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O Homem Invisível estreia na Netflix; conheça o filme

Chega à Netflix nesta quarta-feira (14) o filme O Homem Invisível, um excelente longa de terror e suspense que foi completamente ofuscado pelo noticiário. A produção da Universal atualiza um dos clássicos do gênero e surpreendeu muita gente, mas passou despercebido por ter chegado aos cinemas semanas antes do início da pandemia da covid-19, no início de 2020.

Com isso, a estreia do filme no streaming é a oportunidade ideal de o longa ganhar uma nova chance com o público. Ainda mais porque ele traz camadas e discussões que vão muito além do susto e da tensão que o conto original de H. G. Wells.

Não por acaso, O Homem Invisível tem uma média superpositiva no Rotten Tomatoes. O site que agrega críticas de todo o mundo traz uma média de 92% de avaliações positivas da imprensa internacional e de 88% do público, o que só mostra o quanto a iniciativa de atualizar e modernizar o horror funcionou muito bem — apesar do péssimo timing.

Sobre o que é O Homem Invisível

A história de O Homem Invisível parte do mesmo ponto do conto de Wells, publicado originalmente em 1897. Isso significa que ainda temos a figura desse indivíduo que se torna invisível e passa a usar de sua nova condição para fazer coisas que normalmente não faria caso estivesse sendo visto por outras pessoas. A diferença, contudo, foi o contexto adotado pelo longa.

A nova trama é centrada na figura de Cecilia (Elisabeth Moss), uma jovem que acabou de sair de um relacionamento tóxico e que passa a vivenciar alguns eventos supostamente paranormais após a morte do ex-namorado. Só que, ao invés de acreditar que aquilo é obra do sobrenatural ou qualquer coisa que o valha, ela tem certeza: seu ex, de alguma forma, está invisível e pronto para atormentá-la.

Filme brinca com a sanidade da personagem para tratar de questões reais (Imagem: Divulgação/Universal Pictures)
Filme brinca com a sanidade da personagem para tratar de questões reais (Imagem: Divulgação/Universal Pictures)

Bem, e não é spoiler nenhum dizer que o tal fantasma é realmente o ex-namorado que, de alguma forma, conseguiu ficar invisível — afinal, esse é o título do filme. Assim, sabendo da impunidade, ele parte para fazer da vida de Cecilia um inferno

E, por mais que as coisas comecem a escalonar e as bizarrices fiquem cada vez mais grotescas, ninguém parece estar disposto a acreditar na história da moça — o que a obriga a resolver o problema sozinha.

Por que assistir a O Homem Invisível

O primeiro acerto de O Homem Invisível é justamente o tom adotado. Embora seja uma história bastante clássica e que já ganhou diversas adaptações no cinema, a ideia de levar a trama na jovem que é atormentada pelo ex-namorado invisível funciona muito bem dentro desse clima de tensão e horror mais psicológico.

Por boa parte da história, a gente realmente não sabe se ela está falando a verdade ou se essa ameaça invisível é mesmo um delírio, como boa parte dos personagens acreditam. E, ainda que a revelação da verdade se torne algo previsível, o modo como tudo isso é construído para criar esse clima tenso faz com que o público fique na ponta do sofá querendo saber o que vai acontecer.

Filme constrói sua tensão ao não deixar claro o que é real e o que é delírio (Imagem: Reprodução/Universal Pictures)
Filme constrói sua tensão ao não deixar claro o que é real e o que é delírio (Imagem: Reprodução/Universal Pictures)

Só que, para além disso, há toda uma carga simbólica por trás de toda essa história e que com a qual o roteiro brinca muito bem. No fim das contas, O Homem Invisível é uma grande alegoria sobre violência doméstica, relações abusivas e algumas violências que mulheres diariamente passam na sociedade — sobretudo em ter seus relatos desacreditados.

Tudo isso é muito bem costurado com esse conto de horror no modo como as pessoas veem Cecilia. Apesar de ela descrever e apresentar provas de que há algo muito errado acontecendo à sua volta, as pessoas não levam a sério suas denúncias e a tratam apenas como mais uma maluca. Isso até que as consequências reais dessa negligência e descaso começam a aparecer.

Isso faz com que o filme tenha uma mensagem muito forte que torna toda a tensão ainda mais evidente. E é algo que dialoga muito bem com aquilo que H. G. Wells propunha quando publicou O Homem Invisível pela primeira vez e questionou a falta de freios morais do homem quando se via livre do monitoramento da sociedade.

Dessa forma, O Homem Invisível é um filme muito poderoso, mas que foi engolido pelo terror real da pandemia. O longa chegou aos cinemas em 27 de fevereiro de 2020, algumas semanas antes do início da pandemia e das medidas restritivas em todo o mundo. Assim, seu lançamento na Netflix é uma ótima forma de dar nova vida a esse clássico moderno.

Fonte: Canaltech

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