Mercado fechado

Nova cepa de coronavírus pode ser origem de surto de pneumonia na China

Por Jing Xuan TENG con Yan Zhao en Hong Kong
Infecção foi confirmada pela primeira vez na China em dezembro em Wuhan

A China acredita que o misterioso surto de pneumonia que afetou 59 pessoas se deve a uma nova cepa do vírus da família dos coronavírus, que inclui o temido SARS - anunciaram autoridades sanitárias chinesas nesta quinta-feira (9).

A infecção foi confirmada pela primeira vez em dezembro, na cidade de Wuhan, no centro da China. Inicialmente, despertou temores sobre o ressurgimento do vírus SARS, altamente contagioso e responsável pela morte de cerca de 800 pessoas, a maioria na China, nos anos 2000.

Uma equipe de especialistas "estabeleceu preliminarmente" nesta quinta-feira que um novo tipo de coronavírus está por trás do surto.

"Um total de 15 resultados positivos do novo tipo de coronavírus foi detectado", disse Xu Jianguo, chefe da equipe de especialistas que está estudando a patologia, em declarações à agência de notícias Xinhua.

Ao mesmo tempo e depois de realizar vários testes em laboratório, as autoridades chinesas descartaram a hipótese de SARS e anunciaram que vão estabelecer sanções contra oito pessoas que "publicaram e transmitiram informações falsas, ou não verificadas", relacionadas a esse vírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou as conclusões dos pesquisadores chineses.

"Mais estudos são necessários para determinar fonte, modos de transmissão, alcance da contaminação e medidas de prevenção" da doença, acrescentou o representante da OMS na China, Gauden Galea.

Na quarta-feira, a OMS já havia indicado que, conforme informado pelas autoridades chinesas, "o vírus pode causar sérios problemas em alguns pacientes", mas "não se espalha rapidamente".

Em geral, os coronavírus causam doenças benignas em humanos (como gripe). Alguns como o SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e o MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) levam, porém, a epidemias graves.

- Nenhuma vítima fatal -

O último balanço oficial detalhou que sete das 59 pessoas infectadas se encontram em estado grave e que não há vítima fatal. Oito pacientes se recuperaram e receberam alta na quarta-feira, de acordo com a agência de notícias Xinhua.

As autoridades explicaram que a infecção ocorreu entre 12 e 29 de dezembro e que a maioria dos pacientes é vendedor de um mercado local especializado na venda por atacado de frutos do mar e peixes.

O surto ocorreu poucas semanas antes do Ano Novo Chinês, período em que milhões de chineses costumam pegar ônibus, trens e aviões para se reunir com suas famílias.

Uma autoridade do Ministério dos Transportes da China anunciou nesta quinta-feira que medidas serão tomadas para "desinfecção, controle e prevenção" das áreas mais movimentadas, como estações de trem.

Galea disse que "pessoas com sintomas de pneumonia, ou que viajaram para Wuhan, foram identificadas em aeroportos internacionais", mas não recomendaram nenhuma restrição de viagem à China.

Na terça-feira, a embaixada dos EUA na China aconselhou que os cidadãos que planejam viajar para o país evitem o contato com animais e pessoas doentes.

Em Taiwan e Hong Kong, as autoridades reforçaram o controle dos passageiros que chegam da China continental.

Em Hong Kong, 38 pessoas com sintomas semelhantes aos da gripe de Wuhan foram hospitalizadas nos últimos dias, sem a confirmação do novo vírus, segundo as autoridades locais. Ontem, 21 pacientes receberam alta.

Preocupados com a epidemia, os moradores de Hong Kong correram para comprar máscaras respiratórias, vendidas em farmácias.