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O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (24/12/2019)

Patrícia Gnipper

Então é Natal, e o que você… ops, calma, que o Natal é só amanhã! E, nesta véspera natalina, o Canaltech traz mais um resumo com o que aconteceu de mais relevante no universo da ciência, em especial da astronomia, na última semana. Vamos lá, porque a ceia não vai se preparar sozinha!

Descoberto mais um ciclone em Júpiter

(Foto: NASA)

A sonda Juno acaba de descobrir um novo ciclone no polo sul de Júpiter. A descoberta foi acidental, quando a nave, na verdade, estava realizando uma manobra arriscada enquanto tentava desviar da sombra do gigante gasoso.

É que, equipada com painéis solares, a sonda arriscava ficar sem energia com a passagem pela sombra do planeta, atravessando uma extensa área sem luz solar. Apesar do medo de que a Juno chegasse ao outro lado totalmente congelada, os cientistas da NASA usaram a criatividade combinada a pensamento analítico para driblar a situação.

O sétimo ciclone encontrado no polo sul joviano mudou o formato das nuvens da região — o que antes era um pentágono agora forma um hexágono. O ciclone em questão tem mais ou menos o tamanho do estado do Texas, mas ele ainda pode crescer muito mais. Os ventos ali têm velocidade média de 362 km/h e a descoberta ajudará a ciência a entender ainda melhor a atmosfera tanto de Júpiter, quanto de outros gigantes gasosos, como Saturno, Urano e Netuno.

Estrela e planeta batizados por brasileiros

(Imagem: IAU)

O Brasil participou da campanha NameExoWorlds, da União Astronômica Internacional, e nosso país escolheu Tupi e Guarani como os novos nomes oficiais da estrela HD 23079 e seu exoplaneta HD 23079 b. Eles estão a 110 anos-luz de nós, na constelação do Retículo, e não são visíveis a olho nu, infelizmente.

Guarani tem entre 2 e 3 vezes a massa de Júpiter e leva 731 dias para dar uma volta completa ao redor de Tupi. Apesar de estar na chamada zona habitável de sua estrela, o exoplaneta não é capaz de abrigar nenhum tipo de vida, pois é um gigante gasoso. No entanto, é possível que existam luas rochosas ao seu redor — essas sim candidatas à habitabilidade.

Rover chinês bate recorde na Lua

(Imagem: CNSA/CLEP)

Como parte da missão Chang'e 4, que explora o lado afastado da Lua, o rover chinês Yutu-2 acaba de bater um novo recorde: ele já está operando há mais de 11 meses, durando mais tempo do que o recordista anterior — o rover soviético Lunokhod 1, que "viveu" por pouco mais de 10 meses.

Yutu-2 já percorreu cerca de 345 metros, e ainda tem, literalmente, muito chão pela frente, pois sua missão não tem data para acabar. O primeiro rover Yutu chegou à Lua em dezembro de 2013, mas parou de se locomover após a segunda noite lunar (cada noite lunar dura cerca de duas semanas terrestres). Contudo, ele continuou enviando dados, encerrando suas atividades em julho de 2016.

Asteroide gigante vai passar perto da Terra

Por volta das 4h54 (horário de Brasília) de quinta-feira (26), um asteroide gigante vai passar relativamente perto da Terra. O objeto 310442 (2000 CH59) tem diâmetro entre 280 e 620 metros e viaja a uma velocidade de 44.256 km/h — mas, calma, pois este não será o último Natal que poderemos comemorar, pois o asteroide, apesar de ser considerado como um objeto potencialmente perigoso, nesta passagem não representa risco algum à Terra. Ufa!

Primeiro voo da Starliner: sucesso e fiasco ao mesmo tempo

(Imagem: Boeing)

O aguardado primeiro voo da nave Starliner, da Boeing, encomendado pela NASA, foi um sucesso e um fracasso ao mesmo tempo. É que, apesar de um lançamento bem sucedido, a nave sofreu uma anomalia durante o voo, e por conta disso não seria possível chegar a seu destino — a Estação Espacial Internacional. Contudo, enquanto esteve em órbita, Boeing e NASA puderam realizar uma série de testes mesmo com a missão tendo duração mais curta do que o desejado.

Agora, a nave será reformada enquanto são feitos os preparativos para sua segunda missão oficial, que será tripulada pela primeira vez.

Feliz Natal, diretamente do espaço!

Em 1968, a humanidade celebrou o Natal de maneira inédita: vendo a Terra do espaço ao vivo pela TV. Três pessoas entraram para a história ao proporcionar ao mundo todo a primeira experiência de ver nosso planeta a partir do ponto de vista da Lua — e estamos falando dos astronautas Frank Borman, Jim Lovell e Bill Anders, membros da Apollo 8.

Esta missão da NASA foi a primeira a levar astronautas à órbita lunar. O trio deu 10 voltas ao redor da Lua no dia 24 de dezembro daquele ano, com a experiência sendo transmitida na véspera de Natal ao mundo todo. Enquanto a nave orbitava nosso satélite natural, os tripulantes filmavam e fotografavam tanto a superfície lunar, quanto nosso planeta visto de lá, e revezaram a leitura do Livro de Gênesis durante a transmissão.

No dia 25, em pleno Natal, a nave ligou seus motores para iniciar o retorno ao lar, o que aconteceu dois dias depois — com os astronautas sendo recebidos com título de heróis.

Fonte: Canaltech

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