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Novas fotos mostram o local onde a sonda Schiaparelli caiu em Marte em 2016

Daniele Cavalcante

Em 19 de outubro de 2016, a missão ExoMars da ESA/Roscosmos chegou a Marte para iniciar um estudo da superfície e da atmosfera do planeta, mas, infelizmente, o módulo de pouso Schiaparelli caiu enquanto descia rumo à superfície. Dois dias depois, a NASA conseguiu encontrar a nave destruída com a sonda orbital Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e obteve imagens do local do acidente.

O Schiaparelli Lander foi fabricado pela Thales Alenia Space e operado pela ESA e Roscosmos - as agências espaciais europeia e russa, que trabalham em parceria na missão ExoMars. A missão também incluía um orbitador, que conseguiu se estabelecer com sucesso na órbita no Planeta Vermelho e realizar suas tarefas normalmente, e a parceria continua, com novos planos para 2020 e além.

Na época, a câmera HiRISE, da MRO, mostrou uma cratera rasa cercada por marcas escuras difusas e alguns pontinhos brilhantes, resultado do acidente. A imagem abaixo também flagrou três elementos anômalos, com cerca de 1,5 km de distância um do outro.

Imagem da região do acidente. Os três locais destacados foram ampliados para melhor visualização (Foto: HiRISE/LPL/UA)

Esses elementos correspondem o local onde as várias partes despedaçadas do módulo de pouso caíram, tais como a “concha” protetora traseira e o paraquedas. Esses dois componentes estão destacados na parte inferior esquerda da imagem - o círculo maior e mais brilhante é o paraquedas e a “concha” traseira está logo abaixo. Já os pontos brilhantes cercados por um padrão escuro e circular no canto superior direito da imagem correspondem ao local em que o escudo térmico caiu.

Em março e dezembro de 2019, a câmera HiRISE, do MRO, registrou imagens dessa região mais uma vez para sabermos como o local do acidente estaria três anos depois. As duas fotos mostram a cratera de impacto causada pelo acidente, e ela estava parcialmente escondida por nuvens de poeira. É que em Marte existem tempestades periódicas de poeira que percorrem todo o planeta, e a mais recente durou todo o verão de 2019.

Em 25 de março de 2019, a MRO conseguiu capturar uma imagem logo após a tempestade, que coincidiu com a primavera no hemisfério norte. O pior já havia passado, mas muito pó permaneceu por lá. Então, a câmera HiRISE fotografou a região novamente em 14 de dezembro de 2019, e obteve uma visão muito mais clara do local do acidente. Na animação abaixo, podemos conferir que grande parte do material escuro difuso criado pelo acidente desapareceu desde então - provavelmente devido à poeira da tempestade recente. Isso permitiu uma visão mais distinta da cratera.

Imagens da região de impacto registradas em março e dezembro de 2019 (Foto: HiRISE/LPL/UA)

Alguns dos pontos brilhantes da imagem original ainda são visíveis, então a equipe do HiRISE deduz que eles podem ser fragmentos do módulo que se partiram com o impacto. Já o paraquedas parece ter mudado de forma desde que foi fotografado pela primeira vez, talvez arrastado pelas tempestades.

Não é nada fácil pousar uma nave no Planeta Vermelho. O grande número de fracassos das agências espaciais em tentar fazer isso recebeu até um nome - a "Maldição de Marte". Mas ainda há várias missões programadas para serem lançadas rumo a Marte a partir deste ano, prosseguindo a busca por sinais de vida e revelações de como o Planeta Vermelho era no passado. Isso inclui uma nova tentativa da ExoMars com o rover Rosalind Franklin, além da missão Mars 2020 da NASA e a missão Huoxing-1 da China.


Fonte: Canaltech

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