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Novos designs da ARM prometem levar uso de IAs locais a outro nível

Rafael Rodrigues da Silva

Na segunda-feira (10) a ARM anunciou dois novos designs de chips desenvolvidos especialmente para o trabalho com inteligência artificial: o Cortex-M55 (um processador especializado nas operações de IA) e o Ethos-U55 (uma unidade de processamento neural que pode ser usada em conjunto com o M55 em operações que demandam maior capacidade de processamento).

Ambos os chips são do tipo Edge AI, ou seja, desenvolvidos para o processamento local de aplicações em IA. Essa é uma das principais tendências deste mercado, já que equipamentos dessa categoria não só não necessitam estar conectados à internet para funcionar, como ainda garantem maior segurança e velocidade nas operações, pois elas não transmitem informações para um servidor na nuvem.

O Cortex-M55 é o modelo mais recente da linha de processadores Cortex-M da ARM. A companhia afirma que ele será 15 vezes mais rápido no aprendizado de máquina e cinco vezes no processamento de dados digitais quando comparado às gerações anteriores do mesmo processador. Mas, quando o processador é usado junto com o Ethos-U55, é aí que podemos notar uma diferença de peso, pois nesses casos o sistema oferece uma melhoria de desempenho no aprendizado de máquina 32 vezes maior do que nos processadores das gerações anteriores, e um aumento de 480 vezes no processamento de dados digitais.

De acordo com a ARM, esses novos designs permitirão um avanço nas possibilidades de uso da tecnologia Edge AI, permitindo que ela possa sair da utilização apenas para a busca de palavras-chave ou detecção de vibração para aplicações mais complexas, como reconhecimento de objetos, gestos e até de voz. Entre alguns usos possíveis dos novos chips estão o de uma câmera 360ª móvel que consegue identificar possíveis obstáculos no caminho, ou trilhos de trem que conseguem identificar problemas locais e mudar suas operações para evitar atrasos para os passageiros.

Apesar dos novos designs terem sido anunciados nesta semana, a empresa acredita que os primeiros chips feitos a partir deles deverão chegar ao mercado apenas em 2021. Isso porque, assim como nas gerações anteriores, a ARM não está fabricando os processadores, mas apenas fornecendo a arquitetura e toda a documentação necessária para as empresas que quiserem usá-la na confecção de seus próprios chips.

Fonte: Canaltech

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