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O 'beco do câncer' nos Estados Unidos estremece em tempos de covid

·3 minuto de leitura

No "Beco do câncer", depósitos, chaminés e poças marrons margeiam o rio Mississippi, na Louisiana, um estado do sudeste dos Estados Unidos, onde dezenas de refinarias e plantas petroquímicas se espalharam nas últimas décadas.

A poluição industrial nessa faixa de terra entre Nova Orleans e Baton Rouge coloca os residentes - a maioria negros - em quase 50 vezes mais risco de câncer do que a média nacional, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental (EPA).

Ambientalistas, que deram o sinistro apelido de "Beco do Câncer" à faixa de 140 quilômetros, vêm tentando há anos limpar a área.

Na primavera passada, a área ganhou as manchetes por outro motivo: uma de suas paróquias - como Louisiana chama seus condados - teve a maior taxa de mortes por covid-19 nos Estados Unidos.

Em abril de 2020, na primeira onda do coronavírus, três moradores morriam por dias nessa comunidade de 43 mil habitantes.

“Mudou nosso modo de vida”, disse Angelo Bernard, de 64 anos, que trabalha na refinaria Marathon. “Em Reseve, ficávamos juntos o tempo todo (...) Não fazemos mais. Saio o mínimo possível”, enfatizou.

Desde então, quase um em cada oito residentes foi infectado. A variante delta piorou as situação: as infecções dispararam nas últimas três semanas.

As mortes, no entanto, diminuíram nos últimos meses - apenas oito neste verão, talvez graças a uma taxa de vacinação que está entre as mais altas da Louisiana. San Juan Bautista hoje tem 44,3% de seus moradores totalmente vacinados, contra a média de 39,4% no restante do estado.

“Quando surgiu pela primeira vez que a vacinação ajudaria as pessoas, nós corremos” para ser imunizados, observou outro vizinho, Robert Moore.

Como a maioria das pessoas do bairro, Moore dedicou sua vida a trabalhar na fábrica próxima que pertencia à companhia química Dupont.

Esta instalação, construída em 1968 e cujas tubulações chegam às águas do Mississippi, foi adquirida em 2015 pela empresa japonesa Denka.

É o único lugar nos Estados Unidos que produz neoprene; uma borracha sintética usada para fazer roupas impermeáveis, luvas e isolantes elétricos. Mas também faz com que a planta emita cloropreno; um produto químico considerado cancerígeno pela EPA em 2010.

Quantidades astronômicas dessa substância foram detectadas no ar de Reserve no início de 2010, o que levou o órgão ambiental federal a recomendar a limitação da quantidade de cloropreno admitida por metro cúbico em 0,2 microgramas.

- 'Vulnerável' -

O cloropreno não é o único agente patógeno do "beco do câncer".

Em Reserve, onde mais de 60% de seus 9.000 residentes são negros, a taxa de pobreza é duas vezes e meia maior que a média nacional.

É uma população com "muitas comorbidades, muitos desafios sociais e fatores socioeconômicos que contribuem para resultados ruins de saúde", disse Julio Figueroa, especialista em infecção da Universidade do Estado de Louisiana.

“Vai ser uma população vulnerável”, acrescentou.

Assim que entrou na Casa Branca em janeiro, o presidente Joe Biden admitiu que o "Beco do Câncer" é um desafio.

Biden disse então que queria enfrentar "os impactos desproporcionais sobre a saúde, o meio ambiente e a economia nas comunidades de cor, especialmente nas áreas mais afetadas, como o Cancer Alley, na Louisiana".

A própria ONU pôs os olhos na região e denunciou "racismo ambiental" no local.

Para Ângelo Bernard, a atenção que tem se concentrado ali nos últimos meses é uma oportunidade de superar divisões no país, como as raciais, ou a luta política por vacinas ou outras medidas tomadas contra a covid.

“Temos que encontrar a forma certa de unir e vacinar as pessoas”, frisou para a AFP.

vgr/seb/st/ch/gm/llu/ap/mvv

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