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'O Conselho Federal de Medicina precisa sair do anacronismo', diz executiva do São Camilo

Lucas Carvalho
·3 minutos de leitura

A telemedicina experimentou um avanço inédito no Brasil em 2020, tudo graças à pandemia de covid-19 que estimulou redes de saúde a implementar soluções de atendimento pela internet. Mas se mudanças jurídicas não forem implementadas, esse avanço pode ser perdido com o fim da crise de coronavírus.

Segundo Aline Thomaz Soares, gerente médica na Rede São Camilo de São Paulo, duas barreiras impedem a implementação da telemedicina como padrão no Brasil: o governo e o Conselho Federal de Medicina. De acordo com ela, o que temos hoje é um apregoado de permissões que não garante segurança jurídica para o atendimento à distância no longo prazo.

"O Conselho Federal de Medicina tem que sair desse anacronismo dele", diz Aline. A executiva é uma das convidadas do mais recente episódio da nova temporada de Líderes, programa original do Yahoo Finanças que coloca frente a frente executivos das principais empresas do Brasil e do mundo para discutir negócios, inovação, empreendedorismo e responsabilidade social.

Episódios anteriores

Neste episódio, Aline e o CEO da Hi Technologies, Marcus Figueredo, discutem por que é tão complicado aplicar tecnologia na área de saúde no Brasil, por que a telemedicina demorou tanto para emplacar no país e o que o futuro reserva para o setor.

"O CFM tem o poder legislador para a classe médica e é ameaçador, a ponto de haver ameaças com as perícias", diz Aline. "Olha, se você fizer uma teleperícia, você vai ser preso, você vai ser colocado na pior posição profissional possível", é o que dizem membros do CFM, segundo a executiva do São Camilo.

Para Aline, a "velha guarda" da medicina ainda impede que a inovação transforme as maneiras de se realizar atendimentos médicos no Brasil e só um choque de gestão – inclusive de gestão financeira – pode mudar o cenário no médio ou longo prazo.

"No dia em que nós tivermos uma relação mais clara [entre o prestador do serviço e o tomador do serviço de saúde], tudo isso vai cair por terra, porque se a gente olhar a premissa, que é o indivíduo, não tem o que ser discutido", diz Aline. "É um indivíduo sendo cuidado por outro. O problema é a relação entre esses dois, e aí é a relação econômica que quebra tudo isso."

Quem é Aline Thomaz Suares

Aline Thomaz, gerente médica da rede São Camilo (Foto: Divulgação)
Aline Thomaz, gerente médica da rede São Camilo (Foto: Divulgação)

Formada em medicina pela Universidade Federal de Goiás, Aline é gestora dos pronto-socorros clínicos da rede, além das equipes clínicas de geriatria. Ela também é professora da Faculdade de Medicina São Camilo.

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