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O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (26/11/2019)

Patrícia Gnipper

Olha ela aí: a terça-feira! E por que esse é um dia tão aguardado aqui no Canaltech? É que, toda terça, a gente prepara um "resumão" das principais notícias científicas que rolaram na última semana. Assim, quem não tem tempo para acompanhar o noticiário, como gostaria, fica bem informado sem perder muito tempo!

Satélites de Elon Musk já atrapalham observações noturnas

O céu acima do Observatório Interamericano de Cerro Tololo mostrando rastro da passagem de satélites Starlink (Foto: Clarae Martínez-Vázquez)

O CEO da SpaceX e idealizador do projeto Starlink garantiu que sua constelação de satélites de internet não interferiria nas observações do céu noturno feitas por telescópios terrestres — mas é exatamente isso o que já está acontecendo, mesmo com apenas cerca de 120 unidades lançadas (o total prevê até 42 mil satélites).

Logo após o lançamento do segundo lote com 60 satélites Starlink, astrônomos já começaram a divulgar imagens do céu noturno mostrando a passagem dos equipamentos de Musk e, assim, provando que a constelação atrapalha, sim, suas observações. Temos cerca de 3 mil satélites ativos orbitando a Terra, e astrônomos usam técnicas para burlar seus rastros no céu; contudo, com tantos satélites a mais lançados em um intervalo de tempo tão curto, cientistas garantem que interferências cada vez mais impactantes acontecerão nas futuras observações feitas por meio de telescópios terrestres.

Minifígado funcional impresso em 3D

Cientistas da USP desenvolveram um minifígado funcional com técnicas de impressão 3D. O órgão foi capaz de exercer as funções típicas do fígado, como produção de proteínas e secreção e armazenamento de substâncias — tudo a partir de células sanguíneas humanas.

Com a técnica dos brasileiros, foi possível produzir tecido hepático em laboratório em apenas 90 dias, o que pode, no futuro, viabilizar alternativas para os transplantes de órgãos. Embora a invenção tenha se limitado à produção de fígados em miniatura, a equipe já vislumbra a possibilidade de produzir órgãos em tamanho real no futuro.

Protótipo do novo foguete da SpaceX explode durante teste


Um novo protótipo do poderoso foguete Starship, que vem sendo desenvolvido pela SpaceX para transportar uma grande quantidade de cargas e pessoas a destinos como Lua e Marte, explodiu em partes durante um teste na semana passada.

Elon Musk, meses atrás, revelou que uma versão final do Starship poderia começar a voar a baixas altitudes já nos próximos meses, com uma versão mais poderosa atingindo a órbita da Terra em seis meses. Contudo, este cronograma pode ser revisto após o incidente, e ainda não se sabe ao certo quando uma primeira versão oficial do Starship será lançada.

Nave indiana que tentou pousar na Lua teve falha durante frenagem

Conceito do lander Vikram, que se chocou contra a superfície lunar em setembro (Imagem: ISRO)

Enfim, a Índia confirmou que o lander Vikram, da missão Chandrayaan-2, acabou se chocando contra a superfície lunar durante sua tentativa de pouso em setembro. O Ministro de Estado do Departamento de Espaço do país declarou que o problema aconteceu com os propulsores de frenagem da nave, justamente os responsáveis por reduzir a velocidade durante a descida. Ele reconhece que o lander atingiu a superfície em alta velocidade, algo "além de sua capacidade de sobrevivência".

Contudo, o país não desistiu de seus planos de se tornar a quarta nação a pousar uma nave na Lua: a Índia lançará a missão Chandrayaan-3 em novembro de 2020, que levará um novo rover para lá e tentará realizar a missão exploratória que deveria estar acontecendo agora, se o acidente não tivesse acontecido. Vale lembrar que a Chandrayaan-2 não é um fracasso por conta disso: a missão também lançou uma sonda orbital, que segue firme e forte ao redor da Lua.

Uma quinta força da natureza?

Acredita-se que o universo se mantém "colado" graças à ação de quatro forças fundamentais da natureza: a gravidade, o eletromagnetismo, e duas interações nucleares. Contudo, físicos acreditam terem encontrado indícios do que pode vir a ser uma quinta força do tipo. Eles teriam descoberto uma nova partícula que chamaram de X17, esta que seria responsável pela suposta quinta força da natureza.

O estudo, contudo, ainda não foi revisado por pares e, por isso, não foi publicado em algum periódico científico. No entanto, se essa quinta força da natureza não for apenas uma ilusão causada pelo método experimental adotado pelos cientistas, a descoberta pode fornecer respostas para mistérios do universo, como é o caso da matéria escura.

Rara chuva de meteoros aconteceu na sexta-feira (22)

A chuva de meteoros Alfa Monocerotídeas é um fenômeno um tanto quanto raro de acontecer, mas pôde ser vista na úlitma sexta-feira (22) — ainda que tenha sido mais fraca do que o previsto.

Uma dúzia de meteoros foram registrados pela Sociedade Americana de Meteoros nos 20 minutos de maior atividade do fenômeno. Esta chuva acontece todo ano em novembro, mas é raro que ela gere "estrelas cadentes" no céu. Atividades mais intensas da Alfa Monocerotídeas foram registradas em 1925, 1935, 1985 e 1995.

Insetos em Marte? Não, o nome disso é pareidolia

Que viagem, cara... (Imagem: William Romoser)

Está acontecendo de novo: estão afirmando por aí que dá para identificar seres vivos, como insetos e répteis, em fotos de Marte tiradas por rovers da NASA. No entanto, mais uma vez tudo não passa de um fenômeno chamado pareidolia — quando identificamos padrões em um cenário e acabamos enxergando coisas familiares ali, mais ou menos como quando vemos nuvens formarem figuras conhecidas, como corações e animais.

Um professor de arbovirologia da Universidade de Ohio foi o mais recente a reviver essa questão, que já foi derrubada pela ciência em outras ocasiões. Ele apresentou em uma convenção de entomologia "provas" de que fotos de Marte mostram fósseis e até mesmo animais ainda vivos por lá — porém, as fotos foram tiradas de contexto e não traziam nenhuma escala para se ter noção das dimensões dos itens que ele acreditou se tratar de animais.

Depois da repercussão negativa que a declaração do professor causou na comunidade científica, a Universidade de Ohio apagou de seu site o artigo com o estudo em questão.

Fonte: Canaltech

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