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O céu (não) é o limite | Lagos em Marte, explosão da SpaceX e muito mais!

Patrícia Gnipper
·8 minutos de leitura

A coluna semanal em que resumimos as principais notícias científicas da semana está mudando! A partir de agora, passaremos a destacar, logo no título, as notícias mais bombásticas da vez, e você vai acompanhar a seleção de "causos" por ordem de "bomba" — começando pela mais explosiva do momento. Também a partir de agora, deixamos de incluir o que está rolando na área da saúde, focando nos setores da astronomia e de meio-ambiente, em especial.

Vamos lá? Vamos lá!

Existem mais lagos subterrâneos em Marte

Já sabíamos, desde 2018, que existia água líquida abaixo de camadas de gelo no polo sul de Marte. Agora, a equipe da ESA envolvida naquela descoberta fez novas análises na mesma região, não apenas confirmando o divulgado dois anos atrás, como ainda revelando que existem pelo menos três lagos subglaciais na calota polar sul do Planeta Vermelho.

Os dados foram obtidos pela sonda Mars Express, que orbita Marte desde 2003, mostrando que a água líquida marciana fica localizada a 1,5 km da superfície, e provavelmente é extremamente salgada, a ponto de se manter em estado líquido mesmo em temperaturas tão baixas. E não pense que isso é impossível: aqui na Terra mesmo existem lagos que se formam exatamente dessa forma, abaixo de camadas de gelo e com grande concentração de sal, como na Antártida, por exemplo. O calor do solo e a pressão da geleira derretem parte do gelo, e a salmoura fica presa logo abaixo.

Clique aqui para entender melhor essa história!

SpaceX explode (de propósito!) tanque de foguete

Durante um teste de pressurização, a SpaceX decidiu explodir, de propósito, o tanque SN7.1 do foguete Starship — aquele "todo-poderoso" que levará pessoas a destino como a Lua e Marte num futuro próximo. A empresa preencheu o tanque com nitrogênio líquido a temperaturas baixíssimas, causando a explosão.

Agora, por que fazer isso? Bem, o teste tinha justamente o objetivo de levar a estrutura metálica até seus limites, e é importante descobrir exatamente que limites são esses, antes que o foguete seja colocado para voar de verdade.

Para mais informações sobre essa "doideira", é só clicar aqui!

Rocha espacial "salta" na atmosfera da Terra

Uma pequena rocha espacial entrou na atmosfera da Terra, mas conseguiu se salvar do trágico destino de explodir como um meteoro, se desintegrando por completo (ou quase isso). O meteoroide entrou, sim, em nossa atmosfera, mas não passou da altitude de 91 km, dando então um "salto" de sobrevivência, o que fez com que ele voltasse ao espaço e seguisse sua viagem cósmica em segurança.

E se quiser compreender melhor o que são meteoroides e por que este aqui não virou um meteoro, é só clicar aqui!

Buraco negro fotografado em 2019 é mais curioso do que imaginávamos

O buraco negro M87* tomou os holofotes no ano passado, graças ao trabalho espetacular do Event Horizon Telescope (EHT), que conseguiu, pela primeira vez na história, produzir uma imagem real de um buraco negro — ou melhor, do que há ao seu redor. Agora, o objeto volta a ter seus minutos de fama. É que a mesma equipe do EHT analisou ainda mais dados sobre ele, descobrindo um comportamento curioso: a sombra do M87* oscila com o tempo, parecendo girar de um lado para o outro.

Ficou curioso? Clique aqui para ler mais a respeito!

Identificada extinção em massa que deu origem aos dinossauros

Resumo dos maiores episódios de extinção (Imagem: Reprodução/D. Bonadonna/MUSE, Trento)
Resumo dos maiores episódios de extinção (Imagem: Reprodução/D. Bonadonna/MUSE, Trento)

O impacto de um asteroide é a hipótese mais aceita para explicar a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos, mas o impacto de um asteroide também pode ter sido, na verdade, o responsável pela origem desses animais pré-históricos. Cerca de 233 milhões de anos atrás, uma mudança abrupta do clima provocou uma grande atividade vulcânica na costa oeste de onde, hoje, fica o Canadá, e um novo estudo mostra que essas erupções teriam sido tão intensas, que grandes quantidades de gases de efeito estufa teriam sido liberadas à atmosfera, causando um aquecimento global extremo.

Essa mudança climática, então, teria eliminado grande parte da biodiversidade da Terra, dando espaço a novos ecossistemas que estimularam a vida vegetal e a expansão das florestas coníferas, o que serviu de alimento a animais herbívoros sobreviventes. E sabemos que os dinossauros se originaram 20 milhões de anos antes desses eventos acima descritos, ainda que tenham existido de maneira tímida até que uma mudança global tenha permitido que eles prosperassem e reinassem no planeta. E essa mudança, então, pode ter sido causada por um impacto de asteroide.

