Mercado abrirá em 4 h 15 min
  • BOVESPA

    122.515,74
    +714,95 (+0,59%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.869,48
    +1,16 (+0,00%)
     
  • PETROLEO CRU

    71,62
    +0,36 (+0,51%)
     
  • OURO

    1.812,80
    -9,40 (-0,52%)
     
  • BTC-USD

    38.509,61
    -1.111,50 (-2,81%)
     
  • CMC Crypto 200

    934,35
    -26,55 (-2,76%)
     
  • S&P500

    4.387,16
    -8,10 (-0,18%)
     
  • DOW JONES

    34.838,16
    -97,31 (-0,28%)
     
  • FTSE

    7.103,25
    +21,53 (+0,30%)
     
  • HANG SENG

    26.194,82
    -40,98 (-0,16%)
     
  • NIKKEI

    27.641,83
    -139,19 (-0,50%)
     
  • NASDAQ

    14.986,75
    +34,00 (+0,23%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,1192
    -0,0249 (-0,41%)
     

O atraso na transformação digital pode causar grandes impactos nas lideranças

·5 minuto de leitura
O atraso na transformação digital pode causar grandes impactos nas lideranças
O atraso na transformação digital pode causar grandes impactos nas lideranças

Por Carlos Baptista*

Há algum tempo, tenho alertado leitores: o crescimento da transformação digital no Brasil caminha em um ritmo lento. Não se trata apenas de digitalizar processos, produtos e serviços para melhorar o desempenho e otimizar os resultados de uma empresa. É necessário que o contexto seja visto como um processo cultural que deve ser permanente nos negócios.

Uma pesquisa recente não só chancela esta ideia, mas também amplia o horizonte para novos debates: a transformação digital ainda está em nível intermediário no mundo. E isso preocupa – e muito -, mas antes vamos abordar o levantamento propriamente dito.

O estudo divulgado no fim de maio pela consultoria internacional Bip aponta que a escala obtida junto às lideranças das maiores empresas globais foi de 2,7. Número este considerado intermediário em relação à maturidade digital, numa escala que vai de 1 a 5.

O principal objetivo desta análise foi identificar concorrentes e mapear boas práticas em projetos de transformação digital em grandes empresas globais.

Foram entrevistados, nesse sentido, 50 líderes das maiores multinacionais globais sediadas nos continentes americano, europeu e asiático, dos setores de energia, óleo e gás, finanças, mineração e tecnologia. Do total das empresas pesquisadas, 15% são brasileiras.

De acordo com essa pesquisa, nos modelos de negócio B2C (business to consumer, na sigla em inglês), o processo de transformação foi acelerado pela pandemia e a grande maioria das organizações entende que essa transformação é necessária até para sobreviver.

Mas as organizações começaram com iniciativas de transformação digital fragmentadas, o que acabou por gerar um maior esforço de integração.

Para 70% dos líderes das empresas, a transformação digital é uma possibilidade de diversificar os negócios e/ou gerar um novo modelo de negócios.

Eles veem os meios tecnológicos e organizacionais como grande desafio, principalmente para escalar as soluções e descentralizar a tomada de decisão. É aí que vem a preocupação! Não é contraditório, numa era de evolução exponencial da tecnologia, este ser um dos principais desafios?

A transformação digital é sobre qualquer mudança que coloca o ser humano no centro de tudo, e a tecnologia é a viabilizadora dessa revolução e não o contrário.

Talvez a principal questão da transformação digital seja mais a mudança de mindset em toda a organização do que uma revolução propriamente dita.

Por exemplo, o termo transformação digital, nos últimos anos, foi associado à inovação e à disrupção. Mas é realmente isso? Vamos simplificar o conceito: no dicionário, “transformação” significa qualquer tipo de alteração que modifica ou dá nova forma.

Leia também!

A transformação digital, assim, acabou por ser associada a essa mudança por intermédio da aplicação de novos modelos e tecnologias.

De acordo com estudos, a grande maioria das empresas continua focada na digitalização dos processos, principalmente por questões de redução de custos e otimização, ao invés de investir na mudança cultural e de mindset de toda a organização.

Por tudo isso, precisamos continuar falando do centro da transformação para, de fato, sermos protagonistas da transformação digital. Ou seja, falar sobre pessoas.

Tendo isso em mente, é possível elencar algumas dicas:

  • Pensar em uma cultura organizacional

Esse é um dos principais desafios, porque o novo mindset precisa ser treinado e adotado.

Algumas empresas treinam áreas ou níveis hierárquicos, principalmente até o nível da média gestão, mas se esquecem do resto da organização, inclusive, da alta gestão.

Muitos C-levels, executivos e gestores ainda estão no modelo tradicional de gestão por comando e controle. Quem está na alta liderança também precisa mudar o seu próprio mindset até para entender o que é transformação digital e como incentivá-la.

  • Transformação

É um processo constante. Tradicionalmente, as empresas entendem como transformação uma mudança de um ponto A para um ponto B. Exemplos dessas transformações são a migração de uma tecnologia, a implantação de um novo sistema, etc. Ou seja, algo com princípio, meio e fim.

Para a liderança, essa mudança constante é assustadora. Por esse motivo, as mudanças devem ser feitas em pequenas transformações, mas constantemente.

Por outro lado, existe a necessidade de ressignificar como escalar nesse novo modelo. No mais tradicional, o pensamento é, por exemplo, escalar em quantidade de produção ou resultado final.

No processo de transformação digital, o conceito de escalar consiste na capacidade de personalização. Quanto mais o produto estiver personalizado, mais se coloca o ser humano no centro.

  • Cliente

Quando pensamos em transformação digital, o primeiro movimento é adotar tecnologias que permitam a organização se aproximar do cliente. Por exemplo, nos modelos B2C, o primeiro movimento é criar novos canais como delivery ou comércio eletrônico.

Na verdade, as empresas precisam focar em qualquer iniciativa que mude a experiência do cliente, independentemente de utilizar tecnologia ou não.

E essa experiência precisa ser diferente e não pode ser focada somente no cliente final: os profissionais da organização também precisam ter uma experiência diferenciada. Se este movimento partir de dentro da empresa, naturalmente será exteriorizada e potencializada para clientes finais.

A transformação é mais simples do que pode parecer. Para isso, precisamos ressignificar seu conceito.

O contexto precisa ser entendido e cuidado de um modo completamente diferente do que foi até agora. Precisamos abrir as cabeças para um novo modelo onde as premissas e paradigmas dos modelos de gestão precisam ser desafiados.

Os modelos tradicionais nos trouxeram até hoje, e servirão por muito tempo. Mas novas necessidades exigem que estejamos abertos às novas habilidades e a um novo mindset.

*Carlos Baptista é especialista em transformação digital e processos ágeis para empresas. Professor e coordenador do núcleo de seleção de alunos do MBA da FIAP, ele é também empresário, consultor de negócios e mentor, com mais de 30 anos de experiência em TI no Brasil e Portugal.

Já assistiu aos nossos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos