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Nova bandeira tarifária eleva conta de luz em 8,12%, diz FGV

·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019: Still de mão segurando uma conta de luz. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019: Still de mão segurando uma conta de luz. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O reajuste na bandeira tarifária cobrada para bancar as térmicas terá um impacto médio de 8,12% na conta de luz em julho, calcula a FGV (Fundação Getúlio Vargas). A alta neste índice pressionará a inflação do mês em 0,36 ponto percentual e levar a inflação para ainda mais longe do teto da meta este ano.

O cálculo foi feito pelo economista André Braz, responsável pela elaboração dos índices de inflação medidos pela FGV, e considera o aumento de 52% na tarifa da bandeira vermelha nível 2, que passará de R$ 6,24 para R$ 9,49 por 100 kWh (quilowatt-hora).

A elevação tem por objetivo arrecadar mais recursos para enfrentar a crise hídrica, que levou o governo a acionar todo o parque térmico disponível, independente do preço de geração de energia. Além disso, sinaliza ao consumidor a necessidade de economizar eletricidade.

Com a escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas a tendência é que o brasileiro continue pagando a bandeira vermelha durante o período seco, que vai até o início da primavera. Assim, a energia se manterá como um fator de pressão inflacionária.

Braz diz que o impacto direto na inflação pode ser temporário, já que a tendência é que a taxa seja retirada no fim do ano, quando as chuvas começarem a cair sobre os reservatórios. Mas lembra que o custo da energia tem efeito indireto sobre a inflação de outros produtos.

"Sempre que a energia aumenta, aumenta o custo de produção de vários segmentos", frisa. "Então, esses impactos não seriam tão temporários, vão ser mais persistentes e isso pode, sim, criar uma pressão inflacionária maior para esse ano."

Em maio, com a adoção da bandeira vermelha nível 2, a energia já foi o principal fator de pressão no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o índice oficial de inflação, que fechou o mês em 0,83% no país, após variação de 0,31% em abril.

Foi o maior resultado para maio desde 1996 (1,22%). No acumulado em 12 meses até maio, a inflação chegou a 8,06%, bem acima do teto da meta para o ano, de 5,25%.

O aumento do valor da bandeira foi decidido nesta terça-feira (29) pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A direção da agência decidiu não seguir orientação da área técnica, que pedia reajuste de 11,5%, deixando a cobertura de parte dos custos adicionais para 2022.

Além de pesar no bolso do consumidor, a elevação dos preços da energia no país em decorrência da crise hídrica pode reduzir o espaço no teto de gastos em 2022, segundo nota informativa do Ministério da Economia divulgada nesta terça.

De acordo com análise feita pela Secretaria de Política Econômica, o atual cenário de risco hidrológico pode exigir novas elevações de preços de energia —com um efeito direto na inflação usada para calcular o reajuste de despesas previdenciárias e itens como o BPC (benefício de prestação continuada).

Nesta segunda-feira (28), o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) fez um pronunciamento em rede nacional de TV pedindo que a população poupe energia e água para enfrentar a crise hídrica.

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