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Novo filme tenta mudar narrativa sobre vida de Billie Holiday

Rollo Ross
·2 minuto de leitura
Andra Day se apresenta na Times Square em Nova York

Por Rollo Ross

LOS ANGELES (Reuters) - Billie Holiday, considerada uma das maiores cantoras de jazz de todos os tempos, é lembrada há muito tempo por sua voz expressiva, seu histórico de abuso de drogas e álcool e sua morte prematura aos 44 anos.

O novo filme "Os Estados Unidos vs. Billie Holiday" pretende mudar a percepção do público sobre a cantora e lançar luz sobre seu papel de líder da busca por direitos civis para os negros, disseram o diretor Lee Daniels e a protagonista do filme, Andra Day, à Reuters.

Com estreia no serviço de streaming Hulu na sexta-feira, a produção conta a história do tumulto causado quando Holiday cantou a balada "Strange Fruit", uma canção de protesto sobre o linchamento de pessoas negras. Ela a interpretou inicialmente em 1939 no primeiro clube noturno racialmente integrado da cidade de Nova York, o Café Society.

Autoridades do governo ordenaram que ela parasse de cantar "Strange Fruit". Quando ela se recusou, o FBI visou Holiday em meio a uma repressão ao uso de drogas, de acordo com o filme, que se baseia em um relato presente em um livro de 2015 do jornalista Johann Hari chamado "Na Fissura: Uma História do Fracasso no Combate às Drogas".

O diretor Lee Daniels disse que quis ressaltar esta parte pouco conhecida da vida de Holiday e mostrá-la como mais do que uma figura trágica.

"A história de Billie precisa ser contata. E quantas outras historias como a de Billie existem por aí que não conhecemos? Foi isso que achei incômodo. Que eu estivesse com 61 anos e aqui estamos. Ainda estou descobrindo a importância de 'Strange Fruit'".

A cantora e compositora indicada ao Grammy Andra Day, que interpreta Holiday, recebeu uma indicação ao Globo de Ouro. Day disse que assumiu o papel para ajudar a formar narrativas em torno da história negra.

"A guerra narrativa é muito importante para realmente erradicar a opressão, para realmente desfazer e quebrar o sistema", disse.