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NY: Bolsas recuam com nova metodologia da contagem de infectados por coronavírus

Gabriel Roca

O Dow Jones terminou o dia em queda de 0,43%, o S&P 500 cedeu 0,16% e o índice eletrônico Nasdaq perdeu 0,14% O S&P 500 interrompeu uma sequência de três dias consecutivos de recordes e terminou o pregão desta quinta-feira (13) em leve queda. O movimento de menor demanda por risco, hoje, foi observado desde o início da sessão e disparado pela revisão chinesa no método de contagem de mortos e infectados pelo coronavírus (Covid-19), que provocou grande salto no número de vítimas.

Durante a tarde, no entanto, a declaração da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que o episódio não "alterava significativamente a trajetória do surto" fez as ações em Wall Street se afastarem das mínimas intradiárias. Em entrevista coletiva nesta quinta, o diretor-executivo do programa de emergências da OMS, Michael Ryan, disse que o aumento de 14 mil casos reportado hoje é um ajuste retroativo causado pela mudança da metodologia correspondente a vários dias de diagnósticos. "Então não estamos lidando com uma disparada de 14 mil casos em um dia", afirmou.

Na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), o Dow Jones terminou o dia em queda de 0,43%, aos 29.423,31 pontos, enquanto o S&P 500 cedeu 0,16%, para 3.373,94 pontos. O índice eletrônico Nasdaq perdeu 0,14% e fechou aos 9.711,97 pontos.

O governo da província chinesa de Hubei — cuja capital, Wuhan, é o epicentro do surto do coronavírus — passou a contar também os casos confirmados por tomografia. Até quarta (12), eram contados apenas os casos confirmados pelos kits de diagnóstico, que estão em falta. O resultado foi um salto de 14.840 novos casos apenas na província, na contagem de hoje, e um aumento de 254 mortes no país asiático, elevando o total a 1.368, na China. O total de casos confirmados no mundo saltou para 60.364.

A notícia provocou um reajuste de posição dos investidores, no início do pregão desta quinta, que vinham ampliando a demanda por ações nos últimos dias sob a justificativa de que o número de novas infecções estaria diminuindo.

Segundo James McCormick, estrategista da NatWest Markets, o crescente número de casos suscitou uma renovada preocupação com a dinâmica do coronavírus. Ele afirma que os investidores podem ter sido "complacentes" nos últimos dias e acredita que a revisão "é um alerta de que esse processo provavelmente continuará por algum tempo".

O anúncio da OMS provocou certo alívio nos investidores, mas não foi suficiente para levar as ações de Wall Street a novos recordes. Os setores que mais se valorizaram na sessão foram os considerados defensivos, como o de serviços de utilidade pública (+1,02%) e o imobiliário (+0,50%). Os piores desempenhos setoriais foram do segmento da indústria (-0,69%) e de saúde (-0,54%).

A Cisco recuou 5,23% depois de ter anunciado que as incertezas econômicas provocaram uma redução no investimento em tecnologia, prejudicando seu crescimento de vendas. A Kraft Heinz cedeu 7,56% após frustrar as estimativas de vendas. O MGM Resorts, que possui cassinos em Macau, fechou em queda de 5,53%.