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Novo método de detectar exoplanetas revela mundos em estrelas cataclísmicas

Planetas na órbita de duas estrelas já foram encontrados, mas e se essas estrelas estiverem em uma órbita cataclísmica? Bem, não só é possível existirem mundos ao redor desses sistemas, como alguns exemplares já foram descobertos. E o melhor é que, com isso, os astrônomos inauguram mais um método para detectar exoplanetas.

Pesquisadores da Universidade Autônoma de Nuevo León (UANL), da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e da Universidade de Nova York Abu Dhabi demonstraram como um exoplaneta foi descoberto na órbita de um sistema de variáveis cataclísmicas (VCs).

As VCs são estrelas binárias (ou seja, compartilham uma órbita em comum) próximas entre si, normalmente formadas por uma anã branca e uma anã vermelha, estrelas com massa entre 0,07 e 0,30 massas solares e 0,75 massas solares, respectivamente.

Como a anã branca é muito mais densa, acaba “sugando” a matéria da anã vermelha. No processo, a transferência de matéria forma um disco de acreção ao redor da anã branca, resultando na maior parte do brilho dos sistemas VCs.

Um terceiro corpo escuro orbitando a dupla pode influenciar a taxa de transferência de massa entre as duas estrelas, causando uma variação inesperada no brilho de todo o sistema. É daí que vem o novo método para detectar exoplanetas nesse tipo de sistema.

Ilustração de uma variável cataclísmica observada a partir de um planeta em sua órbita (Imagem: Reprodução/Debahni Selene Lopez Morales)
Ilustração de uma variável cataclísmica observada a partir de um planeta em sua órbita (Imagem: Reprodução/Debahni Selene Lopez Morales)

Os cientistas liderados pelo Dr. Carlos Chavez analisaram os dados de quatro sistemas de VCs. Em dois deles, a equipe encontrou um terceiro objeto escuro através das mudanças de brilho. Esse tipo de estrela binária já possui uma variação típica em seu brilho, causada pela passagem de uma estrela pela outra, mas os cálculos mostraram que não era este o caso.

De acordo com o estudo da equipe, as variações de brilho têm períodos muito longos em comparação com os períodos orbitais que poderiam ser encontrados nas duas VCs. Os cientistas concluíram que essas variações correspondiam a corpos semelhantes a planetas na órbita das estrelas binárias.

“Nosso trabalho provou que um terceiro corpo pode perturbar uma variável cataclísmica de tal forma que pode induzir mudanças no brilho do sistema”, disse o Dr. Chavez. “Essas perturbações podem explicar tanto os longos períodos observados — entre 42 e 265 dias — quanto a amplitude dessas mudanças no brilho”.

Essa nova técnica de detecção de exoplanetas pode ser promissora na busca por mundos ao redor de sistemas binários. Se for comprovado como eficaz, o método poderia levar astrônomos a uma nova onda de descobertas de mundos exóticos ao redor de estrelas improváveis.

O artigo que descreve a descoberta foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: Canaltech

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