas que eles fizeram contra o Detroit semanas atrás foi notavelmente suave. Isso também aconteceu contra os Jets no domingo. De forma ainda mais crucial, Slayton oferece uma nova dimensão entre os wide receivers dos Giants. New York estava com um ataque pouco intimidante com Golden Tate e Sterling Shepard no topo da tabela de jogadores. Slayton claramente se destaca como uma ameaça vertical de 1,88 m de altura.

Quarterbacks reservas costumam sentir um certo conforto ao jogar com jogadores com quem estão acostumados a treinar na equipe secundária. Esse conforto é ainda mais atrativo quando o jogador em questão oferece algo que os outros colegas do lançador reserva não são capazes de oferecer. É exatamente isso que Darius Slayton representa para Daniel Jones.

5 coisas com as quais eu não me importo

Lamar Jackson teve mais uma semana de destaque (Silas Walker/Getty Images)

Contra quem Lamar Jackson joga

Lamar Jackson é o jogador mais divertido de assistir em todo o planeta neste momento. Ele é simplesmente surreal. Tudo é possível quando ele encosta na bola. Não se pode negar a sua grandeza.

Se você está pronto para responder com “Mas ele jogou contra os Bengals”, contenha-se. Não seja ridículo.

Para começar, esta não é a primeira partida em que Jackson dominou o oponente. Acabamos de vê-lo derrotar os Patriots em todos os aspectos, uma semana atrás. Algumas das jogadas que ele fez contra os Bengals foram verdadeiramente especiais, independentemente do oponente.

A longa corrida para o touchdown quando ele passou por praticamente todos os defensores foi especial. O lançamento que levou ao touchdown que ele fez para Hollywood Brown, mesmo sob pressão no momento do passe, foi sensacional. Os defensores dos Bengals não seguram a e de repente pensam “Ah, nós somos os Bengals, não podemos fazer esta jogada”, quando estão perto de Jackson. Não importa se o concorrente era teoricamente fraco na Semana 10. Jackson está se tornando o rosto da temporada de 2019 por causa de jogadas como estas.

Ele forneceu ainda mais material para sua campanha rumo ao prêmio de MVP em 2019 com seu desempenho na Semana 10. Ele terá uma chance de superar Deshaun Watson oficialmente e de reduzir a vantagem de Russell Wilson quando enfrentar os Texans no seu próximo jogo.

A situação de Kirk Cousins

Foi um ótimo jogo para Kirk Cousins, pois ele dominou as estatísticas contra uma boa equipe em uma partida de primetime. Cousins completou 72% de seus passes, com um passer rating de 111,5 contra o Dallas, e ajudou seu time a garantir a vitória.

Ainda assim, não precisamos atualizar a situação de Cousins. Os que não gostam dele guardaram os tênis que haviam separado para dar sua volta da vitória desde que viram esta partida no calendário. Os que gostam dele estarão prontos para dizer “Eu sabia”. É claro que estes papéis foram invertidos na semana passada, quando os Vikings perderam para os Chiefs.

O fato de que esse jogo destoou do roteiro normal de Cousins não muda a realidade de quem ele é como jogador. O quarterback dos Vikings é um dos mais instáveis a atuar nesta posição, mas é capaz de fazer grandes jogadas para ajudar seu time a ganhar. No entanto, tudo parece se transformar em uma bola de neve quando os erros começam a se acumular, e ele precisa de uma certa ajuda de seus ótimos wide receivers.

A verdade é que, embora todos queiram julgar Cousins pela sua performance mais recente, precisamos manter todo o panorama em perspectiva. Ele tem seus defeitos, mas é um quarterback titular. Dizer “Ele é péssimo” é tão tolo quanto dizer “Ele é sensacional”. Cousins é o que é, mas com o quadro de jogadores que os Vikings têm atualmente, isso pode ser o suficiente para chegar aos playoffs.

O que pensávamos sobre Jon Gruden um ano atrás

Estamos quebrando um pouco as regras considerando que os Raiders jogaram na noite de quinta-feira, e não no domingo, mas vamos usar este momento para celebrar um time que está em alta. Embora o Oakland tenha assegurado uma grande vitória no começo da semana, eles ganharam um presente quando os Titans derrotaram os Chiefs no domingo. Agora, os Chiefs, que estão com 6-4 na temporada, estão muito perto dos 5-4 dos Raiders na AFC West. 

Se Patrick Mahomes continuar tendo um bom desempenho, os Chiefs seguirão como os favoritos, apesar de algumas falhas. No entanto, não podemos descartar a possibilidade de que os Raiders fiquem com o título da divisão.

A maior vantagem dos Raiders é a autoconsciência da equipe. Eles sabem exatamente quem são. A abordagem física old school que Jon Gruden prometeu trazer a Oakland se assentou. Com um running back de base no calouro Josh Jacobs e uma linha ofensiva forte que recebeu críticas negativas quando foi montada, os Raiders têm uma identidade.

