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Novembro Negro

·4 min de leitura

A pauta empresarial do momento responde por três letras ou uma sigla, a saber: ESG. No dicionário das organizações, ESG é definido como: Environment, Social and Corporate Governance, que em português quer dizer, basicamente, melhores práticas ambientais, sociais e de governança.

Para que um negócio seja reconhecido como ESG, ele precisa diminuir seu impacto ambiental ao máximo, ter ações para desenvolver um mundo mais justo socialmente e manter boas práticas de gestão.

Como todo novo hype, a ESG Storm se alimenta principalmente de três coisas: a ideia de um novo capitalismo social (se é que isso pode ser possível), a noção de propósito e a ideia de regeneração. A Chave Mestra é uma série de cinco artigos que escreverei semanalmente na Fast Company Brasil. Trago para a discussão a linha da pipa da ESG, e a importância de dar alguns passos atrás para podermos olhar para o futuro e entender esse museu de grandes novidades.

Minha intenção com essas “cartas” é mostrar que não há nada tão velho e nada tão novo nessa pauta que nasceu lá em 2004 com Kofi Annan.

É possível traçar um paralelo entre a ideia marxista da reinvenção do capitalismo e o ESG baseando-se nas leituras do professor Manuel Castells, da École des Hautes Études en Sciences Sociales. As relações humanas que objetificam a troca de capital por força de trabalho estão se reestruturando a partir desses novos flows modernistas.

A DISCUSSÃO DE DIVERSIDADE E A PAUTA ESG

A frase “O trabalho é a extensão do lar” é clássica na sociologia ao se debruçar sobre o mundo do trabalho e as relações entre indivíduo e sociedade. Outra frase emblemática — que inclusive constava no portão do Campo de concentração de Auschwitz em Oświęcim, Polônia — é “O trabalho dignifica o homem”. Esta, por sua vez, tem por interpretação a ideia de que um homem que não produz e que não é capaz de sustentar sua família não é digno de ser homem, é um pária. Em suma, a dignidade passa pela possibilidade de se ter um emprego.

A representação do Eu na vida cotidiana, sugere a noção de diversidade como um valor institucional que aponta às coletividades, cujos membros possuem uma experiência social específica em função dos processos de estratificação. É daí que surge a concepção do trabalho como extensão do lar. Os sujeitos são múltiplos e performáticos dentro das funções que executam, mas o conceito de performance pretende sugerir e/ou afirmar identidades essenciais que nunca são únicas. Reconhecer experiências culturais distintas como fontes de outras percepções sociais, é abrir uma imensidão de possibilidades na resolução de problemas.

Mais do que uma iniciativa que pretende remediar práticas discriminatórias, a educação para valorização da diversidade e cidadania — que em alguns lugares recebe o nome de letramento — também designa uma estratégia que traz ganhos consideráveis para as instituições que as utilizam. A chave mestra para a mudança da lógica das ações afirmativas é perceber que o aprimoramento do desempenho de instituições públicas e privadas depende diretamente da capacidade dessas organizações de responderem às demandas decorrentes do pluralismo (entendido aqui como o conglomerado de problemas e possibilidades de soluções), é o que a diversidade propõe.

A QUESTÃO RACIAL DA ESG

Durante o novembro negro, mês que abre espaço para debates propositivos em relação às questões raciais, por conta da semana do feriado da consciência negra, iremos abordar 5 posicionamentos que levam a práticas reparadoras dos maus causados em quase 350 anos de escravidão. Cabe salientar que os argumentos e conselhos são perfeitamente aplicáveis tanto na pessoa física quanto na jurídica. Uma empresa é racialmente ofensiva se tiver colaboradores racialmente ofensivos. Ser racista não está, de forma direta, escrito em nenhum código de ética das corporações, porém indivíduos racistas acabam, por definição de emprego de titularidade, emprestando ao coletivo uma falha que é individual. A maior evidência, entretanto, do racismo institucional é a ausência de negros no alto escalão do quadro de funcionários.

Para título de localização, os próximos textos seguirão uma lógica que passa por cinco posicionamentos:

1 – recusa;

2 – vergonha;

3 – culpa;

4 – reconhecimento;

5 – reparação.

Espero que você não perca nenhum dos capítulos e se esforce para reconhecer o estágio em que se enquadra na questão racial da sociedade brasileira. A minha oração, em nome de Oxalá, é que você queira ancorar a sua embarcação no quinto estágio, pois sem reparação será muito difícil garantir às próximas gerações um ambiente harmônico, representativo, regenerativo e eficaz. Ao se livrar da ilusão naturalista de explicações biologicamente pautadas, é possível perceber que os fatos sociais de nossa sociedade, na verdade deveriam ser socialmente compreendidos.

Dito isto, vejo você no próximo texto…

O post Novembro Negro apareceu primeiro em Fast Company Brasil | O Futuro dos Negócios.

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