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Novos confrontos entre Israel e Hezbollah eclodem na fronteira do Líbano

Jalaa MAREY, con Guillaume LAVALLÉE en Jerusalén
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Bandeira do Hezbollah no sul do Líbano, em 14 de julho de 2020
Bandeira do Hezbollah no sul do Líbano, em 14 de julho de 2020

O Exército israelense reivindicou nesta quarta-feira (26) ataques aéreos contra posições do Hezbollah no Líbano, ao longo da fronteira Israel-Líbano, área patrulhada por capacetes azuis da ONU, em "resposta" a tiros do movimento xiita contra seus soldados.

"Aconteceram disparos a partir do Líbano contra soldados israelenses. Os soldados responderam com a ajuda de sinalizadores e tiros. Depois, durante a noite, helicópteros de combate e aviões bombardearam posições do Hezbollah", movimento xiita libanês, anunciou o Exército israelense em um comunicado, que não menciona vítimas.

"Aconselho o Hezbollah a não testar a força de Israel e a não colocar o Líbano novamente em perigo, devido às suas agressões", advertiu o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que está de férias em Safed, cidade localizada a 40 quilômetros da fronteira.

Israel considera de "uma gravidade extrema" os tiros contra seus soldados na fronteira libanesa, disse Netanyahu, que prometeu uma resposta "enérgica", caso os ataques voltem a acontecer.

Algumas horas, as Forças Armadas israelenses anunciaram um "incidente de segurança" perto do kibutz de Manara, ao longo da "linha azul", fronteira de fato entre os dois países, que estão tecnicamente em guerra.

Várias fontes israelenses citaram à AFP tiros a partir do Líbano contra Israel. A agência nacional libanesa informou o lançamento de "sinalizadores" de Israel contra o Líbano e tiros com "arma automática".

Projéteis caíram perto de casas da localidade libanesa de Hula, mas alguns não explodiram.

"Os israelenses bombardearam a área das 23h30 até 1h30. Bombardearam sem razão", afirmou um morador, que pediu anonimato.

Na manhã de quarta-feira, a situação no kibutz era tranquila. Na véspera, o Exército havia solicitado à população que se preparasse para seguir até um local seguro, em caso de escalada.

O novo incidente aconteceu depois que o Hezbollah anunciou no fim de semana que derrubou um drone israelense que cruzou a fronteira com o Líbano. O Estado hebreu se limitou a informar que o aparelho "caiu em território libanês".

Quase 10.500 capacetes azuis da Missão da ONU no Líbano (Finul) patrulham a fronteira entre os países para velar pelo cumprimento da resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A resolução foi adotada após a guerra entre Israel e Hezbollah, em 2006, para prevenir um novo conflito.

Na semana passada - no momento em que se aproxima a data de renovação do mandato da Finul -, Israel pediu uma reforma da missão, a qual acusa de "parcialidade e ineficácia" porque, no seu entender, não tem acesso a todas as zonas do sul do Líbano.

Israel acusa o Irã e seu aliado Hezbollah de tentativa de transformar foguetes em mísseis de precisão no Líbano, capazes de desativar o escudo antimísseis israelense, chamado de Cúpula de Ferro. O objetivo, segundo o governo israelense, seria provocar danos significativos às suas posições estratégicas.

Israel anunciou em julho que impediu uma tentativa de invasão de combatentes do Hezbollah em seu território. O movimento xiita libanês negou qualquer envolvimento no incidente.

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