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O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (16/06/2020)

Patrícia Gnipper

Chegou o dia da semana em que o Canaltech resume as principais notícias científicas dos últimos dias, em especial nas áreas da saúde e da astronomia. Assim, você que gosta de ficar bem informado, mas tem pouco tempo para ler o noticiário no dia a dia, fica por dentro de tudo o que importa — e em poucos minutos de leitura!

Nave da Boeing vai à ISS em novembro

(Imagem: Boeing)

Depois de não conseguir chegar a seu destino em dezembro de 2019, a nave Starliner, da Boeing, tentará mais uma vez alcançar a Estação Espacial Internacional (ISS) em um voo não tripulado, previsto para novembro deste ano. A empresa faz parte do programa da NASA que selecionou companhias privadas para desenvolverem novas espaçonaves tripuláveis capazes de transportar astronautas norte-americanos à ISS — a outra empresa é a SpaceX com sua nave Crew Dragon, que levou dois astronautas estadunidenses à estação orbital no final de maio.

A Boeing, portanto, tem uma nova chance de provar que sua tecnologia funciona e é segura para tal. Caso este próximo voo sem pessoas a bordo seja um sucesso, um voo tripulado de teste acontecerá em abril de 2021.

E por falar nos astronautas que voaram com a Crew Dragon...

(Foto: NASA)

Até poucos dias atrás, ainda não se sabia quanto tempo os astronautas Doug Hurley e Bob Behnken ficariam na ISS. Na verdade, a data exata desse retorno ainda não foi marcada, mas a NASA revelou que isso deve acontecer entre o fim de julho e o início de agosto.

A dupla se envolverá em caminhadas espaciais do lado de fora da ISS para substituir baterias que alimentam a estação. Somente depois de essas tarefas serem executadas com sucesso é que os astronautas serão liberados para voltarem à Terra. Vale ressaltar que a Crew Dragon foi certificada para permanecer no espaço por até quatro meses, tempo em que há a garantia de preservação de suas matrizes solares, que geram energia para seu funcionamento.

Lançamento do telescópio James Webb adiado mais uma vez

O telescópio espacial James Webb deveria ter sido lançado há quase uma década. A última previsão para que isso acontecesse era março de 2021, mas a NASA precisou postergar seu lançamento mais uma vez — agora, por conta da pandemia de COVID-19. Thomas Zurbuchen, chefe de programas científicos da agência espacial, foi enfático ao dizer que "absolutamente nós não lançaremos [o telescópio] em março" do próximo ano. Ele também explicou que “a equipe fez de tudo na maior velocidade possível, mas nós perdemos tempo. Não era possível trabalhar em dois turnos por causa da pandemia, pois nem todo mundo estava disponível. Existiam casos positivos aqui e ali e, portanto, só era possível trabalhar em um turno”.

O desenvolvimento do James Webb já envolveu aproximadamente US$ 10 bilhões, sendo este o sucessor do Hubble, que recentemente completou 30 anos de atividade. Ele será o principal observatório mundial de ciências espaciais da próxima década, com potencial de resolver muito mais mistérios do Sistema Solar e descobrir mundos distantes ao redor de outras estrelas — muito mais do que o já aposentado Kepler foi capaz de fazer.

Fase beta do projeto Starlink começa em breve

(Foto: SpaceX)

Após o lançamento mais recente de satélites Starlink, que aconteceu no sábado (13), a SpaceX revelou que a oferta do serviço de internet banda larga de alta velocidade e baixa latência começará em breve em fase beta. Testes privados começarão no final deste verão norte-americano, ou seja, no fim do nosso inverno, com os testes públicos sendo iniciados pouco tempo depois.

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A partir de agora, você acompanha as principais informações sobre a pandemia do novo coronavírus.

Contaminação pode ter começado antes de dezembro

(Foto: Eugene Hoshiko/AP Photo)

Estima-se que a disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) tenha começado na China em dezembro de 2019, mas, segundo uma nova pesquisa, isso pode ter acontecido meses antes — em agosto, na verdade.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores fizeram análises de dados obtidos por satélites mostrando estacionamentos próximos de hospitais da cidade de Wuhan, comparando-os com dados do Baidu (o principal mecanismo de busca usado na China) envolvendo pesquisas por sintomas como "tosse" ou "diarreia". Além do aumento das buscas online por esses sintomas, houve um crescimento considerável no tráfego hospitalar em agosto do ano passado, quatro meses antes de o vírus começar a ser relacionado ao mercado de frutos do mar de Wuhan, dando os primeiros passos para a pandemia.

Segundo os pesquisadores, o aumento aconteceu em pesquisas sobre diarreia, o que não havia sido constatado em surtos de gripe anteriores. Portanto, isso indica um sintoma bem específico da COVID-19 que, hoje, não é mais novidade. Contudo, a pesquisa ainda precisa ser revisada, seguindo padrões do processo científico, para ser validada. Enquanto isso, não há como afirmar que o vírus realmente surgiu em agosto de 2019.

Vacina em spray nasal sendo testada pela USP

(Foto: reprodução/ Governo de São Paulo)

A Universidade de São Paulo (USP) está testando uma vacina contra a COVID-19 que é aplicada através de um spray nasal. A equipe desenvolveu uma nanopartícula capaz de carregar uma proteína identificadora do novo coronavírus. Com a vacina sendo aplicada nas narinas do paciente, seu organismo se torna capaz de produzir anticorpos contra o coronavírus a partir da ação dessas nanopartículas — isto é, caso a vacina se mostre efetiva.

Além de inibir a entrada do patógeno nas células, a vacina também deve ser capaz de impedir a colonização deles no local da aplicação. Essa nanopartícula possui uma propriedade que é muco-adesiva e permite que o material permaneça nas narinas dos pacientes de 3 a 4 horas, até ser completamente absorvido pelo organismo e ativar a resposta imune. Isso impede que o antígeno seja expelido do organismo do paciente através de espirros.

Os protótipos da vacina em spray nasal devem ficar prontos em três meses, quando testes em camundongos serão iniciados. Os pesquisadores estimam que, caso a vacina seja realmente eficaz e chegue ao mercado, o produto será repassado ao público a um custo de R$ 100.

Instituto Butantan participará de produção de vacina com laboratório chinês

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou que o Instituto Butantan será parceiro de um laboratório chinês para a produção de uma vacina contra COVID-19 que já está em fase final de testes. A chinesa Sinovach Biotech obteve autorização para começar testes em humanos em abril, e estudos indicam que a vacina estará disponível no primeiro semestre de 2021.

FDA suspende tratamento com hidroxicloroquina contra COVID-19

O órgão estadunidense equivalente à Anvisa do Brasil decidiu suspender o uso de hidroxicloroquina e cloroquina para o tratamento de COVID-19 no país. O FDA alega que não é mais razoável acreditar que o produto possa ser efetivo tanto no tratamento quanto na prevenção da doença, e explica não ser mais possível considerar que os potenciais benefícios do remédio superam os possíveis riscos do seu uso.

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Fonte: Canaltech