NY deve abrir sem direção sob crise política na Itália

As bolsas norte-americanas operam próximo a estabilidade no mercado futuro nesta segunda-feira, com o índice Dow Jones oscilando entre pequenos ganhos e queda moderada, indicando que o pregão normal pode também ter volatilidade alta. Em um dia sem divulgação de indicadores nos Estados Unidos e ainda sem maiores novidades sobre as discussões do abismo fiscal, a crise política na Itália influencia as mesas de operação em Wall Street. No pré-mercado, o índice Dow Jones futuro subia 0,05% às 12h15 (de Brasília), o Nasdaq perdia 0,18% e o S&P 500 cedia 0,06%.

As discussões para evitar o abismo fiscal prosseguiram no final de semana. No domingo (09) o presidente Barack Obama e o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, se encontraram na Casa Branca para falar do assunto. Foi a primeira reunião dos dois líderes desde 16 de novembro. Detalhes da conversa não foram revelados pelos assessores.

No sábado (08), Obama, em um programa de rádio, disse que está disposto a cortar gastos, mas insistiu em que esse corte de nada adiantaria sem o aumento de impostos para os americanos mais ricos, aqueles com renda anual acima de US$ 250 mil.

Já o senador republicano Richard Durbin afirmou, no domingo (09) que provavelmente já é tarde para fazer mudanças significativas nos programas sociais, como parte das negociações sobre o abismo fiscal. Ele ressaltou que não vê tempo hábil para essas mudanças, faltando apenas 21 dias do prazo final para um acordo entre democratas e republicanos. Sem um consenso, a partir de janeiro entra em vigor, de forma automática, um conjunto de aumentos de impostos e cortes de gastos.

"É uma agenda muito complexa para se discutir em um prazo pequeno", disse o chefe de pesquisa para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos. O banco de investimento norte-americano projeta que questões fiscais, incluindo aumento de impostos, devem afetar o crescimento da economia norte-americana no primeiro semestre, reduzindo a propensão a consumir dos americanos e a investir dos empresários. Por isso, o Goldman prevê que os EUA vão crescer menos em 2013, a uma taxa de 1,9%, abaixo dos 2,2% previstos para 2012.

Para a Europa, que deve continuar em recessão em 2013, o analista do Goldman destaca que a crise política na Itália é uma das principais preocupações do mercado. Outro temor é de piora da instabilidade social na Espanha, em meio ao aumento do desemprego, sobretudo entre os mais jovens.

Na Itália, o primeiro ministro Mario Monti anunciou, no fim de semana, que vai renunciar ao cargo assim que o orçamento para 2013 for aprovado. Monti vinha conduzindo uma política econômica de austeridade para tentar contornar os problemas fiscais do país. Por isso, a interpretação de sua saída é de que essa política está em cheque. Horas antes de seu anúncio, o ex-premiê Silvio Berlusconi informou que vai concorrer novamente ao cargo nas eleições que serão realizadas no início de 2013.

No mundo corporativo, as empresas de tecnologia seguem no radar dos investidores. O executivo-chefe da empresa Cisco, John Chambers, disse em uma entrevista ao The New York Times que em aproximadamente cinco anos "duas ou três" das gigantes norte-americanas de tecnologia, como Microsoft, IBM, Hewlett-Packard, SAP, Oracle e a própria Cisco, podem não mais estar nessa lista.

Chambers, que prepara sua aposentadoria, disse que o crescimento do uso da internet no celular está provocando uma revolução no setor de tecnologia. Essas mudanças vêm afetando os negócios das empresas em uma velocidade mais rápida do que no passado. A Cisco anunciou na sexta-feira (08) um plano de negócios que prevê maior foco no desenvolvimento e comercialização de softwares. Atualmente o principal negócio da empresa é o gerenciamento de redes.

No pré-mercado, entre os papéis do setor de tecnologia, a ação da Microsoft ganhava 0,09% por volta das 12h15, a da Oracle tinha queda de 0,38% e a da HP recuava 0,65%. Ainda no setor de tecnologia, o papel da Apple caía 1,26%, após o banco de investimento Jefferies soltar um relatório cortando o preço alvo da ação da empresa, de US$ 900,00 para US$ 800,00. A razão é um crescimento menor do que o esperado para as vendas do iPhone, embora o banco tenha mantido a previsão de ganhos para a empresa para este quarto trimestre e o primeiro período de 2013.

Já o papel do McDonald's era destaque de alta, com ganho de 1,83%, após a rede de comida rápida anunciar na manhã de hoje crescimento de suas vendas, inclusive na Europa. Nos EUA, as vendas em novembro (no conceito mesmas lojas) aumentaram 2,4% e no mercado europeu, 1,4%.

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