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Nova era estelar: Após viagem bem-sucedida da SpaceX, empresas planejam filmes no espaço e voos mais acessíveis

·4 minuto de leitura

RIO - A segunda era espacial começou. É o que anunciou Todd Ericson, diretor da missão missão 'Inspiration4', da SpaceX, em uma coletiva de imprensa após o retorno bem sucedido dos tripulantes à Terra. Os quatro turistas espaciais foram os primeiros sem formação de astronauta a orbitar o planeta por três dias.

"Bem-vindos à segunda era espacial", disse ele. Agora, "as viagens espaciais serão muito mais acessíveis aos homens e mulheres comuns", acrescentou.

Para o ex-piloto de testes da Força Aérea Americana, está consolidado o início da fase em que o espaço deixa de ser apenas para estados-nação e passa a estar sob o alcance de empresas e indivíduos comuns.

Se o primeiro estágio dessa fase pôde ser inaugurado pelos bilionários Jeff Bezos (Blue Origin), Richard Branson (Virgin Galactic) e Jared Isaacman (SpaceX, de Elon Musk) agora é a vez de novos negócios ganharem tração.

Após a jornada em órbita da SpaceX, voos de civis e produções cinematográficas já têm data marcada fora da Terra. Veja o que esperar da nova era espacial:

Filmes gravados no espaço

Filmes que encenam a vida no espaço já não precisarão mais de tantos efeitos criados por meio de computadores. Duas produções audiovisuais devem ser gravadas fora da Terra nos próximos meses.

A primeira delas deverá ser um filme do diretor russo Klim Shipenko. A agência espacial russa Roscosmos, em parceria com a emissora pública Channel One, planeja gravar o conteúdo a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) em outubro.

Uma equipe russa de dois cosmonautas e dois profissionais de cinema deverão decolar no dia 5 de outubro, e a missão deve durar cerca de 12 dias.

"Este filme é construído em torno da história de uma pessoa comum. Um médico que não tinha nada a ver com a exploração espacial e nunca pensou sobre isso é oferecido para viajar para a ISS e salvar a vida de um cosmonauta", disse o diretor do filme, em entrevista coletiva antes da partida da tripulação para o cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

A atriz principal Yulia Peresild disse que aprendeu a ser sua própria maquiadora e figurinista. "Não estará no mesmo nível que na Terra, mas faremos o nosso melhor. Estamos prontos para isso", disse ela.

Se confirmado, será o primeiro filme da história a ter gravações diretamente do espaço, colocando os russos à frente de seus colegas americanos.

Tom Cruise no espaço sideral

Mas a Nasa e a SpaceX não estão tão distantes de realizar o mesmo feito. Em setembro do ano passado, o site NME divulgou que o ator Tom Cruise seria levado em outubro deste ano à Estação Espacial Internacional para a gravação de um longa numa parceria entre a Nasa e a empresa de Musk.

Dirigido por Doug Liman, o filme teria um orçamento de US$ 200 milhões. O ator, inclusive, conversou com os tripulantes da 'Inspiration4', da SpaceX, há dois dias. Mas ambas as empresas não confirmaram para quando o voo está previsto e nem mesmo se serão estas as condições.

No ano passado, Jim Bridenstine - ex-administrador da NASA sob o governo do então presidente Donald Trump - disse que a empresa estava animada para trabalhar com o ator em um filme a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

"Precisamos de mídia popular para inspirar uma nova geração de engenheiros e cientistas a fazer os planos ambiciosos da Nasa uma realidade" tuitou Jim.

Musk, dono da SpaceX, sinalizou que o projeto estava, de fato, previsto. "Deverá ser muito divertido", respondeu ele na ocasião.

Turismo espacial

Além da indústria audiovisual, o mercado do turismo espacial já está com a agenda cheia.

A Virgin Galactic, empresa de Richard Branson, já vendeu 600 ingressos. E celebridades como Lady Gaga, Justin Bieber e Tom Hanks já garantiram seus assentos.

Antes do voo inaugural de Branson, as passagens eram vendidas por preço entre US$ 200 mil e US$ 250 mil. Depois do sucesso, a empresa anunciou que reabriria as vendas com custo a partir de US$ 450 mil pessoa. O empresário espera começar a realizar voos suborbitais comerciais tripulados no ano que vem.

“Estamos aqui para tornar o espaço mais acessível a todos. Queremos transformar a próxima geração de sonhadores nos astronautas de hoje e de amanhã”, disse Branson após seu voo.

A Blue Origin, de Jeff Bezos, anunciou a venda de ingressos em maio deste ano, com viagens que devem contemplar altitude de 100 quilômetros da Terra.

A companhia do fundador da Amazon ainda não anunciou a data dos passeios, mas disse que o valor pode ficar na casa das "centenas de milhares" de dólares.

Já a SpaceX, de Musk, prevê outros voos de turismo espacial, incluindo um em janeiro de 2022, que deve transportar três empresários até a ISS.

Além disso, Musk possui um contrato com a Nasa para realizar uma missão que levará humanos à Lua. A empresa do bilionário também desembarca astronautas na Estação Espacial Internacional, e o empresário ainda tem no horizonte o sonho de colonizar Marte.

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