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Aprender um novo idioma pode ajudar a retardar o Alzheimer

Aprender um novo idioma pode ajudar com a memória. Foto: Getty Images

Por Nicola Ferreira, da Agência Einstein

Dominar mais de um idioma ainda é um privilégio de uma pequena parcela da população. Não à toa, o chamado bilinguismo, ou seja, ser capaz de falar mais de uma língua, é um fator que pode garantir pontos a mais na disputa por um emprego.

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Ele também parece ser benéfico para a saúde, sobretudo a do cérebro. Para se ter uma ideia, estudos vêm demostrando que ser poliglota pode retardar, por exemplo, o avanço do Alzheimer, doença degenerativa que apaga as memórias, compromete a linguagem e a autonomia da pessoa. No Brasil, estima-se que dois milhões de indivíduos sejam acometidos pelo problema.

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“Ao falar mais de uma língua você pratica exercícios neurais, fazendo com que o cérebro fique mais ativo”, afirma Andrea Muner, que é professora de inglês e doutoranda da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde fez mestrado no Programa de Saúde Baseada em Evidências. Ela é autora de artigo recente que analisou diversas pesquisas que correlacionam o bilinguismo com o Alzheimer. 

Já que o assunto é pesquisa, um estudo da Universidade Vita-Salute San Raffaele, na Itália, analisou a massa cinzenta de 95 moradores do Norte do país europeu. Todos apresentavam sintomas de Alzheimer. Do grupo, 45 falavam fluentemente italiano e alemão, os demais apenas uma das duas línguas. Os resultados mostraram que os poliglotas foram diagnosticados com a doença cinco anos mais tarde em comparação com quem se expressava por meio de somente um idioma. O efeito foi ainda mais evidente naqueles que praticaram o bilinguismo desde a infância. “Quanto mais cedo o aprendizado de uma língua estrangeira, melhor”, salienta Andrea Muner.

O estímulo a partir dos primeiros anos de vida possibilita a criação de mais conexões neuronais com as áreas do cérebro associadas ao controle executivo, como o raciocínio, e que ficam localizadas no lado esquerdo do órgão – ali estão o córtex cingulado anterior, responsável pelo comando dos impulsos, e o córtex pré-frontal esquerdo, que está envolvido no planejamento de nossos comportamentos. No fim das contas, aquela rede de células nervosas se torna mais resistente à degeneração. Isso também explica por que os bilíngues apresentaram sintomas menos severos da doença. 

Outra pesquisa, dessa vez realizada no Instituto Universitário de Geriatria de Montreal, no Canadá, apontou que idosos monolíngues precisam ativar um maior número de regiões cerebrais para realizar uma tarefa que consistia em se concentrar na informação visual de um objeto, como a cor dele, especialmente as que são coordenadas pelo córtex pré-frontal, justamente o mais vulnerável ao envelhecimento. Já os bilíngues fazem a mesma ação sem precisar recorrer à essa área, ou seja, eles têm uma maior eficiência no que tange a resolver problemas e, de quebra, seu cérebro se mantém, por assim dizer, jovem por mais tempo. 

Infelizmente, o bilinguismo ainda é pouco difundido entre nós. Uma pesquisa realizada pela British Council¸ organização internacional do Reino Unido para relações culturais e oportunidades de educação, mostrou que apenas 5% dos brasileiros sabem falar inglês. “Ainda há muitas diferenças econômicas e sociais que impedem a capacitação de mais pessoas. Seria necessária uma melhor capacitação profissional, além das escolas públicas terem a condição de ser bilingues”, complementa a pesquisadora.

(Fonte: Agência Einstein)

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