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O James Webb NÃO provou que o Big Bang é falso. Entenda a polêmica!

Artigos científicos sobre imagens recentes do telescópio James Webb deram certa abertura para fake news e teorias pseudocientíficas. Embora os cientistas não tenham culpa alguma, eles agora precisam rebater alegações de que as fotos do telescópio refutam o Big Bang. E isso simplesmente é falso!

Como o James Webb criou a polêmica

Recentemente, astrônomos ficaram confusos com algumas imagens de galáxias distantes feitas pelo Webb. Ao analisar a luz vermelha dos objetos, calcularam que elas estão muito mais distantes do que “deveriam”.

As distâncias das estrelas e galáxias são medidas com a “ajudinha” de um fenômeno chamado redshift (desvio para o vermelho, em português), causado pela expansão do universo. Quanto mais distante o objeto estiver, mais as ondas da luz emitida por ele são esticadas.

O comprimento das ondas de luz determina sua cor; quanto mais compridas, mais próximas estão do lado vermelho no espectro visível. O violeta, por outro lado, é a cor visível com ondas mais curtas. Próximo ao violeta, está o azul.

GLASS-z13 é uma das candidatas a galáxia mais distante já encontradas (Imagem: Naidu et al, P. Oesch, T. Treu, GLASS-JWST, NASA/CSA/ESA/STScI)
GLASS-z13 é uma das candidatas a galáxia mais distante já encontradas (Imagem: Naidu et al, P. Oesch, T. Treu, GLASS-JWST, NASA/CSA/ESA/STScI)

Quando a luz de objetos muito distantes — como galáxias — viaja durante muitos bilhões de anos para chegar até nós, suas ondas são esticadas à medida que o universo expande. Se a galáxia tem estrelas azuis, por exemplo, a cor será esticada até o outro lado do espectro visível, tornando-se vermelha, antes de chegar às lentes dos nossos telescópios.

Ao observar algumas galáxias fotografadas pelo James Webb, os cientistas encontraram os maiores redshifts já vistos em algumas delas. Por isso, elas estão disputando o título de galáxia mais distante já encontrada. O problema é que, segundo os cálculos, elas estariam mais longe do que os modelos atuais permitem.

De acordo com a cosmologia atual, que usa o Big Bang como referência para o início do universo, simplesmente não houve tempo para as galáxias terem evoluído tanto. Por exemplo, a galáxia CEERS-93316 foi anunciada com redshift 16,7, o que a coloca a apenas 250 milhões de anos após o Big Bang.

O Big Bang não existiu?

A primeira imagem de céu profundo do James Webb revela muitas galáxias vermelhas (Imagem: Reprodução/ESA/CSA/STScI)
A primeira imagem de céu profundo do James Webb revela muitas galáxias vermelhas (Imagem: Reprodução/ESA/CSA/STScI)

Com essas medições, alguns cientistas propuseram outras explicações para a luz vermelha, como nuvens de poeira tornando as galáxias avermelhadas, implicando que elas, na verdade, estão bem mais próximas do que se pensava antes.

Isso não é exatamente um problema ruim — é um desafio para os astrônomos resolverem. Eles devem descobrir se há algum erro nas medições de redshift ou se as galáxias estão realmente a essas distâncias. Neste último caso, os modelos cosmológicos precisam ser atualizados para comportar galáxias bem evoluídas apenas 250 milhões de anos após o Big Bang.

Entretanto, pseudo-pesquisadores usaram os artigos científicos publicados a respeito do assunto para espalhar falsas informações. Eric Lerner, por exemplo, usou um artigo publicado em pré-print em 19 de julho, e aceito para publicação no The Astrophysical Journal Letters, para afirmar que o Big Bang não existiu.

O texto de Lerner começa argumentando que os cosmólogos estão entrando em pânico com as novas imagens do Webb. Isso porque o título do artigo que ele cita começa com um trocadilho com a banda “Panic! At the disco” (Panic! At the Disks: First Rest-frame Optical Observations of Galaxy Structure at z>3 with JWST in the SMACS 0723 Field).

Lerner é um notório negacionista do Big Bang desde o final dos anos 1980 e defende uma ideia pseudocientífica, contra todas as evidências que fortalecem cada vez mais o Big Bang como um evento real. A mais concreta e indiscutível das evidências é a radiação cósmica de fundo, uma luz remanescente do Big Bang que os astrônomos podem observar hoje.

Uma representação do espaço-tempo desde o Big Bang até os tempos atuais (Imagem: Reprodução/NASA)
Uma representação do espaço-tempo desde o Big Bang até os tempos atuais (Imagem: Reprodução/NASA)

Após a publicação de um dos livros de Lerner, chamado The Big Never Happened (O Big Bang Nunca Aconteceu), físicos refutaram seus argumentos rapidamente. Em 2004, o físico e divulgador científico rebate um artigo de Lerner e o chamou de “maluco”.

Com a nova polêmica envolvendo o James Webb, os cientistas também foram rápidos em distanciar-se de Lerner e rebater seus argumentos, chamando-os de insustentáveis. Na verdade, Lerner tenta refutar o Big Bang com apontamentos que se referem à teoria da formação de galáxias, e não ao modelo do Big Bang.

Isso levou muitos físicos a chamar essa nova investida de “não qualificada” e “oportunista”. O problema, no entanto, é convencer o público conquistado por Lerner (e outros divulgadores de pseudociência) que ele está errado. Este é um trabalho árduo que os cientistas precisam fazer e, para isso, terão que conquistar a confiança dessas pessoas.

O que acontece é que, se as galáxias do James Webb estiverem realmente tão distantes, os astrônomos precisarão ajustar as restrições dos modelos atuais. Nesse caso, o que foi descoberto até o momento não é quadro completo — e está tudo bem. Seriam necessários mais dados para refinar as teorias e é assim que a ciência é construída.

Contudo, a abordagem de Lerner é completamente oposta ao método científico (daí o título de pseudociência). Ele busca por todos os meios convencer as pessoas que o Big Bang não existiu por convicções próprias e, para isso, usa de falácias e artifícios para tentar desqualificar os cosmólogos (que estudam a evolução do universo.

Combatendo a pseudociência

Mapeamento da radiação cósmica de fundo com diferenças minúsculas na temperatura (Imagem: Reprodução/NASA/ WMAP Science Team)
Mapeamento da radiação cósmica de fundo com diferenças minúsculas na temperatura (Imagem: Reprodução/NASA/ WMAP Science Team)

Nesse caso, a desinformação pode não ser tão prejudicial quanto as fake news conspiratórias sobre as vacinas, por exemplo. Mesmo assim, quando Lerner argumenta que os cosmólogos são financiados pelo governo para defender o Big Bang, cria-se uma desconfiança do público em relação à ciência séria.

Essa desconfiança é grave porque, quando assuntos mais sérios entram em pauta e cientistas são combatidos por oportunistas, danos maiores são causados à sociedade. Novamente, o maior exemplo recente são as mentiras propagadas sobre as vacinas da Covid-19, o que resultou em muitas mortes evitáveis.

Por isso é sempre válido reforças: qualquer alegação extraordinária exige evidências extraordinárias. Com o próprio Big Bang foi assim; ele só foi realmente aceito como teoria sólida após evidências concretas. Por isso, sempre procure as fontes das informações e recorra a outros cientistas sérios para saber quem mais concorda com as alegações.

Fonte: Canaltech

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