A clareza geral da equipe e a melhora do desempenho dos jogadores coadjuvantes estão ajudando Derek Carr a estabilizar suas jogadas. Podemos considerá-lo uma versão melhorada do que Andy Dalton foi para os Bengals durante todos aqueles anos. Carr provou ser alguém capaz de fazer o que precisa ser feito quando tem alguma ajuda. Quando o elenco está abaixo da média, assim como Dalton, ele não é uma maré capaz de conduzir todos os navios.

Os Raiders jogam contra os Bengals e os Jets nas próximas duas semanas. Esse calendário não apenas pode fazer com que este ataque repentinamente sólido produza no Fantasy, mas também pode levar a equipe a acumular mais duas vitórias, contribuindo para o objetivo do Oakland de pressionar os Chiefs no topo da divisão.

Kyler Murray teve mais uma boa atuação contra os Bucs (Don Juan Moore/Getty Images)

A interceptação de Kyler Murray no final do jogo

Os Cardinals provavelmente teriam saído da partida fora de casa contra os Bucs com uma vitória se não fosse pelo passe excessivamente agressivo de Kyler Murray que levou a um turnover. Então, a equipe certamente se importa com isso. No entanto, eu não estou disposto a permitir que esta jogada azede a sequência de duas partidas em que a primeira escolha geral do draft fez um grande progresso.

Murray teve um excelente desempenho nas últimas duas semanas. Contra os 49ers, ele deu passes perfeitamente posicionados em rotas arrebatadoras. Ele também esteve incrível no passe de 88 jardas que resultou no touchdown de Andy Isabella. Para os haters, mesmo que tirássemos aquele passe do seu total, ele ainda teria um passer rating de 102,3. Aquela jogada não foi o que fez o seu dia.

O lançador dos Cardinals voltou à sua melhor forma jogando muito contra a defesa vulnerável dos Bucs, de acordo com o que esperaríamos de qualquer bom quarterback. Murray registrou 324 jardas com três touchdowns, e completou seu desempenho no jogo terrestre, com 38 jardas em três corridas. Sua conexão com Christian Kirk, receiver que está em seu segundo ano, ficou evidente. Ele alcançou o wideout três vezes, incluindo um lançamento profundo maravilhoso de 69 jardas.

Kirk parece ser uma escolha indiscutível no Fantasy daqui em diante. Ele é, de longe, a arma mais talentosa com a qual Murray pode trabalhar no momento, já que David Johnson está escorregando e Larry Fitzgerald não está mais jogando no mesmo nível que apresentou no início da temporada. Isso só faz torna o que o quarterback está fazendo ainda mais impressionante. Imagine o que Murray será capaz de fazer quando tiver um elenco ao seu redor.

O Arizona é um time mediano com um ataque mediano. Isso não parece ser muita coisa, mas já é um grande avanço em relação ao que eles eram no ano passado. Murray parece ser um jogador capaz de fazer a diferença que está apenas nos primeiros estágios da sua ascensão nos rankings da NFL.

As justificativas de Jared Goff

Sabemos que Jared Goff não costuma jogar muito bem fora de casa. É de conhecimento geral, a essa altura, que ele não é o mesmo quarterback quando está sob pressão. Diante da colisão destes dois fatores atrás de uma linha ofensiva que sofreu mudanças para a Semana 10, logo antes de enfrentar uma defesa dos Steelers pronta para caçar quarterbacks inimigos, muitos já previam um jogo lento.

Embora o estilo do jogo fosse previsível, o fato de que Jared Goff possa ter uma performance tão ruim é altamente problemático. Sua taxa de passes completos de 53,7% e suas 5,9 jardas por tentativa estão entre os piores números que ele apresentou em 2019. Sabíamos que isso poderia acontecer, mas ainda assim, não há desculpas para esta situação.

Muitos quarterbacks têm tendências variáveis. Até alguns dos melhores lançadores de 2019, logo atrás do pelotão de elite, como Dak Prescott, Matthew Stafford e Kirk Cousins, tiveram seus maus momentos. Goff não é o único a jogar mal em algumas partidas. O problema com o quarterback dos Rams é que suas fraquezas são tão bem definidas que é fácil explorá-las. Los Angeles não tem mais um elenco nota 10, e por isso, Goff não tem conseguido manter o ataque em alta, exceto quando está jogando contra uma defesa fraca.

Os Rams têm jogos fora de casa contra os Cowboys e os 49ers nas semanas 15 e 16. Como se sentir confortável projetando as jogadas e as posições da equipe para obter resultados positivos nestas partidas considerando o que sabemos sobre Goff nesse ecossistema? Os jogadores de Fantasy devem estar preocupados. Os Rams também.