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Nubank quer chegar a 20 milhões de clientes até o fim do ano

Nathan Crooks
Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

O Nubank vem encurtando a distância dos grandes bancos do país e pode terminar o ano com mais de 20 milhões de clientes, segundo a cofundadora Cristina Junqueira.

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Em entrevista em Miami na sexta-feira, Junqueira disse que a empresa tem conquistado cerca de 1,5 milhão de clientes por mês, aproximando a startup dos cinco maiores bancos brasileiros em número de clientes, como Santander Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco. O Nubank possui atualmente cerca de 15 milhões de clientes.

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“As coisas avançaram muito rapidamente”, disse. “As chances são de que chegaremos a 20 milhões antes do final do ano.”

Desafios dos clientes

O Santander Brasil possui 46,4 milhões de clientes, segundo dados do Banco Central, o quinto maior banco do país nesse critério, dos quais 25,5 milhões são ativos, de acordo com o banco.

A expansão do Nubank - que tem a Tencent Holdings e a Sequoia Capital entre seus investidores - mostra que clientes na América Latina estão buscando alternativas aos altos juros dos cartões de crédito e tarifas oferecidos por bancos tradicionais. A fintech usa big data para avaliar a solvência em mercados geralmente conhecidos por falta de histórico de crédito e juros elevados.

Avaliada em US$ 10,4 bilhões em sua última rodada de financiamento, a fintech fundada há seis anos ainda não registrou lucro e enfrenta riscos políticos e regulatórios nos mercados em que atua. Ainda assim, Junqueira disse que a empresa poderia gerar lucro líquido se não estivesse tão focada no crescimento.

“Percebemos que há estruturas de oligopólio” em todos os lugares, problemas “horríveis” enfrentados por clientes e spreads extremamente altos, disse a executiva.

O Nubank iniciou as operações no México no início do ano e abriu um escritório na Argentina. O resultado da eleição presidencial no domingo não deve alterar os planos do Nubank de entrar no mercado argentino, segundo Junqueira.

Argentina

A executiva disse que a empresa poderia solicitar uma licença bancária na Argentina, porque o quadro regulatório no país é diferente do Brasil -- onde o Nubank tem apenas uma licença de financeira. Embora o produto inicial ainda não tenha sido definido, os cartões de crédito seriam uma escolha lógica.

“Os fundamentos ainda existem”, disse sobre a Argentina, acrescentando que o Nubank criaria uma grande equipe de engenheiros para servir toda a região. “É uma população enorme, mal atendida” pelas atuais instituições. “As pessoas ainda estão pagando juros extremamente altos.”

No México, a empresa iniciou o teste de cartões de crédito para várias centenas de “amigos e familiares” e tem dezenas de milhares de pessoas na lista de espera.

“O objetivo é continuar crescendo o mais rápido possível, porque há demanda, e o mais bonito é que a grande maioria desse crescimento ainda ocorre organicamente”, disse Junqueira.