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O complexo caminho da Pfizer na busca por uma vacina contra o coronavírus

Foto: Spencer Platt/Getty Images

O projeto de vacina contra o coronavírus desenvolvido pela Pfizer já está sendo testado em humanos, com diferentes opções e dosagens, e provavelmente poderá ser usado antes do esperado. Mas até levar essa vacina para o uso em massa, a companhia enfrentará um complicado caminho.

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Um executivo de alto nível contou ao Yahoo Finance que o projeto foi criado com uma tecnologia totalmente inovadora. Por isso, a empresa precisará se adaptar a uma nova cadeia de abastecimento para poder implementar o tratamento.

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A Pfizer é uma das maiores produtoras de vacinas do mundo e foi a primeira grande empresa a chegar aos ensaios clínicos nos Estados Unidos. Essa notícia gerou muito otimismo em relação à capacidade de controlar o surto de coronavírus, que já infectou aproximadamente 4 milhões de pessoas no planeta.

A Pfizer está usando RNA mensageiro, uma abordagem similar à da concorrente Moderna, que conseguiu chegar aos ensaios clínicos em tempo recorde em março. Várias empresas, inclusive a gigante Johnson & Johnson, estão em uma corrida para desenvolver a cura da covid-19.

A Moderna, que é uma empresa pequena, anunciou uma parceria para poder aumentar a produção e disponibilizar até 1 bilhão de doses no mercado quando a vacina estiver pronta. Já a Pfizer, que está muito bem posicionada no setor como grande produtora de vacinas, tem um alcance maior e pode usar seus próprios recursos para atender à demanda esperada.

Philip Dormitzer, diretor científico de vacinas contra vírus da Pfizer, explicou ao Yahoo Finance que o uso da nova tecnologia de mRNA “complica as coisas”, mas a gigante farmacêutica pretende enfrentar os desafios com inovação e expertise.

“Os maiores desafios são os elementos da tecnologia e a sua adaptação à nova doença”, comenta ele, explicando que as agências regulatórias serão especialmente cautelosas para garantir que as vacinas estejam aptas para o público.

“As agências regulatórias querem garantir a segurança das vacinas e da tecnologia utilizada”, conta Dormitzer.

Em agosto de 2018, a Pfizer fez uma parceria com a BioNTech para produzir uma vacina contra a gripe com base nessa nova tecnologia. Quando o sequenciamento do novo coronavírus foi divulgado pela China em janeiro, as empresas mudaram o foco.

Normalmente, para desenvolver uma vacina, é necessário usar uma parte do vírus ou uma versão atenuada dele. Já com o mRNA, a imunização acontece graças a um conjunto de instruções encapsulado em um lipídio, como se fosse uma bolha de gordura ou óleo, injetado no músculo do paciente.

Dormitzer comenta que, diferentemente da pandemia de gripe de 2009, no caso do surto de coronavírus não existe uma vacina que possa ser usada para desenvolver variações. Como a tecnologia nunca foi testada, ninguém sabe ao certo quanto tempo isso vai levar.

A BioNTech já tem capacidade de produção na Alemanha, e a Pfizer está ampliando os recursos de fabricação nos Estados Unidos, mas o produto exige recipientes especiais.

"A vacina consiste em um RNA e um lipídio, então precisamos produzir cada parte dela, e o lipídio é a mais difícil”, explica Dormitzer.

No entanto, ele considera que, no geral, o processo é bastante eficiente, mesmo no caso dos lipídios.

Acontece que, para satisfazer a demanda de centenas de milhões de doses, mesmo com um sistema de fabricação reforçado, “é necessário ter a infraestrutura para produzir milhões de frascos e ter acesso a toda essa quantidade de seringas, e isso continua sendo um desafio, mesmo com a eficiência da produção da vacina em si”, completa Dormitzer.

Anjalee Khemlani

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