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O líder ideal é um mito do mundo corporativo

Foto: Getty

Por Eliete Oliveira*

“Empresas promovem profissionais a líderes pelas suas competências técnicas e demitem pelas comportamentais”. Esta é uma frase relativamente comum no universo corporativo e que determina um cenário que muitas organizações enfrentam.

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Não se discute que profissionais devem ter qualificações técnicas para ocupar um cargo de liderança. Porém, para se manter na posição, é preciso desenvolver algumas habilidades comportamentais específicas, afinal, aprender a lidar com pessoas é algo fundamental nestas posições.

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Mas ainda vivemos um cenário em que muitas empresas não investem em treinamento. Muitos acreditam, também, que a responsabilidade na qualificação profissional deva ser compartilhada, afinal, os profissionais precisam também investir na sua empregabilidade. Porém, a questão é que existem inúmeros estudos que afirmam a importância de se investir em pessoas e que, quando não realizado, isto pode afetar negativamente os resultados das empresas.

No atual cenário, o que percebemos são profissionais despreparados, que estavam acostumados a cumprir suas metas, entregar resultados com qualidade, atuar em equipe, mas que quando promovidos a líderes, não conseguem lidar com as inúmeras variáveis que a posição exige.

Não obstante, ainda observamos a existência de modelos de liderança ultrapassados, que seguem um padrão de comando e controle, com excesso de distanciamento, estruturas rígidas e baseadas em relações de autoridade e medo.

As organizações ainda precisam entender que estruturas muito rígidas e baseadas em lideranças opressoras, além de promoverem ambientes onde as pessoas são reprimidas, infelizes, influenciando diretamente no engajamento e produtividade, dificultam também a criatividade e consequentemente a inovação, ou seja, as empresas só perdem.

Liderar para inspirar é um desafio

Mas assim como na vida, as relações no mundo corporativo não são tão simples e não existe um modelo de líder ideal, pronto e embalado para ser consumido. Não existe uma fórmula, embora seja amplamente divulgada, tal como: líder inspirador = equipe motivada e resultados positivos.

Esses modelos, nos quais profissionais seguem padrões pré-definidos, podem não funcionar tão bem para equipes com diferentes temperamentos, nas quais é preciso compreender os diversos aspectos da motivação humana no trabalho como remuneração, reconhecimento e autorrealização, diferentes para cada um.

Peter Drucker, uma das maiores autoridades sobre gestão de pessoas, afirmava que é impossível determinar o modelo de líder ideal. Durante sua vida, Peter trabalhou com inúmeras pessoas, com características distintas e aprendeu sobre liderança com muitas delas, que não seguiam regras propostas pelos estudiosos no assunto.

Além disso, os atuais modelos de liderança estão sofrendo profundas transformações. Hoje, muito defendem que o que nos trouxe até aqui, desde os primórdios, foi a inteligência colaborativa. Neste sentido, tem-se apostado em lideranças horizontalizadas, mais participativas e compartilhadas, na quais as decisões são tomadas em conjunto.

Finalmente, o que as empresas e profissionais precisam perceber é que uma das habilidades mais importantes para um profissional se tornar um líder hoje é adaptabilidade, ou seja, a capacidade de se adaptar aos diversos cenários e desafios que as equipes apresentam. E que não existe uma fórmula única para isso.

*Eliete Oliveira é consultora de recolocação profissional e Top Voice do LinkedIn. No Yahoo Finanças, ela fala sobre carreira e os dilemas do mundo corporativo.