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Nos EUA, veterinários se concentram em fazer testes de COVID-19 em animais

Nathan Vieira
·4 minuto de leitura

Se tem algo mais misterioso que a própria COVID-19, que tem preocupado tanto a população mundial desde o início do ano, é a relação entre a doença e os animais. Justamente por isso, uma veterinária norte-americana chamada Sarah Hamer tem monitorado discretamente a propagação da doença em animais, com uma equipe da Texas A&M University. Ela já chegou a fazer testes em centenas de animais domésticos cujos donos testaram positivo para a doença.

Dentre os animais testados, constam não apenas cães e gatos, mas também hamsters e porquinhos-da-índia. Nesse projeto, a veterinária encontrou pelo menos 19 casos de infecção. Com isso, outros veterinários e pesquisadores também passaram a vasculhar o reino animal em busca de sinais do vírus que causa a COVID-19. Pelo menos 2 mil animais nos EUA foram testados para o coronavírus desde o início da pandemia, de acordo com registros federais. Os gatos e cães que foram expostos a proprietários doentes representam a maioria dos animais testados e 80% dos casos positivos encontrados.

Em determinados estados, os pesquisadores testaram espécies que habitam desde fazendas até os zoológicos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mantém uma contagem oficial de casos confirmados de COVID-19 em animais, que soma várias dezenas. Entretanto, até agora, há evidências limitadas de que os animais estão transmitindo o vírus às pessoas. Os veterinários enfatizam que os donos de animais de estimação parecem não correr perigo com seus companheiros peludos e devem continuar a cuidar deles. Mas os cientistas dizem que o teste contínuo é uma forma de permanecer vigilante em face de um patógeno até então desconhecido.

Por enquanto, espeicalistas alegam que os humanos são a principal fonte de infecção em animais de estimação (Imagem: Eric Ward /Unsplash)
Por enquanto, espeicalistas alegam que os humanos são a principal fonte de infecção em animais de estimação (Imagem: Eric Ward /Unsplash)

Em abril, uma tigresa-malaia do Zoológico do Bronx, em Nova York foi o primeiro animal a ser registrado com COVID-19 nos Estados Unidos. A tigresa, chamada Nadia, tinha quatro anos de idade e convivia com quatro tigres e três leões africanos que também foram confirmados como infectados. A contaminação aconteceu pela presença de um funcionário do zoológico que ainda não apresentava sintomas da doença. Entre as manifestações apresentadas estavam tosse seca, espirros e perda de apetite. O local foi fechado no mesmo mês, em meio ao crescimento de contaminações em Nova York.

Em março, no estado de Washington, os cientistas se apressaram em projetar um teste de COVID-19 para animais. Testes para animais usam compostos reagentes diferentes daqueles usados ​​para testes em seres humanos. O Washington Animal Disease Diagnostic Laboratory já testou cerca de 80 animais, incluindo cães, gatos, furões, camelos e tamanduás. Ao todo, cerca de 1.400 animais foram testados por meio da National Animal Health Laboratory Network ou de laboratórios privados. Mais de 400 animais foram testados pelos Laboratórios de Serviços Veterinários Nacionais. Pelo menos mais 250 foram testados por meio de projetos de pesquisa acadêmica.

Por enquanto, especialistas alegam que os humanos são a principal fonte de infecção em animais de estimação, mas isso ainda é alvo de análises. Sendo assim, a situação permanece como uma raridade.

E no Brasil?

Se a relação entre a COVID-19 e os animais permanece rara em outros lugares do mundo, no Brasil a situação é ainda mais incomum. Em outubro, o Brasil registrou o primeiro caso confirmado de gato com a COVID-19. O caso aconteceu em Cuiabá, no Mato Grosso. A gata de poucos meses contraiu a doença de seus tutores, mas não apresenta sintomas da doença. Desde que aconteceu a infecção, estão investigando a possibilidade de outro gato e de um cachorro também estarem infectados.

Apesar de ter sido a primeira brasileira, não foi a primeira do mundo. Na verdade, o primeiro caso de felino a contrair a COVID-19 aconteceu na Bélgica, em meados de março. De acordo com a Faculdade Veterinária da província de Liege, o animal contraiu a doença de sua dona. O Conselho Nacional de Proteção do Animal na Bélgica apontou que nesse caso, não há motivos para abandonar o seu pet, e reiterou a necessidade de serem mantidos os hábitos de higiene, ou seja, lavar as mãos antes e depois de acariciar o animal e não esfregar as mãos nos narizes deles.

Fonte: Canaltech

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