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O que os nudistas fazem em tempos de quarentena?

Os naturalistas levaram a prática para dentro de casa - e ganharam adeptos durante a quarentena (Foto: Getty Creative)

Em tempos de quarentena, distanciamento social e coronavírus, o que fazem os amantes das praias nudistas e adeptos do nudismo? Aparentemente, eles levam o seu estilo de vida também para o online. 

É isso que diz Laurent Luft, presidente da Associação de Naturalistas de Paris, uma associação que funciona na capital francesa desde 1953. A cidade, que também sofreu as consequências da pandemia mundial de covid-19, exigiu que seus cidadãos entrassem em lockdown para evitar a rápida transmissão do vírus. Para Laurent não foi diferente - o único ponto é que ele precisou encontrar outra forma de manter o seu lifestyle vivo. 

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Além de nadar sem roupas nas famosas piscinas públicas da cidade, ele coordena e organiza visitas (igualmente nuas) à galerias de arte e museus, passeios no parque para tomar sol e noites de boliche e jantares (em que a roupa é opcional para os participantes) pela cidade. 

Agora, porém, a plataforma em que esses encontros acontecem também se tornou online, e Laurent tem organizado aulas de yoga e de culinária para naturalistas pelo YouTube. "Isso não compensa o contato cara a cara que nós costumávamos ter, mas é algo para manter a associação funcionando", explica para o CNN Travel. 

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Os naturalistas acreditam que tornar opcional o uso de roupas permite que as pessoas questionem e se libertem de amarras impostas pela sociedade. Inclusive, por conta da quarentena, Laurent percebeu que muitos simpatizantes têm, de fato, se perguntado sobre as regras que seguem e a forma que lidam com as imposições da vida na sociedade moderna, além de repensarem a sua relação com o trabalho, o lazer e com o seu próprio estilo de vida. 

Aliás, para o gerente de marketing da British Naturism, Andrew Welch, o naturalismo pode ser o próximo passo natural para pessoas que se viram passando o dia inteiro de pijamas, sem a obrigação de colocar uma roupa "apropriada" para trabalhar. Ele até mesmo notou um aumento da tendência naturalista no Reino Unido, desde o começo do lockdown imposto pelo governo no combate ao covid-19. 

A transição para o digital permitiu que mais pessoas entrassem em contato com as ideias naturalistas e testassem essa nova visão em casa, muito embasadas também por um repensar da rapidez com que as coisas aconteciam e com que o mundo rodava antes, além da busca por uma conexão maior consigo mesmos, com a natureza e com a própria rotina. 

"As pessoas têm acompanhado os nossos vídeos e nos mandado mensagens dizendo 'Vocês nos inspiraram a tentar"", continua Laurent. "Se você está se sentindo confinado e aprisionado, tirar as suas próprias roupas pode fazer com que você se sinta um pouco mais livre. Então, mesmo em nossos pequenos apartamentos parisienses, muitas vezes sem jardins ou varandas, nós ainda temos essa possibilidade."

Ainda assim, os dois naturalistas explicam como a tendência têm mais força quando acontece em massa e, claro, ao vivo. "Quando você está nu com outras pessoas, você já está se mostrando fisicamente, não tem nada a esconder, nenhum disfarce. Então, a tendência é que você seja mais aberto, desenvolva relacionamentos mais profundos e converse com mais profundidade", continua Laurent. 

Até isso acontecer, porém, os eventos online mantêm a ideia viva (e as roupas bem longe), inclusive angariando novos adeptos que, quem sabe, se unam aos grupos quando a situação normalizar e viajar, passear por parques ou museus e ir às praias sem roupa seja uma possibilidade novamente.