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Mortes por coronavírus na China sobem para 80; ministro pede calma

Valor

Autoridade chinesa afirmou que capacidade de transmissão está se fortalecendo e que reforçou as ações de contenção As autoridades de saúde pública chinesas pediram calma neste domingo, mesmo quando alertaram que o perigoso novo vírus no centro de um surto de rápida disseminação está se tornando mais contagioso, colocando mais pressão em um esforço já contido.

"Estamos agora em um período crítico de prevenção e controle", disse Ma Xiaowei, ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, em uma entrevista coletiva à imprensa em Pequim no domingo para lidar com o coronavírus, que infectou mais de 2.700 pessoas e matou pelo menos 80, a maioria na província de Hubei, no centro da China.

Zhou Xianwang, o prefeito de Wuhan, o epicentro do surto, disse em uma entrevista coletiva também neste domingo que espera que os especialistas confirmem outros cerca de mil casos suspeitos de infecção sob monitoramento. A maioria dos casos confirmados na China continental até agora está em Wuhan e nos arredores. Zhou disse que mais de cinco milhões de pessoas deixaram Wuhan. Muitos moradores vêm de toda a região e normalmente deixam a cidade para o Ano Novo Lunar, e não se sabe quantos fugiram especificamente por causa do vírus.

O ministro Ma Xiaowei disse ainda que o novo coronavírus pode se espalhar antes mesmo do aparecimento de sintomas. Segundo a Reuters, Ma afirmou ainda que a capacidade de transmissão do coronavírus está se fortalecendo e reforçou as ações de contenção, que até agora incluem restrições de transporte e viagens, além do cancelamento de grandes eventos.

O ministro disse também que o período de incubação do coronavírus pode variar de 1 a 14 dias, sendo infeccioso durante a incubação, o que não foi o caso da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) — um coronavírus que se originou na China e matou quase 800 pessoas globalmente em 2002 e 2003.

A China também anunciou proibição nacional da venda de animais silvestres em mercados, restaurantes e plataformas de comércio eletrônico. Acredita-se que o vírus tenha se originado no fim do ano passado num mercado na cidade chinesa de Wuhan, que vendia ilegalmente animais selvagens.

Segundo o veículo estatal CCTV, o país asiático estuda estender o feriado do Ano Novo chinês para diminuir as possibilidades de dispersão do vírus nas escolas e no trabalho.

O governo local divulgou ontem que o número de mortes causadas pelo coronavírus na China chegou a 56, incluindo a primeira vítima fatal em Xangai. De acordo com a agência Reuters, 1.975 pessoas já tiveram diagnósticos da doença confirmados no país e 49 estão curadas.

Na província de Hubei, havia 13 cidades com restrições de circulação até sexta-feira, o que afeta cerca de 40 milhões de pessoas. Na manhã de hoje (hora local), foi anunciado que a cidade de Tianjin também irá interromper a circulação de todos os ônibus intermunicipais para conter a disseminação do vírus.

A China vai suspender todas as viagens turísticas que partem do país a partir desta segunda-feira para tentar conter o surto de coronavírus. Ontem, a Associação de Turismo da China anunciou que as viagens em grupo ao exterior estarão suspensas. Segundo a associação, viagens domésticas já estavam sob restrição desde sexta-feira.

(Com G1 e agências internacionais)