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O Brasil quebrou, diz Maia ao questionar aposentadoria integral a militar

THIAGO RESENDE E ANGELA BOLDRINI
O presidente da câmara, Rodrigo Maia, durante instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) (Fátima Meira/Futura Press)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se posicionou contra a possibilidade de que novos militares mantenham salários integrais quando entrarem na reserva.

Nas negociações entre o Ministério da Economia e o Ministério da Defesa, foi apresentada uma proposta de reforma da Previdência para militares que prevê os benefícios da integralidade (manter o salário na aposentadoria) e paridade (benefício é reajustado de acordo com a remuneração de quem está na ativa) mesmo para quem ainda vai entrar nas carreiras.

"Para os novos, de jeito nenhum. [...] Isso não tem menor possibilidade", afirmou Maia, que defende o teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) -R$ 5,8 mil- como limitação das aposentadorias dos militares.

Antes de reunião com o MDB na Câmara, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, evitou comentar pontos específicos do projeto.

"O Congresso é soberano para fazer qualquer alteração, mas eu só posso falar sobre detalhes do projeto quando ele chegar aqui, a partir de amanhã. Se vier [a previsão de paridade e integralidade para novos militares] e o Congresso entender que deva alterar, o fará."

O projeto de lei que altera a Previdência das Forças Armadas, policiais militares e bombeiros dos estados deve ser enviado ao Congresso na quarta-feira (20).

A proposta, segundo Maia, irá para uma comissão especial, que irá analisar especificamente o tema.

Junto com regras mais duras para que militares entrem na reserva, o governo deve enviar uma proposta de revisão das carreiras, permitindo aumento nas gratificações e bônus.

Isso gera mais custos para os cofres públicos.

Para Maia, há uma defasagem salarial entre militares e servidores públicos civis. "Mas o problema é que estamos no fim da festa. O Brasil quebrou."

Segundo o presidente em exercício, general Hamilton Mourão, o projeto de lei deve prever uma economia de R$ 13 bilhões em dez anos para a União; isso já descontando os gastos com a reestruturação das carreiras, condição dada para os militares apoiarem a reforma.

Marinho evitou também falar sobre esse cálculo.

"O que está sendo feito agora é justamente esses ajustes finais. O presidente, quando desembarcar, vai decidir qual é o projeto adequado. [O saldo fica] positivo, sim. O valor é o presidente que vai decidir amanhã."

Sobre o número informado por Mourão, o presidente da Câmara afirmou apenas que o assunto ainda chegará ao Congresso e, então, será debatido.

Considerando apenas as medidas para endurecer as regras do sistema previdenciário dos militares e o aumento previsto de alíquotas, o governo espera economizar cerca de R$ 92 bilhões em dez anos.

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