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Novas desventuras para o Boeing 737 MAX com 'possível' problema elétrico

Mathieu RABECHAULT
·2 minuto de leitura
Um pedido da Southwest Airlines de mais 100 aeronaves Boeing 737 MAX representa um voto de confiança no popular avião

Os problemas parecem se acumular para o Boeing 737 MAX: cinco meses após ser autorizado a voar novamente depois de dois acidentes mortais, a fabricante americana pediu a seus clientes que interrompam o uso de algumas de suas aeronaves, para corrigir um "possível problema elétrico".

A Boeing anunciou nesta sexta-feira (9) que pediu a 16 companhias - que não tiveram os nomes identificados - que operam o 737 MAX que parassem de voar com o modelo até que o "problema" em potencial seja resolvido.

"A recomendação é feita para permitir a verificação de que há aterramento suficiente para um componente do sistema de alimentação elétrico", explicou a fabricante de aeronaves em nota, sem especificar o número de aeronaves afetadas.

Em um circuito, o aterramento permite evitar uma possível sobrecarga elétrica quando o dispositivo está mal isolado.

Desde a entrada em serviço deste modelo, cerca de 450 Boeing 737 MAX já foram entregues a 49 companhias e grupos de locação.

Outras 400 aeronaves encontram-se atualmente nos estacionamentos da Boeing, pois não puderam ser entregues devido à proibição de voo do modelo. A Boeing acabará entregando-os aos seus clientes apenas em 2022.

A empresa explicou que avisou seus clientes sobre os aviões afetados. "Vamos dar instruções sobre as medidas corretivas cabíveis", acrescentou, sem maiores detalhes.

Também afirmou trabalhar "em estreita colaboração" com o regulador de aviação dos Estados Unidos, a FAA, sobre o problema.

O 737 MAX, nova versão da lendária aeronave de médio alcance lançada em 1967, mergulhou a fabricante aeronáutica Boeing em uma crise profunda, afetando sua reputação de qualidade e que lhe custou bilhões de dólares.

Este modelo foi proibido de voar em março de 2019 após dois acidentes que deixaram 346 mortos - da Lion Air na Indonésia em outubro de 2018 (189 mortos) e da Ethiopian Airlines em março de 2019 na Etiópia (157 mortos).

Os acidentes revelaram um defeito no software de controle de voo MCAS. A aeronave foi autorizada a voar novamente nos Estados Unidos em novembro, decisão acompanhada na maioria das regiões do mundo após modificações no programa e um novo treinamento para os pilotos.

No entanto, continua sem poder voar na China, onde 81 aviões 737 MAX foram entregues.

As dúvidas sobre a confiabilidade da aeronave levaram muitas empresas a cancelar seus pedidos, totalizando 641 MAX em 2020.

No entanto, o aparelho recuperou um pouco de sua reputação entre seus clientes. A empresa de investimentos 777 Partners fez um pedido de 24 aeronaves e a gigante americana SouthWest Airlines fez outro pedido de 100 aviões.

mra/ico/spi/pc/me/eg/mr