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NY retoma visitas a imóveis com novas regras na era Covid

Britton O'Daly

(Bloomberg) -- Nos últimos três meses, um dos rituais imobiliários clássicos da cidade de Nova York ficou fora de alcance: visitas pessoais a apartamentos.

Agora, essa ferramenta essencial usada pelos corretores para lançar propriedades está de volta, apenas com menos apertos de mão, mais desinfetante, máscaras e checagem de temperatura.

O setor imobiliário normalmente desaceleraria nessa época do ano, com os nova-iorquinos se mudando para os Hamptons para passar o verão na praia. Porém, com a temporada de vendas da primavera praticamente eliminada pelo distanciamento social, os corretores e seus clientes estão prontos para compensar o tempo perdido.

“Nunca vi pessoas tão empolgadas”, disse Ignacio Cesped, agente da corretora Elegran, que teve seis apresentações na segunda-feira. “Todo mundo ficou super feliz por ver as coisas, mesmo que não gostem.”

Os corretores tentaram manter os negócios nos últimos meses com visitas virtuais a apartamentos. Porém, sem apresentações presenciais, as vendas afundaram. Agora, com a reabertura da cidade de Nova York, o setor está se recuperando e se ajustando aos novos desafios da era Covid-19.

Não faz muito tempo que os nova-iorquinos visitavam casas à venda depois dos brunches de domingo por diversão, mesmo que não tivessem intenção de comprar. Esses dias terminaram por ora devido a necessidade de agendamento e limites de quantas pessoas podem estar em um apartamento por vez.

As apresentações serão apenas para possíveis compradores - não para grupos de amigos e decoradores que se juntam para visitar os imóveis, disse Sabrina Kleier Morgenstern, vice-presidente executiva da Kleier Residential.

Ainda assim, Kleier Morgenstern recebeu inúmeros telefonemas de potenciais compradores nos últimos dias. O aumento do interesse é uma raridade para junho, quando as listagens de imóveis geralmente desaparecem, disse ela.

Embora os compradores agora possam ver o apartamento, a maioria das comodidades, como academias e piscinas, ainda está fechada e não pode ser exibida, de acordo com Cesped. Os corretores também estão lidando com as regulamentações estaduais, incluindo as limpezas necessárias entre as visitas e as diretrizes estabelecidas pelo Real Estate Board de Nova York.

O grupo que representa a indústria afirma que os agentes devem preparar desinfetante para as mãos ou sabão para todas as apresentações. Os compradores não podem tocar em nada enquanto visualizam o imóvel, os apertos de mão são proibidos e as máscaras são obrigação.

Os corretores também estão tentando descobrir as novas regras em edifícios específicos que têm apartamentos listados para venda. Em um, na avenida Park Avenue, os corretores precisam assinar formulários de saúde e submeter-se a verificações de temperatura antes de usar o elevador. Eles são obrigados a utilizar proteção nos sapatos e são proibidos de tocar em qualquer coisa uma vez dentro do apartamento, de acordo com Michele Kleier, presidente da Kleier Residential.

Outros edifícios nas avenidas Park e Fifth não estão deixando corretores entrar, nem limitando quantas apresentações podem ocorrer em um dia. Jacky Teplitzky e Barak Dunayer, uma equipe de corretores da Douglas Elliman Real Estate, tentaram mostrar a um comprador um imóvel perto do Lincoln Center, mas o prédio não permitiu a entrada.

Apesar das dificuldades, os corretores de Nova York estão mais ocupados. Jason Haber, um corretor da Warburg Realty, passou o lockdown negociando ações e se exercitando.

Na segunda-feira, ele acordou às 4h45 e trabalhou até seu último telefonema às 22h com um cliente na China.

“Este é o primeiro em 111 dias que eu não faço exercício”, disse ele.

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