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Nova compra de respiradores envolvida em polêmica na Bolívia

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Foto de arquivo divulgada pela agência de notícias do governo boliviano ABI mostra o ministro da Saúde da Bolívia, Marcelo Navajas (D), e o ministro do Governo (Casa Civil), Arturo Murillo (E), durante a entrega dos 15 novos respiradores em um hospital de Santa Cruz, Bolívia, 19 de maio de 2020
Foto de arquivo divulgada pela agência de notícias do governo boliviano ABI mostra o ministro da Saúde da Bolívia, Marcelo Navajas (D), e o ministro do Governo (Casa Civil), Arturo Murillo (E), durante a entrega dos 15 novos respiradores em um hospital de Santa Cruz, Bolívia, 19 de maio de 2020

Uma compra de respiradores da China para tratar pacientes com a covid-19 originou novas denúncias de superfaturamento na Bolívia e pedidos de investigação, embora o governo negue qualquer irregularidades no caso, nesta quinta-feira (27).

"Queremos mostrar a todo o país que a compra dos 324 respiradores, que foram distribuídos em todos os departamentos do país, foi feita de maneira correta e transparente. Não houve superfaturamento", afirmou a ministra da Saúde, Eidy Roca, em coletiva de imprensa.

A ministra respondeu a relatos publicados pela imprensa local de um suposto superfaturamento de seis milhões de dólares na aquisição dos equipamentos chineses.

O governo afirmou ter pago 11,6 milhões de dólares pelos respiradores, fabricados pela empresa chinesa Guangzhou Yueshen Medical Equipment Co. Cada respirador custou 35.858 dólares, de acordo com o poder executivo.

O vice-ministro da Transparência, Guido Melgar, garantiu que o preço unitário de fábrica de cada equipamento é de 18.500 dólares e não de 8.500 dólares, como relataram alguns meios de comunicação. Melgar explicou que custos adicionais de importação elevaram o preço para 35.858 dólares a unidade.

Contudo, a defensora do Povo (ombudsperson), Nadia Cruz, pediu à Procuradoria e à Controladoria-Geral do Estado "iniciar a supervisão e investigação, respectivamente, sobre a aquisição de 324 respiradores de procedência da China, realizada pelo Ministério da Saúde em maio".

A defensora justificou seu pedido dizendo que "presumidamente" houve "um superfaturamento de seis milhões de dólares".

O governo transitório da Bolívia destituiu em maio o então ministro da Saúde Marcelo Navajas, após denúncias de superfaturamento na compra de 179 respiradores espanhóis no valor de 4,7 milhões de dólares, quase o triplo do preço real.

O governo afirmou várias vezes que buscará a recuperação do dinheiro e a devolução dos respiradores.

A Bolívia, país de 11 milhões de habitantes, registra mais de 112.000 casos de coronavírus e 4.700 óbitos.

jac/fj/gm/am/mvv