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O método chinês contra a covid-19: códigos QR e "passaporte de saúde"

Sébastien RICCI
·3 minuto de leitura
Uma mulher usa seu telefone celular para ler um código QR para registro de saúde antes de entrar em uma pista de gelo ao ar livre em Pequim em 12 de janeiro de 2021

A China lançou um "passaporte de saúde" digital para reativar as viagens internacionais, um ano depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia da covid-19.

O primeiro país a ser atingido pelo vírus e a confinar sua população também foi um dos pioneiros na generalização do uso de códigos QR para controle de movimentos, identificação de casos de contato e isolamento de enfermos.

- Códigos QR -

Os chineses dificilmente escapam do ritual de escanear um código de barras com o celular com um aplicativo que entrega um passe "verde", sinônimo de boa saúde.

Este processo é necessário na entrada de um edifício, uma empresa ou um parque, assim como para embarcar em um avião, trem ou táxi.

Se uma pessoa está doente, seus casos de contato podem ser identificados rapidamente. Na China, os aplicativos de rastreamento anticovid estão diretamente associados a um número de identidade.

No celular, aparece um "código de saúde" colorido: verde (sem problemas), amarelo (obrigação de permanecer em quarentena em casa) ou vermelho (quarentena em local previsto para isso).

- Como funciona? -

Na China, há uma infinidade de aplicativos anticovid dependendo das cidades e regiões, mas nem todos eles coletam as mesmas informações.

O aplicativo do governo é baseado em dados de geolocalização fornecidos pelas operadoras e analisa os movimentos nos 14 dias anteriores.

Isso possibilita saber se um indivíduo esteve em uma área de alto risco ou se encontrou alguém com covid-19.

Outros aplicativos usam fontes diferentes, como reservas de passagens de trem ou avião.

- É obrigatório? -

O aplicativo de rastreamento não é obrigatório, mas, na prática, é quase impossível acessar um espaço público ou se locomover sem ele.

Em 2020, a imprensa noticiou o caso de um criminoso em fuga há 24 anos que acabou se entregando, já que era quase impossível se locomover sem um aplicativo ou celular.

Na China, as poucas pessoas sem telefone ou crianças pequenas recebem um código QR para pendurar no pescoço.

Durante uma verificação, as autoridades só precisam escanear para ter certeza de que não vem das chamadas áreas de risco.

- É eficaz? -

A China é atualmente um dos poucos países que recuperou um ritmo de vida quase normal devido, entre outras medidas, ao uso generalizado de máscaras e exames diagnósticos massivos.

“Sua eficácia se explica por tudo isso, não apenas pelo aplicativo”, diz à AFP Jean-Dominique Séval, especialista em economia digital chinesa e diretor da Soon Consulting.

O aplicativo possui histórico de exames diagnósticos e vacinas. E os metadados permitem identificar e isolar os doentes, o que "tranquiliza a todos", segundo Séval.

- Um modelo chinês? -

Com base em sua experiência no gerenciamento da epidemia, Pequim defende a adoção de um código universal de saúde em todo o mundo.

A China lançou um "passaporte de saúde" na segunda-feira para permitir a retomada das viagens ao exterior. Mas "o processo pode ser longo e complicado", já que é preciso antecipar acordos entre os países, avisa Séval.

O passaporte de saúde é projetado para mostrar e autenticar os dados de saúde do passageiro, como os testes para detectar a covid ou seu estado de vacinação.

O presidente chinês, Xi Jinping, propôs essa iniciativa em novembro, durante a cúpula do G20.

- Vida privada? -

A grande maioria dos chineses está satisfeita com o sistema de rastreamento. Os códigos QR já eram amplamente usados antes da epidemia para pagamentos com telefones celulares na China.

No entanto, a questão dos dados pessoais também surge no gigante asiático, aponta o especialista.

“Não podemos dizer que ele seja completamente um 'Big Brother'”, mas você também não pode fazer nada, avalia Séval.

Os códigos QR também são o "meio ideal de ataque para criminosos cibernéticos", adverte Roman Zaikin, especialista em segurança cibernética da CheckPoint.

sbr/tjc/es/ap