Mercado fechado

NY: Bolsas recuam com sinalização negativa de Trump sobre acordo EUA-China

Gabriel Roca

O Dow Jones terminou o pregão em queda de 1,01%, o S&P 500 cedeu 0,66%, e o Nasdaq recuou 0,55% Os investidores reverteram parte das expectativas positivas das últimas semanas nesta terça-feira (3), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter sinalizado que pode deixar o acordo comercial com a China para depois das eleições presidenciais do ano que vem. Com isso, os índices acionários em Nova York tiveram o terceiro dia de recuo consecutivo e acumulam, agora, cerca de 2% de queda em relação ao recorde anotado antes do dia de "Ação de Graças".

Na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), o Dow Jones terminou o pregão em queda de 1,01%, aos 27.502,81 pontos, enquanto o S&P 500 cedeu 0,66%, para 3.093,20 pontos. O índice eletrônico Nasdaq recuou 0,55%, aos 8.520,64 pontos.

Durante uma reunião com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Trump disse que "não tem prazo" para chegar a um entendimento no comércio com a China e que gosta "da ideia de esperar até depois da eleição para chegar a um acordo".

A declaração de Trump foi um balde de água fria no otimismo dos investidores, que esperavam que os países chegassem a um acordo comercial de "primeira fase" ainda neste mês. Era aguardada, ainda, uma reversão das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre bens chineses, que entrarão em vigor no próximo dia 15 — um cenário que parece mais distante após a sinalização dada pela autoridade americana hoje.

Além disso, o ímpeto protecionista do presidente deu mostras de que se mantém firme nos últimos dias. Após Trump anunciar que vai retomar as tarifas sobre o aço e o alumínio de Brasil e da Argentina, a Casa Branca avalia tarifas contra US$ 2,4 bilhões em importações francesas, em resposta ao novo imposto sobre serviços digitais do país europeu, que, segundo ela, é injusto contra empresas de tecnologia dos EUA, como Apple e Google, da Alphabet.

"Abrir novas frentes na guerra comercial pode ser mais prejudicial para as ações dos EUA do que o conflito com a China", escreveu Jonas Goltermann, economista sênior da Capital Economics, em nota enviada nesta terça.

O economista apontou que as grandes empresas americanas, especialmente no setor de tecnologia, têm muito a perder se a União Europeia adotar uma postura mais rígida contra os EUA. Segundo ele, os bancos de investimento americanos também têm uma exposição significativa à Europa e podem ser um alvo para os reguladores europeus.

Destaques

As ações sensíveis ao noticiário relacionado às disputas comerciais recuaram em bloco nesta terça. As maiores perdedoras do índice de blue chips foram a Intel (-2,76%) e a Dow (-2,52%).

As ações da Caterpillar caíram 2,03%, juntamente com outras firmas industriais, incluindo a 3M (-1,84%) e a Boeing (-0,87%). A Apple recuou 1,78%. Apenas cinco das 30 empresas que compõem o índice Dow Jones encerraram a sessão com ganhos.

A maior cautela por parte dos investidores também se traduziu em compras em ativos defensivos, como títulos do Tesouro americano (Treasuries), o que acabou derrubando os rendimentos dos papéis. Com a forte queda do juro da T-note de 10 anos, que cedeu a 1,716%, de 1,836% da véspera, as ações do segmento financeiro recuaram em bloco, sendo um dos destaques negativos dentro do S&P 500 (-1,32%).