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Novo presidente do Irã toma posse e se diz aberto à diplomacia

·3 minuto de leitura
O novo presidente do Irã, Ebrahim Raisi

O novo presidente iraniano, o ultraconservador Ebrahim Raisi, anunciou nesta quinta-feira (5) durante sua posse que apoiará qualquer iniciativa para suspender as sanções ocidentais, mas advertiu que nem elas nem a pressão impedirão o Irã de defender seus "direitos legais".

Raisi foi empossado hoje perante o Parlamento, embora tenha oficialmente iniciado seu mandato de quatro anos na terça-feira, após ser empossado pelo guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

"Vou me dedicar a servir ao meu povo, honrar o país, propagar a religião e a moralidade e apoiar a verdade e a justiça", jurou Raisi, ex-chefe da Autoridade Judicial, durante cerimônia nesta quinta-feira em Teerã, transmitida ao vivo pela televisão estatal.

O novo governante substituiu o moderado Hassan Rohani, cuja principal conquista em seus dois mandatos foi o acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis potências ocidentais.

Mas o país tem enfrentado uma profunda crise econômica e social desde que o ex-presidente americano Donald Trump retirou unilateralmente o país do acordo em 2018 e voltou a impor sanções.

Nesta quinta-feira, ele afirmou que apoiará "qualquer plano diplomático" que permita o levantamento dessas sanções, mas ressaltou que nem as sanções nem a pressão impedirão o Irã de defender seus "direitos legais".

O Irã realizou seis rodadas de negociações com potências mundiais entre abril e junho em Viena para tentar ressuscitar o acordo nuclear, mas a última rodada de diálogo terminou em 20 de junho sem data marcada para a próxima reunião.

O novo governo tentará suspender as sanções "opressivas", mas "não vinculará as condições de vida do país à vontade dos estrangeiros", apontou Raisi na terça-feira.

O presidente de 60 anos enfrenta advertências dos Estados Unidos, Reino Unido e Israel sobre um ataque mortal na semana passada a um petroleiro, pelo qual Teerã nega responsabilidade.

O Irã também tem sido duramente atingido pela pandemia de covid-19, com mais de quatro milhões de casos e mais de 92.000 mortes.

- Convidados estrangeiros -

Sua cerimônia de posse contou com a presença de cerca de 70 autoridades estrangeiras, incluindo o presidente afegão Ashraf Ghani e o líder do movimento islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh.

Também esteve presente o negociador nuclear europeu Enrique Mora, que se encontrou nesta quarta-feira em Teerã com o ministro das Relações Exteriores, Javad Zarif.

As autoridades impuseram restrições ao tráfego em Teerã nas ruas ao redor do Parlamento e os voos foram suspensos por duas horas e meia na capital iraniana e nas províncias vizinhas de Alborz e Qazvin, informou a televisão estatal.

O governo Raisi terá que consolidar o poder nas mãos dos conservadores, que venceram as eleições legislativas de 2020, marcadas pela desqualificação de milhares de candidatos reformistas e moderados.

O novo presidente iniciou os trabalhos já na quarta-feira, presidindo uma reunião da equipe de trabalho sobre o coronavírus e se reunindo com ministros do governo cessante, segundo o site da Presidência.

Raisi enfrenta desafios em várias frentes, notaram vários meios de comunicação iranianos após a sua posse.

As sanções dos EUA sufocam o Irã e suas exportações de petróleo, enquanto a economia contraiu mais de 6% em 2018 e 2019.

O presidente terá que "enfrentar múltiplos desafios devido à miríade de problemas", disse o editorial do jornal ultraconservador Kayhan na quarta-feira, citando "inflação sem precedentes", altos custos de habitação, recessão e corrupção.

Outro jornal ultraconservador, Javan, destacou a necessidade de resolver no curto prazo a falta de água, luz, produtos básicos e vacinas.

Teerã e outras grandes cidades começaram a sofrer apagões em julho, que as autoridades atribuem ao impacto da seca nas usinas hidrelétricas e ao aumento da demanda.

Enquanto isso, manifestantes saíram às ruas da província do Khuzistão, no sudoeste do país, para protestar contra a falta de água.

O jornal reformista Sharq exortou o novo governo a "promover a liberdade de imprensa" e mostrar grande tolerância para permitir o surgimento de "discursos e vozes diferentes".

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