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Novos gadgets ficam discretos para virarem rotina do público

RAFAEL BALAGO
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 07.10.2019: Logo do Google. (Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena/Folhapress)

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Faltou um item no evento anual de lançamento de produtos do Google, em outubro, em Nova York. Havia celular, tablet, notebook, alto-falante inteligente. Mas nenhum relógio foi mostrado.

A resposta para essa ausência veio duas semanas depois: a empresa anunciou, no início de novembro. a compra da Fitbit --que começou fabricando pulseiras para monitorar exercícios e depois passou a fazer também relógios inteligentes-- por US$ 2,1 bilhões.

O movimento é mais um sinal de como os grandes fabricantes de tecnologia trabalham para tornar a tecnologia ainda mais onipresente e, ao mesmo tempo, discreta. Apostam nos itens vestíveis e em aparelhos domésticos de voz.

"Os smartwatches são caros e não são tão bons, mas não dou cinco anos para que haja uma explosão deles", projeta Luciano Soares, coordenador do laboratório de Realidade Virtual do Insper. "Ainda há pouca concorrência, mas quando os chineses entrarem para valer, o mercado mudará".

Há novidades em fones sem fio, como o do Apple, que promete sensação de ter nada na orelha e bateria para até 4 horas e meia de uso contínuo. O Google deve lançar em 2020 o Pixel Buds, capaz de funcionar com o celular à distância, como em outro cômodo da casa ou no armário da academia.

Os dois vêm com tecnologia para assistentes de voz, que permitem buscas na internet, mudar a música e fazer chamadas sem tocar em botões.

Alto-falantes inteligentes para uso doméstico começam a chegar ao Brasil. A Amazon trouxe seus aparelhos Echo. O Nest, do Google, também está a caminho. O anúncio será feito nesta segunda-feira (11).

Eles podem ser conectados a tomadas e lâmpadas, para ligar e desligar aparelhos via coman- dos de voz. Têm design discreto e cores sóbrias, como se quises- sem fazer de conta que não estão ali. Seguem o caminho das TVs, que trazem bordas e profundidade cada vez menores.

"Ainda há uma questão de status nos aparelhos que as pessoas carregam fora de casa, mas nos lugares onde permanecemos, não há tanto essa preocupação", avalia Pollyana Notargiacomo, especialista em tecnologia do Mackenzie.

A expectativa é que os sistemas passem a conhecer de forma minuciosa a rotina dos usuários e, com inteligência artificial, detectar padrões, como notar que toda terça, perto das 20h, seu dono costuma sentar na poltrona para ler. Por que, então, não acender o abajur pouco antes disso?

"O aparelho é capaz de 'entender' as tarefas mais comuns pedidas e de processá-las sem depender da internet, o que acelera as respostas", diz Matt Vokoun, diretor de gerenciamento de produtos no Google.

Ele diz que os dados jamais serão usados para publicidade.

A Apple também aposta no machine learning: seu chip mais moderno para iPhones, o A13, tem um núcleo dedicado a isso, usado para melhorar o processamento de linguagem, para deixá-la mais natural, no reconhecimento de imagens e vídeos e na animação de personagens e de elementos de realidade virtual.

Alto-falantes, fones e relógios são esforços para convencer o público a desejar coisas novas, já que as vendas de celulares estão caindo. As vendas de iPhone caíram 9% no terceiro trimestre, por exemplo.

Para ampliar seus ganhos, grandes fabricantes de hardware criam novos canais de conteúdo. O pacote Amazon Prime junta música, livros, filmes e séries. A Apple lançou uma plataforma de programas (+TV) e outra de jogos (Arcade), e o Google lança um pacote de games (Stadia), todos pagos via assinatura.t Vokoun, diretor de gerenciamento de produtos no Google.

Ele diz que os dados jamais serão usados para publicidade.

A Apple também aposta no machine learning: seu chip mais moderno para iPhones, o A13, tem um núcleo dedicado a isso, usado para melhorar o processamento de linguagem, para deixá-la mais natural, no reconhecimento de imagens e vídeos e na animação de personagens e de elementos de realidade virtual.

Alto-falantes, fones e relógios são esforços para convencer o público a desejar coisas novas, já que as vendas de celulares estão caindo. As vendas de iPhone caíram 9% no terceiro trimestre, por exemplo.

Para ampliar seus ganhos, grandes fabricantes de hardware criam novos canais de conteúdo. O pacote Amazon Prime junta música, livros, filmes e séries. A Apple lançou uma plataforma de programas (+TV) e outra de jogos (Arcade), e o Google lança um pacote de games (Stadia), todos pagos via assinatura.