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Nunca as mulheres dirigiram tantos filmes populares quanto em 2020

Laísa Trojaike
·2 minuto de leitura

Embora as mulheres tenham produzido muitos filmes ao longo da história do cinema, a porcentagem reduzida de cineastas mulheres costuma ser ainda menor quando olhamos para as maiores bilheterias do ano. O cenário, no entanto, dá sinal de mudanças: ao olharmos para as estreias mais rentáveis de 2020, é possível notar um aumento significativo nessa porcentagem.

As informações surgiram em um dos estudos do Centro de Estudo das Mulheres na Televisão e no Cinema da Universidade Estadual de San Diego, dados que foram divulgados para o público não-acadêmico através da Variety. Dentro os 100 filmes mais rentáveis de 2018, apenas 4% eram dirigidos por mulheres, porcentagem que aumentou significativamente no ano seguinte, quando chegou a 12%.

Lois Weber, uma das pioneiras do cinema (Imagem: Reprodução)
Lois Weber, uma das pioneiras do cinema (Imagem: Reprodução)

Em 2020, as mulheres representam 16% dos cargos de direção dos filmes comercialmente mais relevantes do ano. A crescente é ainda mais significativa se levarmos em conta que 2020 foi o ano que parou a indústria cinematográfica e bagunçou o calendário de lançamentos.

Dra. Martha Lauzen, diretora do Centro de Estudo, supervisionou a pesquisa nas últimas duas décadas e comemorou o número, mas ressalta que ainda há mudanças a serem feitas, já que 80% dos filmes pesquisados foram dirigidos por homens: “A boa notícia é que agora vimos dois anos consecutivos de crescimento para mulheres que dirigem. Isso quebra um padrão histórico recente no qual os números tendem a subir um ano e cair no próximo. A má notícia é que 80% dos melhores filmes ainda não têm uma mulher no comando".

Patty Jenkins, diretora de um dos filmes mais aguardados de 2020, Mulher-Maravilha 1984 (Imagem: Reprodução/Warner Bros.)
Patty Jenkins, diretora de um dos filmes mais aguardados de 2020, Mulher-Maravilha 1984 (Imagem: Reprodução/Warner Bros.)

A oscilação citada por Lauzen pode ser vista em outros setores. A pesquisa revelou mais uma vez que mulheres continuam sendo minoria em diversos setores técnicos: apenas 18% dos editores, 12% dos roteiristas e 3% dos cinefotógrafos são mulheres nos 100 filmes que serviram como base para a pesquisa. A baixíssima porcentagem de cinefotógrafas aumentou em 1%, mas o número de editoras e roteiristas caiu em relação a 2019, quando eram 23% e 20% respectivamente.

Devido à pandemia, a pesquisa considerou pela primeira vez os meios digitais de lançamento e conferiu a porcentagem de mulheres empregadas na realização de 20 filmes mais assistidos em casa de março a dezembro de 2020. Com relação a esta lista, todas as mulheres que trabalharam como diretoras, roteiristas, produtoras executivas, produtoras, editoras e cinefotógrafas somam, juntas, apenas 19% dos trabalhadores empregados.

As maiores premiações do cinema, dentre elas o popular Oscar, têm criado exigências de representatividade que devem causar mudanças cada vez mais significativas nos próximos anos. Até então, os números mostram que, embora as porcentagens tenham aumentado, o antigo padrão continua prevalecendo.

Fonte: Canaltech

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