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"Netuno ultraquente", o exoplaneta extremamente próximo de sua estrela

Ilustração do GJ 3470b, um exemplo de Netuno Quente, envolto em uma nuvem de gás enquanto sua atmosfera é removida pelo calor de sua estrela hospedeira (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/D. Player)
Ilustração do GJ 3470b, um exemplo de Netuno Quente, envolto em uma nuvem de gás enquanto sua atmosfera é removida pelo calor de sua estrela hospedeira (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/D. Player)

Foi descoberto um exoplaneta gasoso de dimensões similares às de Netuno, mas que se diferencia em uma particularidade: ele fica tão próximo de sua estrela, que suas temperaturas são extremamente elevadas (mais de 1.700 ºC), e um ano por lá dura apenas 19 horas terrestres. A cerca de 260 anos-luz, o sistema do exoplaneta LTT 9779 b é relativamente jovem, com apenas 2 bilhões de anos — menos da metade da idade do Sistema Solar —, e sua estrela é similar ao nosso Sol, ainda que seja mais rica em metais, tendo o dobro de ferro em sua atmosfera.

Mais informações sobre a descoberta você encontra aqui!

Seria este o 1º planeta descoberto em outra galáxia?

A Galáxia M51 (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/S. Beckwith)
A Galáxia M51 (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/S. Beckwith)

Se tudo isso for confirmado, este pode ser o primeiro planeta já descoberto em outra galáxia além da Via Láctea. Batizado de M51-ULS-1b, o candidato a exoplaneta parece ser um pouco menor do que Saturno e orbita um sistema estelar binário e misterioso na galáxia M51, que emite uma quantidade imensa de energia — tudo isso a 23 milhões de ano-luz de distância. O que torna esse sistema interessante é sua atividade e emissão de energia, sugerindo que um dos dois objetos estelares pode ser uma estrela de nêutrons ou até mesmo um buraco negro.

Se quiser ler mais detalhes sobre essa história, é só clicar aqui!

Vazamento de ar na ISS continua

Mais uma vez, os astronautas norte-americanos que, hoje, vivem na Estação Espacial Internacional (ISS), precisaram se confinar no módulo russo Zvezda por conta de um vazamento de ar no módulo estadunidense. Todas as escotilhas do laboratório orbital foram fechadas no final de semana por conta disso, com a tripulação da Expedição 63 ficando confinada em apenas um ambiente.

As causas do vazamento de ar seguem em investigação, e você pode ler mais a respeito aqui.

Impacto da Terra com Theia formou mesmo a Lua?

Theia teria colidido com a Terra há 4,4 bilhões de anos, liberando materiais (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)
Theia teria colidido com a Terra há 4,4 bilhões de anos, liberando materiais (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

A hipótese do Grande Impacto acaba de ser reforçada. Ela levanta a ideia de que a nossa Lua é resultado de uma imensa colisão entre a proto-Terra com Theia, um planeta que teria tido o tamanho de Marte, mas que teria sido totalmente destruído com este impacto. A Terra teria sobrevivido, enquanto os detritos gerados pela destruição de Theia se acumularam na órbita e, com a atração da gravidade ao longo do tempo, teria formado, então, a Lua.

Neste novo estudo, cientistas analisaram rochas lunares e encontraram evidências que deram ainda mais força a tal hipótese. Ao investigar amostras trazidas pelas missões Apollo, mas, desta vez, usando tecnologias que não estavam disponíveis naquela época, a equipe descobriu que a Lua possui alta concentração de cloro “pesado”, enquanto a Terra tem mais cloro “leve” — e, aqui, os termos “pesado” e “leve” se referem aos isótopos de cloro, que contêm diferentes quantidades de nêutrons em seu núcleo.

Agora, o que esse cloro tem a ver com a hipótese do Grande Impacto? Você pode clicar aqui e entender tim tim por tim tim dessa história!

Habitats espaciais comerciais vêm aí

Conceito de habitat espacial (Imagem: Reprodução/Blue Origin)
Conceito de habitat espacial (Imagem: Reprodução/Blue Origin)

No que depender da Blue Origin, a empresa espacial de Jeff Bezos, não deve demorar muito para que a Terra tenha habitats espaciais ao seu redor, com pessoas comuns (e não apenas astronautas) vivendo em órbita. A companhia está procurando uma pessoa para liderar o desenvolvimento dessas estações e, para isso, deverá captar financiamentos e patrocínios externos e internos, fazendo a coisa sair do papel.

A NASA foi mencionada na vaga de emprego, inclusive, deixando claro que a agência espacial dos EUA pode se tornar financiadora da iniciativa — então faz sentido pensar que a agência espacial poderá desfrutar de tais habitats futuristas. Agora, quando o primeiro habitat do tipo será lançado? Ainda é cedo para especular, mas a Blue Origin menciona "a década de 2020" para o desenvolvimento do projeto.

Saiba mais sobre esse futuro fantástico clicando aqui!

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Fonte: Canaltech

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