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Nova onda de Covid-19 pode adiar melhora de nota de risco

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*arquivo* Lojas fechadas na ladeira Doutor Mesquita, no centro de Batatais, no primeiro dia útil do lockdown na cidade. Foto: Marcelo Toledo / Folhapress
*arquivo* Lojas fechadas na ladeira Doutor Mesquita, no centro de Batatais, no primeiro dia útil do lockdown na cidade. Foto: Marcelo Toledo / Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ameaça de uma terceira onda de Covid-19 preocupa investidores internacionais e tende a postergar a melhora da nota de risco do Brasil. Para as agências de rating, podem ser necessárias mais medidas de socorro à economia por parte do governo este ano, além do esperado, o que adiaria ou enfraqueceria reformas e pressionaria ainda mais a dívida pública.

O rating é uma classificação pelas agências que avaliam crédito dada a um país ou empresa, de acordo com sua capacidade de honrar as dívidas. Essa nota ajuda o investidor a saber o nível de risco dos títulos de dívida.

Na avaliação de Livia Honsel, analista da S&P Global Ratings responsável pela nota do Brasil, a pandemia do novo coronavírus e o temor de novas ondas continua sendo um fator-chave para a recuperação da economia e para a nota de risco, assim como o ritmo de vacinação no país.

"É difícil fazer uma previsão de como serão os próximos meses de pandemia no Brasil, mas se estávamos vendo sinais positivos para a projeção de crescimento para 2021, caso uma nova onda forte se torne realidade, teremos de avaliar de novo as perspectivas", diz.

Em março, a agência projetava um crescimento de 3,4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro para este ano. A nova projeção ainda não foi publicada, já que a revisão da agência é trimestral, mas hoje, as estimativas apontam uma previsão de crescimento maior, em torno de 4%.

"Caso haja uma nova onda da pandemia e o ritmo de vacinação continue muito lento, isso poderia impactar na recuperação", complementa a analista.

Apesar de a piora dos indicadores ainda não ser o cenário-base da S&P, a ameaça de um recrudescimento da pandemia pode ter um papel relevante para o rating do país e levar o governo a uma estratégia de política fiscal mais expansionista do que o esperado.

Para a agência, a trajetória fiscal e de dívida pública continuam sendo os principais fatores negativos para o país. "Precisamos ver se vai ter uma pressão adicional por gastos além do teto, como os investidores vão interpretar a situação da dívida brasileira e se a alta de preços das commodities [produtos básicos] vai continuar favorecendo o Brasil."

O rating do Brasil pela S&P hoje é BB- (abaixo do grau de investimento), com perspectiva estável, e ainda não estão reunidas condições positivas o bastante para que a nota do país melhore, considerando o alto grau de incertezas por conta da pandemia e da proximidade da eleição para presidente no ano que vem.

"Os riscos de rebaixamento ou de melhoria do rating são limitados. Para ter uma melhora, seria necessária uma redução de déficit público mais forte do que estamos vendo agora e um pouco mais de visibilidade sobre a aprovação de reformas estruturais, para que o teto de gastos seja respeitado nos próximos anos", diz Honsel.

Pela Moody's, o Brasil tem nota Ba2 (também na categoria de especulação), com perspectiva estável. Para Samar Maziad, analista sênior da agência, não há muitas alternativas ao país: quanto mais cedo avançar na vacinação, mais consistente será a recuperação da economia. "Vemos o mesmo dilema ocorrendo em outros países, enquanto o contágio continuar alto, vai haver pressão por lockdowns e por manter as medidas de distanciamento."

A analista concorda que a recuperação do país segue em ritmo mais lento por conta da falta de vacinas. A agência prevê um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil na casa dos 3% para este ano --uma recuperação que poderia ser mais robusta, se o país tivesse conseguido manter uma vacinação mais rápida e constante.

A demora para governo e Congresso chegarem a um consenso na aprovação do Orçamento também não passou despercebida pelas agências. Na visão da analista da Moody's, ao mesmo tempo em que a aprovação reduziu as incertezas, foram introduzidas no Orçamento exceções que driblam o teto de gastos, sobretudo com gastos relativos à pandemia.

"Criou-se uma outra instância de gastos similar ao que foi feito no ano passado. O que foi aprovado continuou criando exceções e é preciso ver se elas serão mantidas no futuro."

Maziad afirma que o futuro das perspectivas para o Brasil depende da necessidade de estender os gastos por conta da pandemia e se a vacinação vai ser um processo rápido. "Há sinais de comprometimento em preservar o teto de gastos, mas a situação da pandemia continua a colocar pressão sobre os gastos este ano, infelizmente", diz.

Já a agência Fitch reafirmou na última quinta-feira (27) o rating do Brasil em BB- (também no patamar especulativo), com perspectiva negativa. Ela ressaltou a grande necessidade de financiamento pelo endividamento do governo, a rígida estrutura fiscal, e o fraco potencial econômico.

"As pressões dos gastos públicos persistem e suporte fiscal adicional para lidar com as consequências da pandemia não pode ser descartado. As contínuas fragilidades fiscais, assim como o encurtamento da dívida, tornam o Brasil vulnerável a choques", disse a Fitch em nota.

A Fitch, que calcula que o déficit do governo ficará em 7,4% do PIB este ano, chamou a atenção ainda para a inflação no Brasil, com expectativa que supere o centro da meta de 3,75% este ano em meio a preços mais altos de commodities e alimentos e ao real fraco.

Entre os fatores que podem levar a um rebaixamento do Brasil, estão o enfraquecimento da estrutura fiscal, uma severa deterioração nas condições de empréstimo dos mercados doméstico e externo, e grave erosão do colchão de reservas internacionais.

Outro ponto de preocupação considerado pelas instituições é a crise política, sobretudo com os desdobramentos das investigações da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, que começou a funcionar nas últimas semanas.

Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar adversários e a fazer declarações sobre o uso de medicamentos não comprovados para o tratamento contra a Covid-19. A crise eleva as incertezas e tira o foco das reformas, prejudicando também a confiança dos investidores.

Por mais fortes que as declarações do presidente sejam, a analista da S&P pondera que elas não têm impacto direto na nota de risco. "O que importa é o sinal de que as reformas serão aprovadas. O ruído político é sempre forte, mas a principal ameaça é o atraso nessa agenda", diz Honsel.

As agências avaliam, no entanto, que ainda é cedo para opinar quanto ao cenário eleitoral para o ano que vem, em que as pesquisas colocam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro no segundo turno, com vitória do petista.

A favor do Brasil, colaboram indicadores como uma dívida externa baixa e a recente aprovação da autonomia do Banco Central, na avaliação das analistas das instituições ouvidas pelo jornal Folha de S.Paulo.

"Vimos algum progresso em áreas, como concessões, e ainda há a discussão sobre a reforma tributária, em que esperamos que haja progresso, mas deve demorar para que uma reforma seja aprovada", pondera a porta-voz da Moody's.

A Fitch, por sua vez, considera que a economia brasileira se beneficia da grande capacidade de absorver choques externos e alta renda per capita, em relação a outros países e de uma taxa de câmbio flexível.

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