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Novas livrarias de rua apostam em filão para o leitor chamar de seu

·4 minuto de leitura

Lançado recentemente por um grupo formado por Argumento, Blooks, Leonardo Da Vinci e outras livrarias, um movimento agitou as redes sociais ao expor dificuldades enfrentadas pelos livreiros — como a competição com gigantes do e-commerce, a exemplo da Amazon — e propôs uma campanha de fortalecimento das lojas de rua. A iniciativa — batizada de Livrarias Cariocas—, no entanto, corre lado a lado com a velha máxima de que na crise nascem oportunidades, o que tem feito sentido para empreendedores que decidiram apostar em novos formatos para vender livros neste momento em que, como se diz, não está fácil pra ninguém.

É o caso da ex-modelo Johanna Stein, que no dia 19 abre a Gato sem Rabo no Centro de São Paulo, e de Dudu Ribeiro, Fábio Brito e Ivan Costa, que, depois de inaugurarem uma pequena livraria na Pedra do Sal, no Centro do Rio, em outubro do ano passado, se preparam para abrir a segunda, na Tijuca.

Localizada no térreo de um edifício na Rua Amaral Gurgel, no bairro da Vila Buarque, a Gato sem Rabo venderá nos seus 65 m² obras de autoras mulheres. Serão 1.500 títulos e cinco mil exemplares expostos, de cerca de 650 autoras do mundo todo. Os temas são variados, de romances a livros científicos, passando por filosofia, arte e literatura infantojuvenil. A ideia, Johanna conta, nasceu quando ela cursava Artes Visuais na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

— Fiz uma pesquisa e fui encontrando as autoras que me interessavam em determinados temas, e pensei num grande indexador pra reunir esses trabalhos. Me informei sobre o mercado editorial e entendi que faria sentido ter um espaço na cidade — conta a empresária, que buscou a inspiração do nome da nova empreitada no livro “Um quarto só seu”, de Virgina Woolf, que já refletia em 1929 sobre a carência de espaços para as mulheres na literatura.

Além da proposta de curadoria, Johanna enxerga na experiência presencial outro trunfo para o seu modelo de negócio, que inclui um café e um ambiente acolhedor:

— Oferecemos uma experiência que a Amazon não oferece. Acreditamos na vida da rua, em gente transitando. Quando entrarem aqui, vão sentir uma calmaria típica de livraria. Pensamos em criar esse contraste entre o espaço de fora, barulhento.

Na Pedra do Sal, coração do Centro do Rio, em meio à onda de insegurança provocada pela pandemia, a Casa da Árvore abriu as portas após o sucesso na captação de recursos pelos sócios via financiamento coletivo. Lá são vendidos livros sobre temas como racismo, samba, história do Rio e do Brasil e religiões de matriz africana.

— Eu estava receoso, mas a resposta foi muito boa, estamos vendendo bem. Principalmente porque criamos um acervo em sintonia com a Casa Omolokum, onde estamos hospedados, que é uma casa de cultura afro-brasileira. Depois de comer um acarajé, por exemplo, o pessoal sempre dá uma passada na livraria e acaba levando alguma coisa — diz Dudu Ribeiro, um dos sócios.

A previsão é de que a segunda livraria do trio abra as portas no dia 20, na Rua Almirante Gavião, próximo ao Bar Madri. Fábio Brito, que trabalhou na Saraiva por 11 anos, conta que eles compraram estantes usadas da empresa, que atravessou longo período de crise e fechou várias de suas filiais.

— Esse modelo de grandes lojas está em crise. Aqui, a gente estudou e viu qual era a demanda local, o público da região. Na Tijuca, vamos continuar com esses temas, mas vamos ampliar um pouco de acordo com o público de lá — explica Brito.

Atendimento faz diferença

Para Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional de Livrarias, a “sensação de pertencimento” que os pequenos estabelecimentos causam nos clientes, além do atendimento, faz diferença.

— A pandemia inicialmente causou um estrago no varejo do livro, mas, uma vez superado esse primeiro impacto, o mercado começou a estabilizar. Tem uma quantidade de livrarias independentes, pequenas livrarias, que estão pulsando, com atividades intensas. As formas de trabalhar mais humanas se fortaleceram. Não é só preço que determina a compra. Tem livreiros que entregam pessoalmente, em casa, os livros para seus clientes. Isso faz diferença — afirma Gurbanov.

A visão otimista é compartilhada por Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro, que aposta no retorno das livrarias de rua como lugares de encontro quando a pandemia passar.

— Com a queda das grandes redes, já sentimos aqui em São Paulo o surgimento de livrarias com focos específicos, como culinária, livros infantis, entre outros. Trabalhar com livros nunca foi fácil, mas é uma magia de portas que abrem pra todo mundo — diz.

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