Mercado fechará em 4 h 56 min

Nova York começa a reabrir; OMS alerta que pandemia piora no mundo

Por Laura BONILLA CAL com escritórios da AFP no mundo
1 / 3
Usuária do metrô de Nova York, em 8 de junho de 2020

A cidade de Nova York, epicentro da pandemia do novo coronavírus nos Estados Unidos, começou a reabrir sua economia nesta segunda-feira (8), após um confinamento de três meses, no mesmo dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a situação pela pandemia está "piorando" no mundo.

A COVID-19, que já deixou mais de 7 milhões de infectados e mais de 404.000 mortos em todo o mundo, agrava-se na América Latina, especialmente em Brasil, México e Peru, os países mais afetados.

"Embora a situação na Europa esteja melhorando, globalmente está piorando", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em videoconferência de Genebra.

Segundo o chefe da OMS, no domingo foram reportados mais de 136.000 novos casos, "o máximo em um único dia", a maioria na América e no sul da Ásia.

Cerca de 400.000 nova-iorquinos voltaram aos seus trabalhos nesta segunda, exatamente 100 dias depois do primeiro caso de coronavírus na cidade, no primeiro dia da reabertura parcial, que permite o retorno da construção e a manufatura. As lojas podem fazer entregas nas calçadas ou dentro dos seus estabelecimentos para clientes que tiverem feito compras on-line.

"Este é um momento triunfal para os nova-iorquinos que lutaram contra essa doença", disse o prefeito Bill de Blasio à CNN.

Os Estados Unidos, país mais afetado pela pandemia, registrou nesta segunda 450 mortos pelo novo coronavírus em 24 horas, a contagem diária mais baixa em aproximadamente dois meses, embora tema-se que os casos possam se multiplicar devido aos protestos antirracistas das últimas semanas.

Com os novos números, o total no país alcançou 110.932 óbitos e se aproxima dos dois milhões de casos reportados, com 1.956.527 contágios.

Mas a América Latina, novo epicentro do vírus, com mais de 1,3 milhão de casos e cerca de 67.000 mortes, prepara-se para o pior.

Com mais de 37.000 mortos, o Brasil tem o terceiro maior número de óbitos pelo coronavírus no mundo, mas o presidente Jair Bolsonaro continua minimizando o impacto da doença.

Críticos acusam Bolsonaro de manipular os números do coronavírus depois que seu governo primeiro deixou de divulgar dados de novos casos e mortes e depois deu informações divergentes.

Por fim, o governo informou mudanças na divulgação de seus balanços: será priorizado o número de mortos no dia com diagnóstico de COVID-19, mas será possível continuar visualizando na plataforma oficial as mortes no dia e a data em que ocorreram.

Várias instituições, incluindo o Congresso, informaram que vão estabelecer registros alternativos. Nesta segunda, os principais veículos de comunicação nacionais (do Grupo Globo, Estadão, Folha e UOL) começaram a fazer um registro independente, com base em informações das secretarias estaduais de Saúde.

No México, segundo país com o maior número de óbitos na região, o presidente Andrés Manuel López Obrador, que voltou a fazer viagens pelo país, disse que não irá fazer testes para a doença, apesar de seu chefe de segurança social, Zoé Robledo, que o acompanha em suas coletivas diárias ter testado positivo para o vírus.

O Peru, o terceiro país mais afetado na América Latina, apesar da quarentena obrigatória imposta há 85 dias, está com seu sistema de saúde à beira do colapso pela falta de oxigênio. Em Lima, empresários da indústria têxtil protestaram e pediram a reabertura dos negócios devido às perdas milionárias.

Em Honduras, após quase três meses de confinamento, nesta segunda-feira foi iniciada uma "reabertura inteligente" para retomar as atividades com medidas de biossegurança em empresas e com o país dividido em zonas, de acordo com o nível de contágios. No entanto, estendeu-se por uma semana o toque de recolher.

Na Ásia, o medo do vírus persiste, por não se ter certeza se ele está controlado, e os casos e mortes aumentam na Índia, onde o governo autorizou a reabertura de locais de culto e centros comerciais após um confinamento de 10 semanas.

- Mais casos por causa dos protestos? -

Desde março, o novo coronavírus provocou mais de 21.000 mortes suspeitas e confirmadas em Nova York, a cidade mais populosa dos Estados Unidos.

No coração de Manhattan, K.B. Barton, 61 anos, deixava a The Container Store com três sacolas grandes nas mãos. "Fiz compras on-line e vim buscar meu pedido. Hoje, Manhattan está mais movimentada. Estou mais feliz", disse à AFP.

A fase dois prevê a reabertura de restaurantes e salões de cabeleireiro em 15 dias, se os casos não aumentarem.

Os bares e os restaurantes poderão abrir na fase três, mas teatros e museus apenas na última fase, possivelmente no final de julho, e com capacidade reduzida.

Centenas de lojas da cidade ainda estão fechadas com tapumes devido aos saques ocorridos durante os protestos contra o racismo e a brutalidade policial após a morte de George Floyd, um afro-americano assassinado por um policial branco.

Temendo um novo surto, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, pediu a todos os manifestantes que façam o teste para detectar a doença.

Os Estados Unidos estão em recessão desde fevereiro, após 128 meses de crescimento, informou o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica.

Para o Banco Mundial, o coronavírus causa o maior colapso da economia mundial desde 1870.

Enquanto isso, na Europa, mesmo os países mais afetados estão progredindo aos poucos para o chamado "novo normal".

Na Bélgica, bares e restaurantes abriram as portas, aplicando medidas de distanciamento social entre clientes. A Irlanda abriu as lojas, além de permitir reuniões de até seis pessoas e viagens para até 20 km de casa.

A reabertura do Reino Unido, o segundo país mais afetado do mundo, com o registro de mais de 40.000 mortes, é cautelosa: quem entrar no país deve cumprir uma quarentena de duas semanas, inclusive os britânicos. Insatisfeitas, as companhias aéreas entraram na justiça.

Na Espanha, que registrou mais de 27.000 mortes, os jogos de futebol da Liga serão retomados na próxima quarta-feira, após três meses de suspensão.

burs-lbc/bn/lb/cc/mvv