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O ímã mais potente do mundo está a caminho do reator ITER, na França

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O bio-escudo dentro do ITER Tokamak em Saint-Paul-les-Durance em Bouches-du-Rhône, 28 de julho de 2020 (AFP/CLEMENT MAHOUDEAU)

Com peso de 1.000 toneladas e dimensões de um prédio de sete andares: a primeira peça de um ímã gigantesco, apontado como o mais poderoso do mundo, chegará na quinta-feira ao local onde está localizado o reator experimental de fusão nuclear ITER, no sul da França.

Este ímã denominado "Central Solenoid" constitui um marco importante no desenvolvimento do ITER, um programa internacional composto por 35 países, e cujo objetivo é alcançar a produção de energia a partir da fusão do hidrogênio, como ocorre no núcleo do Sol.

Fabricado pela General Atomics, na Califórnia (EUA), o dispositivo será composto por seis módulos, sendo que o primeiro chegará na madrugada de quinta-feira no local onde está sendo construído o futuro reator, iniciado em 2010.

Transportada por via marítima dos Estados Unidos, esta primeira peça de 66 toneladas, a pedra fundamental do reator, já chegou ao porto de Marselha (sul da França) e está a caminho do local do ITER, às margens do rio Durance (um afluente do Ródano), a cerca de 100 km de distância.

Os outros cinco módulos magnéticos vão completar este quebra-cabeça "até 2024", disse Bernard Bigot, diretor da Organização ITER, à AFP.

Depois de montado, o "Central Solenoid" atingirá um peso de cerca de 1.000 toneladas e uma altura de 18 metros.

Esse ímã supercondutor será instalado no núcleo do reator de fusão tokamak, uma imensa câmara magnética em forma de anel, em que a temperatura poderá chegar a 150 milhões de ºC.

Conforme o plasma (um gás hidrogênio) é aquecido, ele permite que os núcleos do hidrogênio colidam uns com os outros e se fundam para formar átomos de hélio mais pesados, liberando energia colossal.

Esses campos magnéticos permitem que o plasma seja limitado ao invólucro, evitando que entre em contato com as paredes e resfrie. Porém, quanto mais ele aumenta seu volume, mais difícil é de estabilizar.

É justamente para superar esse problema em larga escala que o ímã será instalado. O "coração batendo" do tokamak produzirá um campo magnético variável, que vai de zero a 13 tesla (unidade de indução magnética), "ou seja, 300 mil vezes a potência do campo magnético terrestre", explicou Bernard Bigot.

Portanto, este será o "elemento chave" para a estabilização.

A primeira produção de plasma está prevista para ocorrer em 2026 e atingir seu pico de potência em 2035.

A fusão nuclear é considerada por muitos como a energia do futuro, uma vez que pode ser virtualmente ilimitada e não poluente.

No entanto, o ITER é polêmico e alvo de críticas de ambientalistas. A ONG Greenpeace considera uma "miragem científica" e "um poço financeiro sem fundo".

O orçamento inicial triplicou, atingindo atualmente um montante de quase 20 bilhões de euros (cerca de 23,7 bilhões de dólares). "E provavelmente terá que ser revisado" por causa dos atrasos como resultado da pandemia de covid-19, segundo Bigot.

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