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Novaes defende privatização do BB por meio de venda de ações

Lu Aiko Otta

Presidente do banco estatal cita modelo de ‘corporation’ como ideal e vê desestatização como necessária para dar agilidade capaz de garantir a competitividade O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, defendeu nesta segunda-feira a privatização da instituição, em audiência pública da comissão mista do Congresso que acompanha a atuação do governo em no combate à pandemia.

“As pessoas imaginam que o Banco do Brasil seria comprado por um grande banco estrangeiro, ou por um Itaú”, disse. “Não é nada disso que se imagina.”

O executivo enfatizou que a eventual privatização seria feita por meio de pulverização das ações. “O governo continuará com uma participação grande”, afirmou. Ele explicou que hoje 50% das ações do BB estão em mãos privadas. “É só vender mais um pouco”, disse. “Fazer do BB uma corporation.”

A desestatização, explicou, daria ao banco uma agilidade que hoje ele não tem, para competir no mercado quando entrar em vigor o open banking. O mercado, afirmou ele, sofrerá modificações profundas que exigirão o uso intensivo de tecnologias. O BB, disse, é lento em tomar decisões pois muitas precisam ser submetidas a órgãos de controle ou outras instâncias de governo.

Segundo ele, o banco permanece com amarras como a necessidade de submeter ao TCU decisões importantes e uma política de recursos humanos “amarrada”. O BB perdeu cerca de 50 executivos de primeira linha no ano passado, frisou.

O modelo de ingresso no BB tampouco favorece esse novo perfil que será demandado com o aumento da competição. A porta de entrada é um concurso de escriturário, quando o banco necessitará com pessoas treinadas no campo tecnológico.

Rubem Novaes, Presidente do Banco do Brasil

Claudio Belli/Valor

Novaes negou que a agricultura vá ser abandonada numa eventual privatização da instituição. “É um ativo importantíssimo do Banco do Brasil”, afirmou.

A desestatização, disse, não é pautada por questão ideológica ou “dogma filosófico”, e sim para dar ao BB maior agilidade para competir. O banco perdeu os bônus que tinha por ser uma instituição governamental, como o virtual monopólio das folhas salariais do setor público e das empresas estatais, e a administração de depósitos judiciais. Esses itens são hoje disputados no mercado, frisou.