NY deve abrir em alta à espera de reunião do FED

As bolsas de Nova York devem abrir em leve alta nesta terça-feira, após a divulgação de um dado positivo na Alemanha. Mas os ganhos devem se mostrar frágeis, com os investidores de olho na reunião de política monetária do Federal Reserve, que começa nesta terça-feira e nas negociações sobre o abismo fiscal. Às 12h15 (de Brasília), o índice Dow Jones futuro subia 0,21%, o Nasdaq ganhava 0,40% e o S&P 500 tinha alta de 0,22%.

Em dia de dados sobre vendas no atacado, as ações do setor devem ser os destaques do pregão, mas os operadores afirmam que o investidor está em compasso de espera pela reunião do Fed e dos desdobramentos das negociações sobre o abismo fiscal. Os números referentes às vendas de outubro devem ser divulgados às 13h (de Brasília). A expectativa é que as vendas no atacado cresçam 0,4% ante setembro.

A passagem do furacão Sandy, que atingiu a costa leste dos EUA em 29 de outubro, deve ter impacto negativo nos números, já que o comércio ficou fechado por alguns dias em uma região densamente povoada. Em setembro, a expansão foi de 1,1% ante o mês anterior. Mesmo assim, os economistas esperam que outubro seja o quarto mês consecutivo de alta nas vendas.

Mais cedo, o Departamento do Comércio divulgou que os EUA tiveram déficit comercial de US$ 42,2 bilhões em outubro, praticamente dentro do previsto pelos analistas (US$ 42,1 bilhões). E a Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB, em inglês) reportou que o índice de otimismo das pequenas empresas caiu 5,6 pontos em novembro, para 87,5, na comparação mensal. A queda coloca o índice abaixo das leituras registradas durante a mais recente recessão no país.

A ansiedade por novidades sobre o abismo fiscal segue dominado o investidor. A sensação de alguns analistas é que as discussões estão avançando, mas a portas fechadas. Isso ficou claro no domingo, quando o presidente Barack Obama teve o primeiro encontro desde o começo de novembro com o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner. Os detalhes da conversa não foram revelados. Ontem, publicamente, Obama voltou a insistir que um aumento de impostos para os americanos mais ricos é essencial.

A consultoria Eurasia destaca que essa conversa reservada de Obama e Boehner é um sinal positivo de que um acordo para evitar o abismo fiscal é "bem provável". A estimativa do economista-chefe de pesquisa da consultoria, David Gordon, é que a possibilidade para um acordo é de 80%, segundo relatório enviado a clientes.

Em meio à expectativa sobre as discussões do abismo fiscal, a reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Fed começa hoje e também entra no foco dos investidores. Os economistas esperam o anúncio, amanhã, da manutenção do programa de compras de ativos no mercado financeiro para estimular a economia dos EUA e ainda de um novo programa de aquisição de títulos públicos de longo prazo, para substituir a Operação Twist. Ao todo, o Fed deve desembolsar US$ 1 trilhão em 2013 para comprar papéis no mercado financeiro.

No pré-mercado, as ações de redes varejistas operam em alta. O papel da Amazon subia 0,42% às 12h15 e a ação da Gap avança 0,49%. Além do comércio, o setor de petróleo e energia deve ser destaque hoje. A Administração de Informação de Energia, agência norte-americana de planejamento energético, vai divulgar nesta terça-feira perspectivas de curto prazo para o setor, às 15h (de Brasília). A ExxonMobil já convocou uma teleconferência com analistas e investidores para discutir os números após o anúncio. No horário citado acima, o papel da empresa tinha valorização de 0,33%.

Já a Delta Air Lines ganhava 1,28%. A empresa confirmou esta manhã que vai criar uma joint venture e vai desembolsar US$ 360 milhões para comprar uma fatia de 49% na empresa britânica Virgin Atlantic. Com isso, passa a ter mais espaço no maior aeroporto do mundo, o de Heathrow, em Londres.

O papel da seguradora AIG também concentra atenções, com alta de 2,16%. O governo norte-americano anunciou que quer vender sua parcela de ações que ainda tem da empresa, que adquiriu durante a crise financeira mundial para salvar a então maior seguradora do mundo da falência. A AIG também divulgou na segunda-feira perdas com o furacão Sandy.

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