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NY: Após acordo EUA-China, bolsas sobem; Dow Jones e S&P 500 renovam máximas

André Mizutani e Gabriel Roca

Ainda assim, a resposta positiva foi relativamente contida, com os investidores receosos sobre o aparente avanço das negociações O Dow Jones e o S&P 500 renovaram as suas máximas históricas após a assinatura da "primeira fase" do acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, nesta quarta-feira (15). Ainda assim, a resposta positiva foi relativamente contida, com os investidores receosos sobre o aparente avanço das negociações.

O Dow Jones fechou em alta de 0,31%, a 29.030,22 pontos, o S&P 500 avançou 0,19%, a 3.289,29 pontos, e o Nasdaq subiu 0,08%, a 9.258,70 pontos. O índice tecnológico foi o único a não renovar o seu recorde de fechamento, encerrando a sessão um pouco mais de 15 pontos atrás da máxima anotada na segunda-feira (13), de 9.273,93 pontos.

Os três índices chegaram a bater novas máximas intradiárias após a assinatura do acordo, que estabelece a suspensão de tarifas americanas que estavam programadas para entrar em vigor e a ampliação de US$ 200 bilhões das importações de produtos e serviços americanos pela China.

Os índices, porém, reverteram boa parte dos ganhos, com o Nasdaq e o S&P 500 chegando a operar brevemente em terreno negativo, com os investidores reavaliando os termos do acordo. Apesar da reversão de parte das taxas, os Estados Unidos manterão tarifas sobre US$ 360 bilhões de produtos importados da China — o que representa cerca de dois terços do que os americanos importam do país asiático — pelo menos ao longo dos próximos dez meses.

Além disso, a maior parte do acordo está relacionado à quantidade de compras chinesas sobre produtos americanos. Pequim se comprometeu a comprar US$ 200 bilhões adicionais em produtos e serviços nos próximos dois anos, que incluem bens manufaturados, agricultura, energia e serviços. O acordo deu quantias em dólares para amplas categorias de produtos, mas não forneceu nenhum plano de compra detalhado.

Segundo Paul Asworth, economista-chefe de Estados Unidos da Capital Economics, as exportações dos EUA para a China caíram para US$ 163 bilhões no ano passado, e, portanto, aumentá-las em US$ 200 bilhões em dois anos exigiria um aumento anual de até 50% em 2020. Em teoria, isso poderia adicionar 0,5 ponto porcentual ao crescimento do PIB dos EUA, tornando o fator muito mais importante do que a reversão limitada nas tarifas, conforme calculou o conselheiro comercial da Casa Branca, Larry Kudlow, à Fox News, hoje.

"Na realidade, a escala dos aumentos necessários nas compras chinesas significa que isso nunca vai acontecer. E, como a produção agrícola e de energia são restritas à oferta, particularmente no curto prazo, um aumento nas exportações dos EUA para a China seria compensado pelo declínio nos envios para outros países", afirmou.

Incertezas se mantêm

Os receios dos investidores se refletiram nos ganhos setoriais do S&P 500: as ações de serviços de utilidade pública — que pagam altos dividendos e são considerados mais defensivas — lideraram os ganhos no índice amplo hoje. Além disso, as ações do setor imobiliário (+0,77%) e de consumo básico (+0,65%) fecharam, respectivamente, com a terceira e a quarta melhores performances setoriais na sessão, atrás das ações de saúde (+0,85%).

Já as ações da gigante industrial Caterpillar, que tem forte exposição à China e é vista como um barômetro das tensões comerciais, fecharam em queda de 0,76%, nesta quarta.

Além dos receios em relação aos avanços das negociações, os balanços corporativos divulgados também não animaram os investidores. O Goldman Sachs frustrou a estimativa de lucro do mercado, enquanto o Bank of America registrou uma queda nos resultados corporativos de 4,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior, ainda que tenha superado a estimativa de consenso. Os papéis do Goldman fecharam em queda de 0,18% e do Bank of America, de 1,84%.